Luis Onofre fechou o terceiro dia de Portugal Fashion deixando bem claro que “Under the bluest sky on a silky road” foi uma coleção com influência de paragens longínquas inspiradas no Oriente. Na passarelle, sucederam-se os saltos rasos aos saltos extrafinos, assentes em estruturas metálicas que desafiaram a gravidade. Os botins desconstroem-se até ao formato sandália, com os tornozelos enaltecidos pelos pormenores em metal, pele recortada, fechos, atacadores ou cristais Swarovsky. A linha desportiva retoma os ténis e sugere uma descontração urbana e elegante que cruza gerações.

Não é só de sapatos que se faz a coleção de Luis Onofre: em tamanho XL ou micro, as carteiras adaptam-se ao quotidiano e ousam na combinação de materiais ou até mesmo no degradé de cores. Contrastam com o calçado, desconstruindo o eterno mito da combinação. O nude e o pêssego são os tons principais da próxima estação e os materiais dividem-se entre pele, croco, cobra, cetins, camurças, vernizes e borracha metalizada.

Este terceiro dia foi marcado por vários desfiles... Começou por volta das 16h30 com a coleção de Pilas Pastor e Rita Gilman na plataforma Bloom. No âmbito desta mesma plataforma desfilaram também ao longo do dia: Martinho, Catarina Santos, Eduardo Amorim, Teresa Abrunhosa, João Rola, Pedro Neto e Klar.

Júlio Torcato apresentou as suas propostas para a próxima primaver/verão às 17h, sob o tema “17 horas” e inspirou-se nos Cockneys dos anos 70. O termo Cockney, inicialmente aplicado a delinquentes e traficantes, foi alargando a sua influência à classe trabalhadora londrina e ao seu dialeto, ao longo do tempo e foi transmitido através de desenhos e padrões geométricos, em cores neutras como bege, branco, cinza, preto, verde escuro e azul céu, em materiais como algodão, cerâmica, viscose e poliamida com elastano.

Uma hora depois a marca Meam, de Ricardo Preto, incorporou a forma como as alterações climatéricas influenciam o nosso guarda-roupa e a nossa vontade de vestir e comprar. Numa semana de outono com temperaturas de verão, facilmente compreendemos a inspiração do criador e os coordenados que apresentou na Alfândega do Porto. Casacos com vestidos esvoaçantes e leves, coordenados em camadas e as cores quentes, como o vermelho, contrastam com tons frios, como o cinzento, rosa pálido e preto, transmitindo como a instabilidade do clima acaba por fundir as diferentes estações. Consciente destas alterações, Ricardo Preto procurou também adoptar a mentalidade de uma moda ecológica e alterar um pouco as matérias utilizadas, ao introduzir os polyesters e ao tentar tingir as sedas e o algodão com tintas vegetais menos poluentes.

Os Hamptons foram o mote para a coleção de primavera/verão 2015 da Vicri, que desfilou às 19h na Alfândega do Porto. Esta zona balnear de luxo, situada a 200km de Nova Iorque, é refúgio exclusivo dos mais abastados, quer para férias, quer para segunda habitação. É possível imaginar que a ostentação seja o ponto forte neste local tão privado e seletivo onde o bom gosto também impera. As cores oscilam entre tonalidades pastel de rosa, laranja, verde amarelo e azul e uma seleção de tonalidades mais profundas e marcantes de azul meia-noite, marinho e lilás.

Já passava das 20h quando Katty Xiomara nos apresentou "Wire Frame". Presença assídua no Portugal Fashion desde 1996, Katty apresentou uma colecção com um misto de retrospeção e futurismo, partindo do ponto forte da sua colecção de inverno: a desconstrução de padrões geométricos. Formas orgânicas resultam da perda de rigidez das linhas e os blocos de cor dão origem a cores e pontos que se entrelaçam em padrões mais fluídos e naturais. A paleta de cores escolhida pela criadora são suaves, mas intensas: tendo o branco como uma constante, vai evoluindo de tons como o azul marinho e avermelhados fortes, para os tons pastel, com os quais Xiomara termina o desfile. Tal como as cores, as silhuetas vão evoluindo à medida que os coordenados surgem na passerelle, de peças estruturadas a uma fluidez dos modelos, e têm em vista uma mulher prática e urbana. Está também presente uma feminilidade reforçada por saias de comprimento abaixo do joelho, calças capri e por peças cintadas que dão ênfase à cintura.

Uma hora e meia depois Diogo Miranda descontroi formas e silhuetas e torna isto no ponto de partida para a colecção primavera/verão. O criador deixou-se influenciar pela década de 70 e pelo vestuário masculino utilizado nos safaris e propõe um look super feminino e muita sofisticação. Os tons areia, juntamente com o azul marinho, preto e branco, constituem as principais cores da colecção e remetem-nos para o deserto. Por sua vez, as silhuetas cintadas e os drapeados sugerem a  imagem de tendas, ao mesmo tempo reforçam a feminilidade das formas. As peças estruturadas, os ombros largos e a aplicação de bolsos contrastam com a fluidez das saias, camisas, calças e dos elegantes vestidos compridos, nos quais culmina a descontrução do look masculino.

Com um colorido elegante e requintado, a Lion of Porches propôs um preppy sofisticado, com elementos característicos da marca e detalhes originais. O estilo britânico voltou a ser reinventado para a temporada primavera/verão 2015. Os tons de azul (azul céu, denim, royal) e off-white, harmoniosamente misturados com o amarelo, laranja, verde e rosa, dão origem a um colorido fresco, inesperado e original. Riscas coloridas, estampados florais, micro jacquards, denims, linhos e sedas estão em evidência nesta estação, podendo ser misturados de várias formas graças à versatilidade da coleção.

O evento prolonga-se até ao dia 25 de outubro, no Porto, e nesta edição contará com vários locais diferentes para os desfiles. Ao todo, estão previstos 33 desfiles (individuais e coletivos), 12 deles na passerelle dedicada a jovens designers e escolas de moda: o Bloom. No cômputo geral, o 35.º Portugal Fashion reúne 27 criadores (jovens e consagrados), 11 marcas de vestuário, seis marcas de calçado e quatro escolas de moda.

Veja agora o dossier da 35ª edição do Portugal Fashion com atualização diária de todos os desfiles.

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