São cada vez mais os homens que, em vez de passar horas e horas no ginásio, decidem tirar proveito das intervenções cirúrgicas. Definir os peitorais, exibir uns glúteos firmes ou uns braços fortes e musculados são alguns dos desejos masculinos que podem ser resolvidos numa consulta de cirurgia estética, recorrendo, por exemplo, aos implantes. Tratam-se de próteses de silicone coesivo, intramusculares ou submusculares.

Próteses que se colocam nos músculos que o paciente quer salientar, nomeadamente braços, pernas, abdómen, peitorais ou glúteos. Tal como as próteses que são utilizadas nas mulheres para o aumento do peito, são implantados sob anestesia geral. No caso dos homens, contam com uma grande vanta­gem. Beneficiam da experiência prévia dos implantes femininos em cirurgia estética.

Durante anos, as mu­lheres tiveram de se submeter a inúmeras peripécias com as primeiras próteses utilizadas, que deram origem a muitos problemas. Felizmente, a cirurgia esté­tica avançou de uma forma espetacular e os homens beneficiaram de todo esse longo processo de prática clínica das senhoras.

O (possível) perigo de rejeição

Nos dias que correm, já não se fala em rejeição. Podem existir casos em que o implante não é bem tolerado pe­lo paciente, dando lugar a hematomas ou seromas (for­mação de um líquido transparente que se acumula  à volta do implante), ambos problemas tratáveis. Segundo Fátima Baptista Fernandes, especialista em cirurgia plástica, as próteses que se colocam atualmente não causam qual­quer tipo de problema.

Muitas delas são de silicone texturizado, coesi­vo e com superfície de poliuretano, um dos materiais preferidos pelos cirurgiões plásticos para este tipo de intervenções. "Se, passados dois anos de se ter efectuado um implante mamário, observarmos o paciente, podemos constatar que a prótese está com­pletamente incorporada no seu organismo", afiança.

Como se processa a operação?

Tomemos como exemplo uma das cirurgias mais procuradas pelos homens, o aumento de peitorais. Se o ginásio não dá os resultados esperados depois de muitos exercícios para melhorar esta zona muscular, a sala de operações sim, de forma rápida e eficaz. Mas este tipo de prótese muscular requer uma técnica mi­nuciosa e uma avaliação prévia de cada caso em parti­cular, com o objetivo de adequar o resultado final aos desejos do paciente.

Os diferentes momentos da intervenção

Os passos mais importantes neste tipo de operação são vários. Para começar, avalia-se o volume, a projeção, a constituição física ou a qualidade da pele, factores muito importantes a ter em conta quando chega a hora de operar. Depois deste exame inicial, decide-se o tipo de pró­tese e o volume que melhor se adapta aos desejos do paciente.

Uma vez escolhido, o implante é colocado por via axilar e em plano retromuscular. Colocam-se uns drenos, a prótese e, de seguida, su­tura-se a incisão. Depois da cirurgia, o paciente é en­volto numa ligadura compressiva durante as 24 horas seguintes. Todo este procedimento dura aproximadamente uma hora.

O tempo de internamento hospitalar é de 24 horas. No dia seguinte retira-se a ligadura e os drenos, que são trocados por uma faixa especial, para manter a prótese no sítio certo e evitar edemas. 15 dias depois de se ter colocado o implante, reti­ram-se os pontos da sutura axilar.

Os implantes mais complexos

Uma das zonas mais delicadas para implantar pró­teses musculares em homens são as pernas. Neste caso é preciso ser-se muito cauteloso, já que existem várias estruturas vasculares e nervosas que acompa­nham os músculos que se deseja sobressair. Atualmente, este problema está a ser resolvido atra­vés da utilização de outro tipo de implantes subdérmicos muito fáceis de colocar e que não implicam uma agressão cirúrgica grande.

Há, inclusive, alguns com próteses semi-líquidas, colocadas com uma seringa. Tratam-se de substâncias semi-coesivas que se introduzem atra­vés de cânulas, sem ser necessário utilizar anestesia geral. Estas intervenções não deixam cicatrizes e têm uma recuperação muito rápida, já que o implante é colocado acima do músculo. No entanto, em Portugal, este tipo de intervenções ainda não são muito frequentes.

Quem é que não pode ser operado?

Por muito que desejem exibir um corpo musculado, a cirurgia estética não está indicada para alguns ho­mens com algumas patologias prévias. Os pacientes de risco não podem ser operados, ou seja, aqueles que padecem de doenças graves a quem não seja aconse­lhada uma anestesia geral. Nem sequer indivíduos com problemas psicológicos ou psiquiátricos com um grau avançado, mesmo que tenham uma boa saúde física.

Os exames exigidos antes da intervenção

Qualquer paciente que se submeta a uma operação de cirurgia estética para colocar um implante deve fazer alguns exames prévios antes de entrar na sala de operações. Estes exames incluem análise ao sangue, radiografia, eletrocardiograma e conhecimento do historial clínico detalhado do paciente.

Com os resultados, é possível fazer um check-up aos órgãos vitais do homem e avaliar se estão saudáveis, de forma a garantir que não vão surgir complicações durante e depois da intervenção. Uma vez implantada a prótese, recomenda-se um dia de internamento hospitalar para vigiar a evolução do paciente.

Se tudo correr bem, o paciente deve seguir um tratamento farmacológico durante alguns dias com anti-inflamatórios, analgésicos e antibióticos. Também se recomenda repouso nos primeiros dias e visitas pós-operatórias ao cirurgião durante uma semana ou um mês, dependendo de cada paciente, para garantir que não existe perigo de infeções, hemorragias, deslocamentos, contraturas ou de uma possível alergia.

Algo bastante habitual nestas intervenções é o aparecimento de uma ligeira falta de sensibilidade na zona operada, mas trata-se de uma situação transitória, que desaparece ao fim de alguns dias. Passado um mês da cirurgia, pode-se começar a fazer exercício físico progressivamente.

O que dizem os especialistas

A experiência dos especialistas demonstra que são muitos os homens que tornam a passar pela sala de operações para melhorar diferentes partes do corpo. Quando fazem um implante de peitorais e se veem com um tronco esplêndido, são muitos os que depois querem uns glúteos firmes, uns braços fortes ou umas pernas musculadas. E também, porque não, um aparelho genital maior e mais atraente.

Todos estes implantes são colocados um a um, em diferentes intervenções, já que, apesar de poderem ser colocados vários de uma só vez, não é aconselhável traumatizar várias zonas do corpo numa só sessão, uma vez que o pós-operatório pode ser muito doloroso e o paciente precisaria de ajuda constante para se mexer.

Assim, não é recomendável operar braços, pernas, abdómen, peitorais e glúteos de uma vez, porque, para além da dor intensa que o homem teria de suportar, o risco de hemorragias ou possíveis complicações também aumentaria, o que não é de todo conveniente. Em várias partes do mundo, o número de homens que recorre a estes procedimentos estéticos, para melhorar a imagem, tem vindo a aumentar.

Texto: Madalena Alçada Baptista com Fátima Baptista Fernandes (especialista em cirurgia plástica)

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