Uma torra adequada potencia algumas características da origem do café. Por esse motivo, os cafés da Jamaica (especificamente a variedade Blue Mountain), do Havai (o Kona), do Quénia e da Indonésia (Java) são normalmente sujeitos a torras de menor duração, deixando perdurar características que desapareceriam completamente com o prolongamento do processo. Desde o século XIX que muitas empresas europeias se especializaram na torra de café, com destaque para os torradores portugueses. Ainda hoje, muitos industriais e embaladores estrangeiros de marcas reconhecidamente “gourmet” compram o seu café já torrado em Portugal. Infelizmente, essa passagem – verdadeiramente essencial – do café pelo nosso país não é normalmente referida nas respectivas embalagens.

- Uma torra rápida, de sete ou oito minutos, abre o grão, fá-lo crescer, mas mantém o sabor leve, ácido e terroso. Os cafés com este tipo de torra são os preferidos do mercado americano.

- Dez minutos de torra conferem ao café um pouco mais de doçura, mais corpo e complexidade, bem ao gosto inglês, para um pequeno-almoço com leite.

- Em 13 minutos, o grão apresenta já algum óleo na sua superfície – numa evocação do chocolate, doce, esta torra apresenta um aroma quase condimentado. O mercado “gourmet” apresenta inúmeras variedades de cafés e normalmente elabora até esta fase da torra.

- Em 14 minutos, o grão esfuma, fica completamente caramelizado e começa a carbonizar. Pode ser defeito (e normalmente é), mas também pode ser efeito, já que este gosto mais forte a torrado deixa o café para o fim de boca, como uma surpresa. Só mesmo para apreciadores.

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