Se ouvir o nome Louis Vuitton é provável que lhe venha à cabeça algumas das malas mais icónicas da marca, como é o caso dos modelos Speedy (1930) ou Neverfull (2007), ou algumas das colaborações especiais lançadas por Marc Jacobs, responsável por revolucionar e modernizar a maison durante os 17 anos em que assumiu a direção criativa (1997-2014).

Mas a história da Louis Vuitton – cujas coleções femininas e masculinas atualmente são da responsabilidade de Nicholas Ghesquière e Virgil Abloh - vai muito mais além das famosas malas de mão, peças de roupa e alta joalharia. É preciso recuar 200 anos para traçar a origem daquele que foi o primeiro grande ícone da marca: os baús de viagem idealizados por Louis Vuitton. No dia em que se assinalam 200 anos do seu nascimento, damos-lhe a conhecer cinco factos sobre o empresário francês e a criação da icónica maison.

1. O nascimento de um artesão

Com apenas 13 anos, Louis Vuitton abandonou a aldeia francesa Anchay em busca de uma vida melhor e em 1837 chegou a Paris onde conseguiu o seu primeiro emprego como embalador. Romain Maréchal foi uma figura fundamental na trajetória profissional do jovem, pois foi com ele que aprendeu toda a técnica de construção dos famosos baús e caixas de viagem adquiridos na época por membros da elite.

Os 17 anos em que trabalhou como aprendiz no atelier de Maréchal permitiram-lhe que, em 1854, se lançasse em nome próprio e abrisse a sua primeira loja. A Maison Louis Vuitton Malletier abriu portas no número 4 da Rue Neuve-des-Capucines em Paris, sendo que anos mais tarde viria a mudar-se para uma nova localização: 1 Rue Scribe.

2. A revolução dos baús de viagem

Ao fundar a sua própria maison, Louis Vuitton veio revolucionar o mundo dos baús e parafernália de viagem existentes na altura: o seu primeiro lançamento foram os baús retangulares de tampa plana, em lona à prova de água e com acabamentos em cobre.

De acordo com o site oficial da marca, outra das grandes invenções da marca foi um “sistema de fechos com duas fivelas de mola” implementado nos seus baús e mais tarde em outros acessórios. Idealizado em 1886 juntamente com o seu filho, Georges, isto permitiu que os clientes pudessem viajar com os seus pertences em segurança durante as suas deslocações independentemente do meio de transporte utilizado. O sucesso foi tão grande que, em 1859, teve de abrir uma oficina em Asnières-sur-Seine para conseguir responder a todos os pedidos.

3. A criação do famoso monograma e as primeiras contrafações

O famoso monograma da marca francesa, reconhecido em todo o mundo, só chegou ao mercado em 1896. O icónico LV foi idealizado por Georges Vuitton – que na época assumiu o controlo da maison - como forma de homenagear o progenitor que falecera uns anos antes. Uma curiosidade é que os primeiros baús da marca foram confecionados numa tela cinzenta, o Trianon Grey, e desde o século XIX que a Louis Vuitton é alvo de imitações e contrafações.

“Primeiramente Louis Vuitton imaginou uma tela às riscas com o fundo vermelho e depois uma tela às riscas com o fundo bege que foram imediatamente copiadas.  E assim teve a necessidade de criar novamente, em 1888, esta tela, a Damier, que foi copiada mais uma vez. Louis morre em 1892 e é o seu filho, Georges, que inova e que vai criar o monograma atual utilizando as iniciais do pai. É a primeira vez que um produto industrial manufaturado utiliza assim as iniciais”, referiu Patrick Thierry de Longevialle, diretor do Museu Louis Vuitton, no programa Visites Privées do canal francês France 2 em 2017.

4. A clientela de luxo

Desde os seus primórdios que a Louis Vuitton se posicionou como uma marca de luxo, tornando-se a preferida da elite francesa e não só. Para além de ter sido nomeado embalador pessoal da Imperatriz Eugenie de Montijo, Louis Vuitton teve ainda na sua lista de clientes os Duques de Windsor, os exploradores Pierre Savorgnan de Brazza e Marquis de Morès ou as estrelas de cinema Catherine Deneuve e Greta Garbo. Para a atriz sueca a marca produziu uma mala personalizada criada para transportar em segurança o seu calçado durante as viagens.

“[A mala] Tinha estes separadores que permitiam que os sapatos não se riscassem. Dava para mais de 20 pares”, referiu Marie Wurry, responsável pelas coleções da marca, sobre este modelo criado especialmente para a estrela de Hollywood na reportagem da France 2 intitulada “Les Ateliers de Louis Vuitton”.

5. A produção sob encomenda e o serviço de personalização

De acordo com site oficial da marca, desde 1859 que a oficina de Asnières-sur-Seine é um dos locais mais importantes na história da marca, sendo ali que os desejos e necessidades dos seus clientes têm sido materializados ao longo dos anos: baú cama, baú porta-quadros e baú biblioteca foram alguns deles. Em pleno século XXI, é neste local que os artesãos da maison continuam a executar centenas de encomendas especiais, respeitando sempre o savoir-faire da marca e onde "nenhum sonho é demasiado grande, nenhum objeto demasiado complexo."

“A extravagância está no objeto a transportar. Podem ser vasos extraordinários, televisões, um homem de negócios que vai pedir para fazer uma mala com um compartimento secreto para transportar fotografias ou certos documentos. O extraordinário está na natureza do objeto que vai ser transportado”, explica o falecido Patrick Louis Vuitton, diretor dos comandos especiais, durante o programa Visites Privées transmitido em 2017.

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