Gabriela é a primeira criança transgénero com autorização para usar uniforme feminino na Colômbia. Um direito conquistado aos 17 anos e pelo qual se sente satisfeita. É uma vitória para a sua personalidade, escreve o El País.

Nela já existe pouco de menino. Toda a sua rompa é de menina. No cartão de identificação ainda não tem o nome pelo qual é tratada. Mas assim que atingir a maioridade vai passar a ser oficialmente Gabriela Espinosa. Mas se legalmente esse processo demorar, não vai abdicar de fazer a transição física: quando completar 18 anos vai começar a tomar hormonas para que as suas formas se tornem mais femininas.

"Aos 12 anos confessei à minha mãe que gostava de meninos. No início foi difícil para ela, porque eu também sofria de bullying na escola onde estudava em Ricaurte, mas a minha mãe apoiou-me sempre", conta a adolescente.

 

Apesar da idade, Gabriela ainda está no nono ano de uma escola privada de Bolívar. Chumbou três anos por problemas diversos no seu percurso de vida. Sonha em seguir para a universidade e estudar Design de Moda. "É o meu sonho, é o que mais anseio na vida, adoro vestidos e adoro estudar. Ser uma grande desenhadora de moda é o que mais quero e tenho a certeza que vou conseguir", revela a jovem.

Gabriela é uma adolescente como todas as outras. Gosta de ouvir música, sobretudo pop romântico. Também dança salsa e merengue. Gosta de desenhos animados, falar com os amigos online, publicar selfies e fotos onde marca os colegas para lhes agradecer a amizade. "Também gosto de sair com as minhas amigas. Juntamo-nos para fazer penteados, pintar as unhas, maquilhar-nos e ir à piscina", exemplifica.

Ainda que nem todos os professores, estudantes e encarregados de educação da Instituição Educativa Manuel Dolores Mondragón estejam de acordo com a presença da estudante transgénero no colégio, respeitam-na. E para isso tem contribuído a cooperação interinstitucional nesta cidade colombiana.

Sandra Trujillo Clavijo é socióloga no Hospital Sana Ana de Bolívar e acompanha o caso de Gabriela. "Em junho ela foi remetida para uma valoração psicológica, porque manifestou vontade em usar uniforme feminino. Começámos com a aplicação de uma prova psicológica chamada sistema de pedra roseta. Com este teste percebemos que Gabriela está de facto presa num corpo masculino. Biologicamente é um homem, mas emocionalmente é uma mulher", comenta a socióloga.

Depois de um longo trabalho de preparação junto da família, a instituição educativa, juntamente com o aval do hospital local e com a aprovação da Comissária Nacional de Família, autorizaram que Gabriela se vestisse como se sente: uma adolescente do sexo feminino.

Em Portugal, as crianças e adolescentes transexuais vão poder escolher, para usar na escola, o nome com que se identificam, independentemente da mudança no Registo Civil só poder ser feita a partir dos 16 anos. A medida faz parte da iniciativa legislativa do atual Governo de alteração à Lei de Identidade de Género, levada a cabo pelo gabinete do ministro-Adjunto, Eduardo Cabrita.