Todas as casas guardam uma história e seus protagonistas. Na porta com o número 61 da Rua Alexandre Herculano, em Lisboa, a história é rica em geografias, da Índia, à América do Norte, com capítulo dinamarquês e outros tantos na meridional Lisboa. Como protagonistas nesta história temos Kanan e Vijay Jayachandran que, para além da partilharem as suas vidas, comungam a profissão, ambos são arquitetos. O casal indiano, a par com a dinamarquesa Ida Rosendal, as portuguesas Leonor Freitas e Rita Romão (serviço de mesa) e o sírio Yaser Balaoot (padaria) contam a história com um ano do restaurante Bômau. Surgindo a pergunta, porquê Bômau? Saiba o leitor que “é apenas uma questão de sonoridade”, como nos explica Leonor, anfitriã à mesa instalada na esplanada com 24 lugares frente ao restaurante.

Quando dois arquitetos se rendem à cozinha, o resultado é um Bômau. E é bom
créditos: Bômau

Leonor, formada em serviço social, rendeu-se à gastronomia e apaixonou-se pelo Bômau, casa com uma cozinha que não desmerece a feição internacional do projeto. A Leonor, autodidata no desenho, coube-lhe delinear a personagem em jeito de Mãe-Terra que decora paredes e teto na sala interior do restaurante. Figura traçada a contorno negro, floral e serena que, como sublinha Leonor, “é imagem daquilo que pretende ser o Bômau, um espaço preocupado com a sustentabilidade e desperdício zero”.

Antes de um “mergulho” na carta, a história dos dois empreendedores que apostaram as suas vidas em Lisboa. Kanan e Vijay deixaram a Índia há 25 anos. Rumaram a ensolarada Califórnia para, aí, se estabelecerem como arquitetos. Viveram em São Francisco onde, a par com a arquitetura, desenvolviam outra paixão, a cozinha. No clube de críquete, onde era sócio, Kanan chegava a cozinhar para 60 pessoas. E fazia-o inspirado na sua cultura gastronómica e na do país que o acolhera.

Quando dois arquitetos se rendem à cozinha, o resultado é um Bômau. E é bom
créditos: Bômau

Querem os caminhos do destino tecer destas coisas: a filha do casal de indianos, prosseguiu estudos de design gráfico na Dinamarca. Aí, conheceu um português por quem se apaixonou. Kanan e Vijay viajam até Portugal em 2019. O país encanta-os, do clima, à cultura e à gastronomia - o peixe, particularmente. Em 2020, instalam-se em Portugal e dão forma à sua paixão pela cozinha. Os arquitetos transformam-se em cozinheiros. O espaço em edifício histórico instalado na porta ao lado da Sinagoga de Lisboa, ganha o nome de Bômau. A casa abre em plena pandemia, com o país confinado. A Kanan e Vijay resta-lhes, neste primeiro momento, os serviços em take away e entrega ao domicílio. Laboratório para apurar o momento presente, numa carta onde a palavra de ordem é partilhar.

Bômau
créditos: Bômau

À partilha soma-se o “respeito pelo produto e o seu desperdício, nomeadamente a utilização de talos e folhas para produzir caldos”, como salienta Leonor, enquanto nos apresenta uma carta bem recheada onde não nos escapa a forte feição da cozinha asiática (que o digam os picantes de produção própria, um deles o Carolina Reaper, verdadeiro “fogo”), mas também a presença da mesa do país do Tio Sam, nos sliders, em jeito de pequenos hambúrgueres que se podem pedir à dose (5,00 euros), em dupla (9,00 euros) ou trio (12,00 euros).

Quando dois arquitetos se rendem à cozinha, o resultado é um Bômau. E é bom
créditos: Bômau

Dentro de portas, na cozinha, Kanan e Vijay atarefam-se na preparação de entradas como os Chips de mandioca (3,00 euros), os Peixinhos da Horta (5,00 euros) e os Veggie Fritters (5,00 euros), vegetais da época, que provamos, acompanhados de molho de hortelã e tamarindo.

Também na cozinha está o padeiro Yaser Balaoot, sírio que depois de passagens pela Líbia, Turquia, Grécia, vive há três anos em Portugal. No Bômau, todas as massas passam pelas mãos de Yaser, como é o caso daquelas que dão forma aos Mini-wraps, aqui em três variações, entre elas, o Veggie Fritter  (alface, pickles de vegetais, molho de hortelã e tamarindo), Spicy Chicken Mini-wrap (alface, cebolas maceradas, coco ralado, coentros, molho de hortelã).

Quando dois arquitetos se rendem à cozinha, o resultado é um Bômau. E é bom
créditos: Bômau

Em sorte, cabe-nos um trio de sliders, leia-se hambúrgueres, que inclui Fish Burguer (delicioso, sublinhe-se), Pulled Pork Slider (carne tenríssima e suculenta) e um outro que se tornou um emblema da casa, o Chipotle Mushroom Slider, onde imperam os cogumelos, produto que é de afeição para  Kanan e Vijay. A dupla estabeleceu uma parceria com a Nãm Mushroom Farm, pequeno produtor que cultiva cogumelos a partir de borras de café.

A acompanhar, outro item nos imperdíveis do restaurante, as saladas, ou “bio-saladas”, como as descreve a carta. Há quatro opções, todas a 9,00 euros: Blackbean (mistura de folhas, tomates cherry assados, abacate, vegetais sazonais, vinagrete de lima e coentros, flatbread chips), Quinoa (rúcula, couve-roxa, pepino, alface-roxa, beterrada assada, hummus, queijo feta e fatoush), Vietnamese (alface, couve-branca, cenoura, pepino, amendoim, cebolete, coentros, pickles de malagueta, hortelã, vinagrete de lima e amendoim) e Sazonal.

Bômau
créditos: Bômau

No que toca aos bebíveis, para além dos sumos naturais e dos cocktails, quem se perde por cerveja saiba que a encontra artesanal, da marca Dois Corvos. Se os apetites recaírem sobre o vinho (a copo e garrafa), a viagem é curta, ao Douro e ao Alentejo, embora com três incursões noutros territórios de sabor: espumante, vinho bio e vinho de laranja.

Bômau
créditos: Bômau

E não, não nos esquecemos das sobremesas. O pecado da gula também habita o Bômau. Neste caso a pedir um cafezinho como companhia para o Donut (2,00 euros), para o Lemon Poppyseed Cupcake (2,50 euros) ou para a Cookie (1,50 euros) que pode vir acompanhada de gelado.

Bômau

Rua Alexandre Herculano, nº 61, Lisboa

Horário: de segunda a sexta-feira das 11h00 às 22h30

Contactos: tel. 911 818 358; e-mail vijay@gomokitchen.com

Kanan e Vijay fazem figas para que o confinamento de que nos libertámos em abril de 2021 seja o último. Não obstante, mantém o serviço de take away e delivery, “não vá o diabo tecê-las”, como diz a gíria popular.

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