Anda a sonhar com um lifting, uma depilação a laser ou com umas simples injeções de botox para melhor a sua imagem e sentir-se melhor na sua pele? Os procedimentos estéticos podem ser um investimento caro e pode não estar preparado para os pagar só de uma vez. O recurso ao crédito será, por isso, uma boa solução para quem quer fazer qualquer correção estética ou simplesmente tratamentos de manutenção. No entanto, é fundamental que estude bem as suas opções e que tenha a noção de que tem de pagar o dinheiro de volta ao banco ou instituição financeira e com juros.

Regra geral, as cirurgias plásticas ou outros tratamentos de beleza não são procedimentos urgentes. Por isso, tem tempo de sobra para escolher o melhor negócio para si. E é esse tempo para estudar as várias propostas que vai fazer a diferença. Pedir um empréstimo, especialmente de crédito ao consumo, implica ponderar bem as suas necessidades e as obrigações que vai assumir. Calcule a sua taxa de esforço, para não ultrapassar o limite ideal de 35 por cento, de maneira a que não gaste mensalmente mais de 35 por cento do seu rendimento a pagar dívidas.

Acima de tudo, não se deixe levar por promessas de facilidade e aprovações imediatas, que podem esconder taxas muito elevadas. Veja, de seguida, todos os fatores que deve ter em linha de conta antes de tomar uma decisão que, apesar de melhorar a sua autoestima, pode comprometer as suas finanças.

Saber ler nas entrelinhas

A sigla mais importante para avaliar qualquer pedido de crédito é a TAEG (Taxa Anual Efectiva Global), que representa o real custo do dinheiro que está a pedir. Não se deixe levar por taxas promocionais e pergunte sempre pela TAEG. Depois faça as contas para verificar se os valores batem certo. Esta taxa inclui os juros a pagar e as despesas de cobrança, bem como eventuais impostos, selo, comissões e seguros. Atente também nas comissões que tem de pagar caso pretenda fazer uma amortização do montante em dívida antes do fim do prazo e escolha as mais baratas.

Onde pedir informação?

A Caixa Geral de Depósitos e várias sociedades financeiras oferecem produtos de crédito especialmente orientados para beleza e os restantes bancos também disponibilizam empréstimos para consumo pessoal, em que se enquadram estes procedimentos estéticos. Por outro lado, as próprias clínicas têm por vezes acordos com instituições de crédito e podem ser um bom ponto de acesso à informação, mas não se fique só por aí.

Isabel Angelino, enquanto diretora do gabinete de comunicação da Clínica Milénio, em Lisboa, referiu à Ultimate Beauty que a sua clínica não tem acordo com nenhuma instituição de crédito. No entanto, «quando solicitado pela doente, aconselhamos uma de confiança», acrescenta ainda. Ou então as clientes recorrem aos seus bancos. Isabel Angelino sublinha ainda que «as doentes recorrem muito pouco ao crédito, somando, no total, apenas oito por cento dos casos». Em Portugal, apesar de já terem existido entidades especializadas em crédito com redes de parceiros alargadas, a oferta foi reduzida nos últimos anos.

Procure bem

Muitas vezes, o melhor local para procurar o financiamento é o banco com que trabalha habitualmente. Esses vínculos costumam baixar os valores a pagar. Se tiver produtos financeiros no banco que não queira desmobilizar, como acções ou depósitos a prazo, pode usá-los como garantia de empréstimo, o que vai permitir baixar a taxa. Uma outra hipótese a ser negociada com o banco é a apresentação de fiadores. Mas não se fique por aí. Vá a outros bancos e peça propostas. Depois, leia o contrato com muita atenção antes de o assinar e guarde uma cópia.

Veja na página seguinte: Qual o melhor crédito?

Qual o melhor crédito?

Imagine que anda desanimada com umas gordurinhas que resistem ao exercício e quer fazer uma lipoaspiração. Esse é um bom ponto de referência, já que, apesar de não haver estatísticas sobre estas matérias em Portugal, a lipoaspiração é um dos procedimentos mais realizados. Com um preço médio de dois mil euros para duas áreas (culote e ancas, por exemplo) e um preço que pode variar entre os dois mil e os quatro mil euros para uma vibrolipoaspiração, pedimos anonimamente a vários bancos orçamentos para esses valores.

Apesar de não haver parâmetros exactamente iguais em todas as instituições, não se esqueça de atentar na TAEG, é o dado mais importante. O BPI, no primeiro trimestre de 2009, apresentava o valor mais baixo para esta taxa, igual para qualquer montante e prazo de pagamento. Anote que muitos destes créditos estão disponíveis para operações mais complexas, mas também para tratamentos simples, como as injeções de botox, variando também os montantes disponíveis. Para cirurgias mais complexas, a Caixa Geral de Depósitos, por exemplo, disponibilizava, na mesma altura, um empréstimo até 11 anos, com a possibilidade de recorrer a uma hipoteca ou ao penhor de produtos financeiros.

Um caso real

Maria da Conceição Santos andava a pensar num lifting. Quer dizer, não andava propriamente a pensar num lifting, mas sim na sua auto-imagem que andava a fugir das bonitas fotografias que tinha na sala de estar para o espelho, que lhe respondia com um ar mais cansado e gasto todos os dias. A sua idade interior não condizia com as rugas já profundas que marcavam a sua cara. Andou um ano a pensar nisso, entre decidir dar o passo e avançar efectivamente com o processo.

Por isso, teve tempo para fazer uma boa pesquisa antes de contrair um crédito. Algo que é fundamental nos pedidos de empréstimo e que pode fazer toda a diferença nas mensalidades. Acabou por pedir o crédito de dois mil euros ao banco com que costuma trabalhar, a Caixa Geral de Depósitos, por lhe oferecer melhores condições na altura. «É claro que fica mais caro do que pagar a pronto, mas sentimos de uma maneira mais suave», confessa, satisfeita também com a suavidade recuperada das suas feições.

Texto: Joana Andrade

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