A influência de peças low cost levou os consumidores a desenvolverem comportamentos típicos da fast fashion, ou seja, um sentimento de compra compulsiva motivada pelo preço, mas, em contrapartida, um desprendimento e desvalorização da peça pela facilidade com que a podem substituir. O cérebro fica preguiçoso pois não é obrigada a ponderar os benefícios da compra.

Assim, o consumidor descontrola-se e compra demasiadas peças sem critério, sem função e sem finalidade específica. O que parece ser positivo, traduz-se num guarda-roupa povoado de milhentas peças com pouca capacidade de coordenação, repetidas e por experimentar (o que é pior). O desnorte é total, no momento de coordenar o look de trabalho.

Como identificar se a peça é digna de ser trazida para o nosso guarda-roupa?

Confira as 6 questões chave que deve colocar antes de uma compra

1. Já tenho uma peça com uma cor igual em casa?

Qual a mais-valia de uma peça com uma cor semelhante à que temos em casa? Nenhuma, pressuponho. Mais uma blusa branca, apesar desta ter os botões dourados ou ter um laço, é uma repetição desnecessária.

Apostar numa grande diversidade de cores e trabalhar a sua harmoniosa coordenação com outra cores, são apostas extremamente importantes que contribuem, de forma direta, para um elevado nível de satisfação do nosso guarda-roupa.

O nosso chip deve ser reprogramado para optarmos por cores o mais variadas possível e que nos permitam fazer coordenações cromáticas inesperadas e adaptadas ao nosso contexto pessoal e profissional. É preciso é saber se estamos perante a cor certa. Aqui levanta-se uma nova questão? O que é que esta cor faz pelo meu rosto? Se a cor, junto ao rosto, o/a vai iluminar e rejuvenescer, estamos perante uma cor certa, se, pelo contrário, sobressair olheiras/manchas e envelhecer, é uma cor a descartar.

Exercício:

Com este exercício, vai ficar a perceber, de forma explícita, o poder que as cores têm no seu rosto. Coloque-se em frente a um espelho, num local bem luminoso que permita que a luz direta, ilumine o seu rosto. Faça o teste sem maquilhagem. As cores que evidenciam olheiras e coupe de rose, são para excluir das que ficam perto do rosto. Em caso de ter peças com esta cor, não as deite fora, complemente-as com um cachecol, que dê ua volta ao pesco cor uma cor que o beneficie. Essa é a que vai ficar perto do seu rosto.

2. Quantas peças semelhantes tenho?

É muito usual verificar como os consumidores compram de forma sistemática peças muito semelhantes, como calças de ganga, por exemplo. Questiono-as frequentemente se alguém alguma vez notará que um par tem uma lavagem mais forte, um par uma lavagem mais esbatida, outro um pormenor nos bolsos... Convenço-as de que nem mesmo o nosso cérebro nota essas pequenas variâncias. Para os que convivem diariamente connosco e para o nosso cérebro, o nosso look é composto de forma quase invariável por calças de ganga. Resultado: a insatisfação e a sensação de usarmos sempre a mesma peça torna-se inultrapassável. Sentimo-nos cansado/as, frustrado/as, sem energia, desorientado/as, com a auto estima abalada e sem energia anímica para continuar a criar uma boa imagem profissional

3. A relação qualidade preço é proporcional?

A partir do momento em que ingressamos no mercado de trabalho, é importante dedicarmos um tempo da nossa seleção de peças de roupa e questionarmo-nos se a peça tem qualidade que justifique a compra. Muito motivados pela onda fast fashion, deixamo-nos influenciar pelos baixos preços praticados pelas multinacionais internacionais, e compramos por impulso, sem pensarmos que a peça low cost é cara para a qualidade que apresenta e pela baixa esperança média de vida que não queremos aceitar. O ideal é adotar um novo estilo de vida motivado pela slow fashion, onde se valoriza peças intemporais, com qualidade e sustentáveis a nível ambiental.

4. Esta peça é transversal ao contexto pessoal e profissional?

Esta questão deve fazer parte da nossa rotina de compras. Ter dois guarda-roupas diferenciados pode ter custos insuportáveis. Garanto, que a moda se democratizou de tal forma, que neste momento, é possível usar o fato de trabalho, as camisas, as saias e casacos clássicos com umas sapatilhas. Seja inteligente e faça compras inteligentes.

5. Preciso mesmo dela?

Se duvidar, pare. A inteligência vestimentar também passa por saber comprar de forma inteligente e comedida. Se não reconhecer um propósito útil, é porque provavelmente se está a deixar levar pelo impulso. Seja mais forte e racional.

6. É uma peça intemporal?

Raramente as peças intemporais são reconhecidas como tal. O que é na verdade, uma peça intemporal? Uma peça intemporal é uma peça que reúne condições para se perpetuar no tempo combatendo tendências. As suas caraterísticas residem:

- Na cor. Se analisar as várias temporadas que ficaram ara trás, vai aferir que existem cores que, apesar das variações apresentadas a cada estação, pelo Pantone, assumirão um papel vitalício na paleta de cores de cada estação: verde-garrafa, bordeaux, azul meia-noite, preto, branco, bege… Assim sendo, peças com estas cores ou tons já têm uma das caraterísticas que as inclui nesta categoria.

- No tecido. Há tecidos cujas caraterísticas indiciam, desde logo, que se vão estragar com facilidade. Um truque está em aproximar a peça, o máximo possível de uma luz branca. Para muitos, este é o teste que revela que a peça vai ganhar borboto ou puxar fios com facilidade.

- No corte. Peças oversized ou peças assimétricas ou muito recortadas marcam tendências. No entanto, os cortes mais clássicos nunca sairão de moda e, por esse motivo, devem ser escolhidos no ato de compra, sobretudo se o seu valor for preponderante.

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