Neste contexto, a investigação científica tem vindo a estudar a importância dos animais de companhia para o desenvolvimento do ser humano, em particular para a aquisição de competências cognitivas, emocionais e sociais durante a infância.

Para as famílias que se encontram em processo de tomada de decisão relativo à adoção de um animal, as evidências de estudos científicos que se seguem podem facilitar este processo e, simultaneamente, responder à questão: Por que são os animais importantes para as crianças?

No que diz respeito ao domínio cognitivo, os animais são um estímulo atrativo que suscita a atenção e a comunicação verbal das crianças. Paralelamente, a aceitação incondicional dos animais funciona como um reforço positivo para a aprendizagem e, por isso, os animais tendem a facilitar a aquisição da linguagem. Ao longo do desenvolvimento da criança, os animais vão potenciando a evolução das habilidades verbais e a riqueza do vocabulário. Neste sentido, a inclusão dos animais nas brincadeiras promove também o desenvolvimento da capacidade de resolução de problemas, criatividade, planeamento e auto-controlo – competências importantes para um bom desempenho escolar.

No domínio emocional, enquanto fonte de segurança e proteção, os animais contribuem para que as crianças desenvolvam estratégias de regulação das emoções, imagens positivas acerca de si próprias e a uma autoestima, tendencialmente, mais elevada. Particularmente, no contexto de conflitos familiares, as crianças procuram a interação com os animais para sentir algum conforto e tranquilidade. Vários estudos demonstram que em situação de relação disfuncional com os progenitores, se as crianças forem capazes de estabelecer relações de segurança com os animais, têm maior possibilidade, no futuro, de desenvolverem relações saudáveis com outras pessoas. Este fenómeno deve-se, em parte, ao facto de um animal de companhia reunir várias das características de uma figura parental ideal, como por exemplo, o amor incondicional, a dedicação, o conforto, a segurança, a atenção e a lealdade.

Neste sentido, os animais propiciam a aquisição de competências de socialização nas crianças, dada a maior capacidade de comunicação, sensibilidade social, confiança interpessoal e consequente tendência a círculos sociais positivos. Ou seja, a existência de animais de companhia durante a infância possibilita o desenvolvimento de futuros adultos socialmente mais competentes.

Para além disto, os animais facilitam a aquisição de conhecimentos e competências importantes para a vida. Tome-se como exemplo o conhecimento de experiências como o nascimento, a morte e a sexualidade, bem como a aquisição de competências como a responsabilidade, o pensamento moral, a autonomia, a empatia e a preocupação com outros seres vivos. O contacto com os animais de companhia transmite também conhecimentos como o respeito por um cão mais velho e a vivência saudável em grupo, fomentando o espírito e colaboração dentro da família para promover o bem-estar orgânico de todos (comer, tomar banho, escovar, passear).

A presença de animais de companhia na infância apresenta, assim, um efeito protetor perante possíveis alterações ou perturbações durante a própria infância (por exemplo, ansiedade de separação), na adolescência (por exemplo, ansiedade social) e, mais tarde, na vida adulta (por exemplo, depressão).

É importante recordar que a adoção de um animal de companhia, mais do que um ato de amor, é um ato de responsabilidade e compromisso. Esta é uma tomada de decisão que deve ser ponderada e discutida no seio familiar. É imprescindível que sejam considerados os seguintes fatores, designadamente:

  1. Disponibilidade emocional: Estou disposto(a) a comprometer-me a amar, cuidar e proteger um animal?
  2. Disponibilidade financeira: Disponho dos recursos financeiros fundamentais para alimentação, vacinação e cuidados médicos considerados básicos?
  3. Disponibilidade temporal: Tenho tempo necessário para os passeios higiénicos, banhos e brincadeiras?
  4. Disponibilidade espacial: A minha casa tem espaço e condições suficientes para o animal que pretendo adotar?

Estas questões devem ser analisadas em função das especificidades do animal de companhia a adotar, nomeadamente a raça e as características de temperamento que lhe estão associadas. Por exemplo, pode não ser benéfico manter um cão como um Pastor Belga Malinois, que se caracteriza por níveis elevados de energia, num apartamento de pequenas dimensões, se o tutor tiver pouca disponibilidade para os passeios diários exigidos por este animal.

As explicações são de Mauro Paulino, Sofia Gabriel e Lina Raimundo da MIND – Psicologia Clínica e Forense, e de Pedro Paiva, especialista em comportamento canino e fundador da Pet B Havior.

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