O poderoso Conselho de Estilistas de Moda dos Estados Unidos (CFDA), que diz representar mais de 500 estilistas e fazer da diversidade o seu grito de guerra, anunciou no mês passado que a marca No Sesso de Pierre Davis faria "história" esta segunda-feira, na abertura da Semana da Moda, que começou com um desfile de looks fantásticos.

A Semana de Moda começou focada nos homens e mudará na quinta-feira para a moda feminina.

Davis, mulher trans que nasceu com características físicas masculinas, disse ao CFDA que espera que a marca "vá inspirar as pessoas a ter uma mente mais comunitária e a descobrir que nem tudo é estética ou comércio. Trata-se também de humanidade".

A estilista disse também que é importante que "as pessoas de todas as identidades intersecionais tenham a oportunidade de lutar independentemente da sua identidade. O terreno não está nivelado no mundo, e isso é mais difícil na moda".

Davis abraça a bandeira trans, mas não quer que seja uma armadilha e diz que é importante que as pessoas vejam as criações e que estas sejam reconhecidas.

A model walks the runway at the 'No Sesso' Chapter 2 runaway show during New York Fashion Week on February 4, 2019 in New York City. (Photo by Johannes EISELE / AFP)
créditos: Johannes EISELE / AFP

"Só quero mostrar o meu trabalho", diz sobre a marca No Sesso, lançada em 2015 e que, segundo o CFDA, inclui fãs como as artistas de R&B Kelela e Erykah Badu.

"Sinto-me feliz e humilde por ter chegado à Semana da Moda", disse Davis.

Para exibir o capítulo 2 da sua coleção - classificando de capítulos as temporadas -, Davis teve a ideia de uma grande paleta onde se misturam os atributos clássicos dos dois sexos.

Os coletes pretos transformaram-se em saias, os vestidos de noite mudaram e tudo é desfilado com autoconfiança por mulheres e homens, altos e magros.

A model walks the runway at the 'No Sesso' Chapter 2 runaway show during New York Fashion Week on February 4, 2019 in New York City. (Photo by Johannes EISELE / AFP)
créditos: Johannes EISELE / AFP

Os looks misturaram o formalismo da roupa de trabalho com peças desportivas, como num casaco de corrida com ombreiras.

A crescente presença trans na Semana da Moda é mais um passo de um movimento que começou em 2017 para reconhecer corpos alternativos além das tradicionais silhuetas magras.

"O desfile foi inspirado pela roupa de trabalho e evoca o espírito Glamazon sem importar o género", disse Davis ao CFDA.

A ideia é fazer com que as coisas aconteçam mesmo "quando parece não existir um caminho".

A model walks the runway at the 'No Sesso' Chapter 2 runaway show during New York Fashion Week on February 4, 2019 in New York City. (Photo by Johannes EISELE / AFP)
créditos: Johannes EISELE / AFP

Por vários anos que os modelos trans tiveram participações regulares na Semana da Moda de Nova Iorque, e em setembro de 2017 o desfile da Calvin Klein contou com um modelo trans de 16 anos.

Em setembro do ano passado, Marco Marco, outro estilista de Los Angeles foi além, trazendo exclusivamente modelos trans.

Com o seu primeiro desfile em Nova Iorque, Davis disse que todos "podem ver No Sesso e o mundo que estamos a criar".

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