A carne é hoje tida como “o novo cigarro” e os Estados Unidos da América (EUA) vistos e tidos como o epicentro do consumo excessivo de proteína animal.  Não obstante, alguns especialistas afirmam que o consumo de carne nos EUA diminuirá nas próximas décadas (Natural Resources Defense Council, EUA).

Em sentido contrário, alargando a área de território em análise, o consumo global de carne aumentará acentuadamente no futuro, pois a crescente classe média mundial quer consumir mais proteína animal.

Como forma de consciencializar os consumidores para este problema global, o do consumo excessivo de carne e quanto isso pesa nos ecossistemas, um grupo de investigadores de diferentes áreas, da alimentação, ao ambiente e medicina, criou uma ferramenta online que nos ajuda a compreender como as opções pessoais no que respeita à alimentação têm impacto no planeta.

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A calculadora Meat Blitz começa por solicitar uma quantidade média de consumo de carne por utilizador (aves de capoeira, carne de porco, carne de bovino), para depois perguntar até que ponto estaríamos recetivos a alterar o nosso regime alimentar.

O sistema de medida é apresentado em onças, mas pode fazer a conversão para gramas. Uma onça equivale, aproximadamente, a 23 gramas.

O resultado pode ser assustador, nomeadamente no que respeita à quantidade de antibiótico ingerido e ao número de animais abatidos para satisfazer a nossa alimentação. Com um consumo dentro da média, em dez anos, teremos ingerido, por exemplo, 288 frangos.

Clique na imagem abaixo para aceder à calculadora.

Quantos animais estariam vivos se optasse por uma dieta vegetariana? Esta calculadora ajuda-o a obter a resposta
@The Meat-Calculator

A consciencialização tem de ser global

Atualmente estamos cada vez mais conscientes de que o consumo de grandes quantidades de carne tem um impacto negativo no meio ambiente e no clima. O cultivo de extensas áreas e de pastagens é um fator muito importante neste contexto.

Enquanto os alimentos vegetais podem ser processados ​​e consumidos diretamente, os produtos de carne abrangem processos mais complexos. Antes de um produto animal ser colocado no prato, o animal teve de ser alimentado.

De acordo com o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), cerca de 40% dos cereais produzidos são usados ​​em rações. A eficiência de como os animais convertem cereais em carne varia significativamente.

Nos EUA, o gado bovino é mantido confinado e são necessários sete quilogramas de cereais para produzir um quilograma de carne. No caso da carne de porco, são necessários quatro quilos de cereais para produzir um quilo de carne e no caso das aves de capoeira dois quilos para produzir um quilo.

Consumo de carne e emissões de dióxido de carbono (CO2)

O elevado consumo de carne também tem impacto considerável nas mudanças climáticas. Os campos e as florestas são convertidos em áreas agrícolas ou pastagens e o corte de árvores e a degradação do húmus (cobertura orgânica do solo que resulta da decomposição de animais e plantas mortas) promovem a libertação de CO2 para a atmosfera.

Os próprios animais, sobretudo o gado, também produzem gases nocivos à atmosfera, como o metano. Uma única vaca liberta para a atmosfera mais de 189 litros de metano por dia. Este valor de emissões é prejudicial ao ambiente e equivalente aos gases emitidos por um pequeno veículo quando este percorre 17 700 quilómetros.

Só nos EUA, mais de 25% da área de território utilizável é usada para pastagens e cerca de 20% são terras cultiváveis. Quase 40% das colheitas são usadas para alimentar o gado, tal significa que mais de um terço do território utilizável é usado exclusivamente para produzir carne.

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