Perto de 45 dias de confinamento doméstico, decorrentes do estado de emergência findo a 2 de maio, após duas renovações, obrigaram os portugueses a redefinir hábitos alimentares, face à nova realidade. Para perceber de que forma mais horas em casa, menos atividade física, ansiedade e receio acrescidos, influenciaram as práticas e hábitos alimentares, foram tornados públicos os resultados do estudo multidisciplinar. Um trabalho empreendido durante o mês de abril por equipas da Universidade de Évora, Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril e Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto.

O estudo que decorreu online, ao qual responderam 759 pessoas, maioritariamente do sexo feminino (78%), revela que “o aumento ligeiro do consumo de pão, lacticínios ovos, hortícolas e frutos frescos, leguminosas, foi acompanhado de uma subida mais expressiva no consumo de bolos, bolachas e chocolates, respetivamente com perto de 30%, nas duas primeiras categorias de alimentos e 22,5% para a terceira”, lemos nos dados divulgados.

No mesmo período, “o consumo de cerveja e bebidas brancas diminuiu, assim como a aquisição de pescado e carne fresca, optando os inquiridos pelos congelados e leguminosas em lata”.

Sublinham os investigadores associados ao estudo que “embora 11% dos participantes refiram ter aumentado o consumo de alimentos processados/fast-food, 17% refere a diminuição no consumo dos mesmos”.

Confinamento doméstico, associada essa permanência a uma experiência social nova, com repercussão emocional, levou a que “uma proporção elevada de indivíduos reporta comer para proporcionar uma sensação de prazer, satisfação ou recompensa emocional ou porque se sentem tristes ou frustrados, o que pode explicar o aumento no consumo de bolos, bolachas e chocolates”.

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Revela o mesmo estudo que “se observa um aumento da prática de petiscar entre refeições (25%), acompanhado de uma maior sensação de apetite/vontade de comer (30%)”.

Uma dieta de recompensa que é acompanhada, no painel de participantes, “de um ligeiro aumento em comer para manter uma alimentação equilibrada, ´porque é saudável` ou para se ´manter em forma`”, sumaria o estudo.

O painel de inquiridos, “muitos deles em situação de confinamento total, saindo apenas de casa para fazer compras ou suporte familiar”, revela ter dedicado mais tempo na preparação das refeições (47% do universo em causa), “acompanhada da diminuição do consumo de refeições pré-preparadas/comidas rápidas. Os inquiridos experimentam mais pratos novos e novas receitas, assim como uma maior atenção sobre o desperdício e planeamento das compras”.

Os resultados observam ainda uma maior aquisição de alimentos em negócios de proximidade (37%), acompanhada pela diminuição da aquisição de bens em grandes superfícies (31%), e de uma subida, menos expressiva da realização de compras online (15%).

Cinquenta porcento dos inquiridos reporta comprar alimentos para períodos alargados (superiores a uma semana).

Finalmente, 63% dos voluntários que participaram no estudo indica praticar atividade física, 29% das quais uma a duas vezes por semana e 17%, três a quatro vezes por semana (45 minutos).

De acordo com a equipa envolvida no estudo, “os resultados vão, depois, ser comparados com os resultados da aplicação do questionário em mais de 22 países de diferentes continentes”.

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