O cancro da tiroide tem vindo a aumentar a sua incidência nos últimos anos. Contudo é também importante referir que, comparativamente a outros tipos de cancro, o cancro da tiroide tem uma das melhores taxas de sobrevivência. 

Esta é uma doença muitas vezes silenciosa, porque pode não causar qualquer sintoma numa fase inicial, pelo que a informação e a vigilância médica regular são fundamentais. Algumas alterações que se podem manifestar passam uma saliência no pescoço, dor, alterações na voz, rouquidão ou de engasgamento fácil.

Mas quais as causas desta doença? Há ainda hoje muitos casos de cancro da tiroide sem causa conhecida. Mas de uma forma ou outra, todos os tipos de cancro resultam de alterações na programação do ADN das nossas células. Sabemos que as mutações genéticas adquiridas são altamente influenciadas por fatores ambientais, a poluição, o tabagismo, a radiação ultravioleta e a radiação nuclear.

Estávamos acostumados a não nos preocupar com esta última, era um risco restrito aos trabalhadores das centrais nucleares ou aos técnicos de Radiologia, atualmente muito bem preparados para se protegerem da exposição profissional aos materiais radioativos.

Após o bombardeamento de Hiroshima e Nagasaki, 1945, a seguir à explosão do reactor de Chernobyl, 1986, e depois do acidente em Fukushima em 2011, constataram-se no local e nos países vizinhos enormes aumentos da incidência de cancro da tiroide. Na realidade, esta é a principal consequência a médio e longo prazo da exposição às radiações. O efeito da radiação provoca sobretudo mutações no ADN das células da tiroide, algo que é imperceptível no imediato mas que leva ao aparecimento a médio e longo prazo de casos de cancro da tiroide. 

E o que pode fazer para diminuir o risco de ter um cancro da tiroide? Deve ter uma alimentação diversificada e adequada no aporte de iodo: poderá encontrá-lo nos produtos do mar, nas águas de abastecimento público quando devidamente controladas (não o tem nas águas engarrafadas), e no sal de mesa quando devidamente iodado, tal como recomenda a Organização Mundial de Saúde.

A Organização Mundial de Saúde recomenda, ainda, no caso de haver suspeita de exposição à radioatividade, a toma de comprimidos de Iodo (iodeto de potássio) por via oral idealmente nas 24 horas antes da exposição, se esta for previsível no caso das nuvens radioactivas que se propagam com os ventos, e até de preferência até 4 horas depois. A toma dos comprimidos deve ser orientada pelos profissionais de saúde, já que a administração de doses descontroladas pode ter efeitos tóxicos. O maior benefício protector verifica-se nas crianças, adolescentes, grávidas, recém-nascidos e lactentes. Este iodo seguro tomado por via oral destina-se a saturar atempadamente as células da tiroide impedindo-as de captar o iodo radioactivo.

O que todos devemos fazer é cuidar da nossa saúde e dos nossos familiares, estar atentos aos sintomas e sinais, e procurar aconselhamento médico. Um diagnóstico precoce e acompanhamento por equipas diferenciadas fará a diferença no prognóstico da doença. 

Um artigo do médico Filipe Sá Santos, especialista em Cirurgia Geral e Endócrina no Hospital CUF Porto.

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