No vinho, a colheita, a escolha das castas, a enologia, o cuidado com a viticultura, é tudo. Mas também o storytelling, ou não estivéssemos num século onde a imagem é tudo. Bárbara Monteiro, fundadora da Mainova, sabe tudo isso ou não fosse o seu passado, antes de abraçar o projeto de família no Vimieiro, concelho de Arraiolos, e lhe construir uma marca, ligado precisamente à comunicação.

O local da apresentação onde vamos participar não foi escolhido por acaso. Estamos n' “Avó veio trabalhar”, uma associação, que é uma espécie de hub criativo, mas para mulheres da terceira idade, ou “Avós”, se assim lhe quisermos chamar.

A razão da escolha deste espaço, em Lisboa, para a apresentação da mais recente referência da Mainova tem razão de ser. Falamos de Matremilia, um vinho considerado pelos responsáveis “de excelência” e “um legado de sabedoria: Emília, carinhosamente conhecida como Avó Emília, passava os dias a conduzir um trator e as noites a tecer contos através da arte do tricô. O seu percurso de um século nesta terra conferiu-lhe uma sabedoria única que só uma vida ligada à terra pode oferecer”, diz-nos a Mainova, como forma de apresentar esta novidade.

Trata-se de um Grande Reserva, 100% Alicante Bouschet, colheita de 2020. A responsabilidade deste projeto ficou uma vez mais a cargo de António Maçanita e Sandra Sarria, da Fita Preta, e os enólogos consultores da Mainova, em conjunto com a equipa da casa.

Percebemos que se trata de um lançamento especial pelo quórum reunido: além de Bárbara Monteiro, do marido João e de toda a equipa de enologia da Mainova, está também José Luís Monteiro, patriarca da família, e a dupla de enólogos António Maçanita e Sandra Sarria.

“A minha avó só bebia tinto e quando ia comprar vinho com o meu avô, era ela a provadora não oficial. Ele só comprava se ela dissesse para o fazer”, começa por partilhar Bárbara Monteiro, como forma de introduzir a figura da avó Emília, uma mulher que viveu um século e que faleceu no ano passado, mas que “bebia todos os dias um copo de vinho tinto à refeição”. Será este um dos segredos da sua longevidade? Não sabemos, mas podemos deixar à nossa imaginação.

Antes de chegar à prova do Matremilia, o grupo de convidados é conduzido por outras referências, como o Mainova branco 2022, Milmat branco 2020, Mainova tinto 2020 ou Milmat tinto 2020. Ficamos a par dos anos de vindima, das escolhas feitas, do processo de vinificação. Não é novidade que os verões estão cada vez mais quentes e a Mainova tem optado pela vindima noturna, que este ano teve de começar mais cedo do que o habitual.

E eis que é chegada a hora. As referências à avó Emília estão impressas no próprio rótulo. “Tem alguns detalhes daquilo que caracterizava a minha avó: as mãos no trator ou o colar com três medalhas”, adianta Bárbara Monteiro, enquanto dá detalhes deliciosos de como era a sua avó, e que, até quase ao fim da sua vida continuou a conduzir o trator, mesmo que o peso da idade lhe tenha retirado o direito de conduzir oficialmente. “Este rótulo é um bocadinho daquilo que nos faz lembrar a minha avó”, explica. E lá está a figura feminina que nos remete para as típicas ceifeiras de outros tempos. Afinal, a avó Emília também era de outro tempo.

Pode um Alicante Bouschet ser a base de um vinho homenagem? Pode sim, e o Matremilia é o resultado
créditos: Divulgação

“Já houve um tempo em que pensar em fazer este tipo de vinho [uma homenagem], era fácil. Quanto mais melhor. Mas o desafio é cada vez maior. O Alentejo é um local abençoado, temos castas com potência, mas como conseguimos finesse? O desafio aqui é conseguir esse finesse. É ter mais, sem a sensação que é demais, é potência com contenção, é calor com frescura”, começa por explicar António Maçanita, que assegura que foi preciso “muito tempo e contenção e muitos quase engarrafamentos”, para aquele que é o topo de gama da Mainova, que já totaliza 14 referências, em apenas três anos, chegar ao mercado.

A verdade é que olhamos para um Alicante Bouschet jovem, que tem um grande potencial de longevidade em garrafa. Escrevia Edgardo Pacheco, jornalista do Público/Terroir, por estes dias, que os portugueses têm o péssimo hábito de beber bons vinhos antes do tempo. E este Matremilia, sendo um vinho ainda jovem – afinal estamos a falar de um Grande Reserva de 2020 –, com a complexidade e estrutura características desta casta, tem todas as condições para ser um daqueles vinhos que compramos e deixamos na garrafeira para outras núpcias. Ou como uma vez me disseram numa prova de vinhos “na dúvida, compre duas garrafas: uma para beber agora e outra para guardar. E depois logo vê a diferença”.

Será um vinho que merece, não só pela sua história e por aquilo que quer ser, mas também pela forma como foi feito: as uvas provêm de uma vindima noturna, com escolha manual, enchimento da cuba por gravidade, e, atente no pormenor, fermentação espontânea. Haverá mais vinhos que tenham um estágio em barricas de carvalho francês durante 36 meses, mas poucos serão aqueles de fermentação espontânea.

António Maçanita deixa a dica: “É óbvio que um grande vinho tem de ter potencial de guarda”. E ele, melhor do que ninguém, sabe o que anda a fazer.

O Matremilia já pode ser encontrado no site da Mainova e nos locais habituais, com um PVP de 95€ (garrafa de 0,75 cl) ou 205€ (no formato Magnum – 1,5l). Mas atenção, que se trata de um lote com 1365 garrafas.

De notar que a produção da Mainova é feita em modo de produção biológico e toda a estrutura e produção está assente na lógica da sustentabilidade – da vinha ou olival até ao resultado final, sem esquecer rotulagem e engarrafamento. “Não fazia sentido uma marca nova entrar no mercado e não seguir estes preceitos”, conclui Bárbara Monteiro.

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