A cidade de Bérgamo, em Itália, foi a 19 e 20 de outubro a grande casa dos queijos de todo o mundo. Ao World Cheese Awards concorreram 3804 queijos, provenientes de 42 países, de seis continentes. Um dos representantes portugueses, o queijo de ovelha amanteigado da Queijaria Monte da Vinha, produto 100% artesanal constituído apenas por leite cru de ovelha, sal e cardo, recebeu uma medalha de ouro depois de sujeito ao sistema de prova cega (lista completa dos vencedores aqui).

Um júri composto por mais de 300 membros (entre especialistas, experts e críticos gastronómicos) provou os quase 4000 queijos em dois dias, concentrados em 84 mesas.

"Fazer uma tampa no queijo para o servir à colher é matá-lo"
"Fazer uma tampa no queijo para o servir à colher é matá-lo"
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“Quando percebi que o meu queijo era o único com a distinção ´Gold` na mesa, fiquei muito emocionada”, confessa Joana Garcia, a fundadora desta queijaria com uma equipa 100% feminina, que lidera desde 2004.

Para a ex-advogada, que mudou de vida há 15 anos, o segredo dos seus queijos de ovelha reside essencialmente na paixão e no respeito pelo produto. Este é extremamente puro, sem qualquer aditivo. A matéria-prima, o leite cru de ovelha, tem de ser de primeiríssima qualidade e utilizamos cardo, um coagulante vegetal. A cura é outro elemento fundamental. As câmaras de maturação dos queijos têm condições de humidade, ventilação e temperatura ideais, que tentam replicar as condições ideais na Primavera.

Podemos encontrar estes queijos artesanais na Classe executiva da TAP, e em restaurantes como a Tasca da Esquina, do chefe de cozinha Vítor Sobral, Tapisco, de Henrique Sá Pessoa, o clássico Fialho, em Évora. Atualmente, a Queijaria Monte da Vinha, que está aberta o ano inteiro, produz cerca de 6000 queijos por semana, exportando cerca de 20% da sua produção.

Em 2004, Joana Garcia deixou de estar satisfeita com a profissão de advogada e decidiu dar uma volta à sua vida. Foi o pai, natural do Vimieiro, “terra de queijeiros”, quem lhe deu a dica: Por que não aproveitar o facto de o irmão de Joana estar a vender leite de 500 ovelhas para se lançar a fazer queijo?

Sem qualquer experiência no assunto, Joana investiu dez meses da sua vida a meter a mão na massa e a experimentar – e a deitar muito leite e queijo fora, antes de conseguir atingir a sua meta: diferenciar-se.

Fazer queijos de dimensões menores (125 g e 70g) e de pasta muito amanteigada foram duas das suas características identificadoras. Com a equipa de sete mulheres, produz queijos amanteigados, de meia cura e de pasta dura. Mas é provavelmente o seu queijo amanteigado de ovelha o mais único de todos. “Não se encontram queijos amanteigados de ovelha tão pequenos no mundo”, afirma.

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