A 46ª edição do Portugal Fashion arrancou hoje na Alfândega do Porto, mas o que devia ter sido um dia recheado de muitas tendências e fashionistas, ficou-se apenas por alguns desfiles cancelados e passerelles vazias devido ao coronavírus. Mas mesmo assim, isso não foi impedimento para que a edição se concretiza-se à porta fechada.

O dia começou cedo e esteve destinado aos designers presentes da plataforma BLOOM. Maria Meira foi a primeira designer a abrir a passerelle. Na coleção ‘Ligths and Shadows’ é possível observar as sombras e as formas que o corpo desenha numa superfície quando este se interpõe entre ele a luz.  Na paleta de cores predominam o amarelo, o preto e o branco.

Seguiu-se Unflower uma marca slow-fashion portuguesa que tem como objetivo associar a estética da arte ao vestuário, em peças que falam por si. Para esta coleção os designers inspiraram-se na história de Lucian Freud e Celia Paul, com peças que alternam entre sarjas e pele, sobrepostas a malhas justas e estruturadas, remendadas com pespontos e costuras sobrepostas, assim como cetins que denunciam a fragilidade e o envolvimento amoroso.

Rita Sá apresentou ‘Still Sun’, uma coleção que teve como inspiração as crianças e os sorrisos captados em Luanda. Com forte influência no universo desportivo, a coleção aborda diferentes referências de vestuário ao explorar o contraste de materiais, cor e acabamentos, peças divididas entre o direito e também o avesso.  Na paleta destacam-se as cores quentes como o amarelo e o laranja.

Já a tarde ia a meio quando 0.9 Vírus apresentou ‘Dissemination’, uma coleção inspirada na água. As peças apresentam formas e silhuetas distintas, o que torna as peças mais descontraídas e juvenis. Os materiais utilizados são orgânicos e recicláveis como a felpa, sarja e o denim.

João Sousa dividiu a passerelle com 0.9 Vírus onde apresentou a coleção ‘Bellamira’, uma representação da luta entre o claro e o escuro presente no mote “depois da chuva vem sempre o sol”, uma homenagem à sua avó Belmira. As manipulações das peças e as assimetrias simbolizam estes obstáculos e refletem os vários problemas de saúde da sua avó. Os materiais tem inspiração nos tecidos usados pela avó do designer para fazer as roupas da sua mãe.

Os últimos desfiles da tarde ficaram a cargo de Carolina Sobral e ARIEIV. Carolina apresentou ‘Shift’ uma coleção funcional e prática, de forma a criar um guarda-roupa completo para uma mulher atual, sofisticada e contemporânea. Composta por linhas clássicas, casuais e versáteis, nesta coleção destacam-se cores como o bege, verde, preto e ainda apontamentos de azul e amarelo.

ARIEIV apresentou uma coleção inspirada na vertente urbana, artística e minimalista, que criam peças de roupa que transpiram identidade e irreverência com um estilo trash couture e comercial. ‘Ensayo 21’ aposta no uso de materiais, técnicas e inspirações mais definidas.

A noite começa com a coleção ‘Overload’ de Susana Bettencourt, que mostra através do knitwear como todos os pedaços se juntam e dão origem a formas rijas de uma estrutura pesada e de universos completamente opostos. ‘Overload’ é uma forma de combater a produção em massa e tóxica do fast fashion salientado o uso de desperdícios têxteis nas malhas desenvolvidas pela designer.

David Catalán teve como ponto de partida o guarda-roupa dos adeptos das várias equipas de futebol inglesas com as suas marcas icónicas. O designer criou assim uma atitude descontraída com um espírito retro mas ao mesmo tempo contemporânea, utilizando materiais inovadores e adaptados às necessidades do consumidor atual. A coleção tem como objetivo ser jovem, irreverente e divertida.

Logo a seguir era a vez de Inês Torcato apresentar a sua nova coleção para a próxima estação, mas infelizmente a designer acabou por cancelar o desfile devido à situação em que o país se encontra.

Maria Gambina encerrou o primeiro dia de PT Fashion com a coleção ‘Searching for the perfect MG’. O bomber jacket, o trucker o duflle coat e o trench reinterpretam-se e desconstroem-se, dando destaque aos detalhes utilizados no interior das peças. A paleta de cores varia entre o preto, o azul marinho e o camel, com apontamentos de branco, laranja e azul royal. Esta é uma coleção que reforça a identidade da marca, divertida, gráfica, urbana e muito criativa.

O primeiro dia chega assim ao fim, mas amanhã mais designers sobem à passerelle para mostrar as suas tendências para a próxima estação. Não deixe de ir acompanhando tudo o que se passa nesta 46ª edição aqui!

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