Em declarações à agência Lusa, o coordenador do “PISA para as escolas no Municípios” Gonçalo Xufre adiantou que o projeto foi lançado em 05 de dezembro e vai arrancar na primavera de 2020 em 103 escolas do país.

“Na primavera de 2020 vão ser aplicados os primeiros testes nas escolas dos municípios que aderiram ao projeto e os primeiros relatórios para as escolas sairão no último trimestre do próximo ano. A partir daí iniciar-se-á o desenho e a aplicação de estratégias de redes de aprendizagem local com base na informação recebida”, disse.

De acordo com Gonçalo Xufre, os municípios vão dinamizar junto das suas escolas as estratégias de aprendizagem para a melhoria do seu desempenho relativamente às competências dos alunos.

“O projeto tem uma primeira fase de operacionalização dos testes e uma segunda fase que tem a ver com estas estratégias de aprendizagem e dinamização destas redes locais”, disse.

O responsável salientou que o objetivo não é fazer comparações para eventuais listas ou rankings, mas, com base na informação qualitativa e quantitativa, desenvolver estratégias para melhorar o que estiver a ser feito.

“No final do próximo ano os resultados poderão ser apresentados. Ficaremos a saber como é que as escolas se posicionam relativamente a estas competências, como é que compara os resultados que Portugal teve no PISA 2018”, disse.

Segundo o professor, a informação fica na posse das escolas, dos municípios e das comunidades intermunicipais, que ficam a saber se os alunos da sua região estão ou não preparados.

Gonçalo Xufre sublinhou que o “PISA para as escolas nos Municípios” é diferente do PISA global - é direcionado para as escolas.

O PISA (Programme for International Students Assessment) traduz-se num relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), elaborado de três em três anos, que mede o desempenho dos alunos de 15 anos em diversas competências.

As competências analisadas no estudo são leitura, matemática e ciências, avaliando-se ainda outras questões como as capacidades para mobilizar esses conhecimentos na resolução de problemas do dia-a-dia nas sociedades contemporâneas, o ambiente escolar e as condições de equidade na aprendizagem.

Em declarações à Lusa, Gonçalo Xufre indicou que o PISA global “tira uma foto para o país, mas a informação não é suficientemente discriminativa para chegar às escolas”.

“Ao não chegar às escolas não se consegue perceber qual é o nível de atuação que pode ter numa escala intermédia a nível territorial, se pode ajudar a fazer a diferença na necessidade de capacitação por parte das escolas”, referiu.

O PISA global, segundo o professor, é um instrumento que existe desde 2000.

“As amostras são sobre o país e não podem ser reportadas às escolas. Então desde 2012 que a OCDE começou a desenhar um instrumento que se chama ‘PISA para as escolas’, que aplica exatamente a mesma estrutura com o mesmo enquadramento. Os itens são desenvolvidos da mesma forma, mas não são idênticos e permitem tirar uma fotografia às escolas”, disse.

A edição do PISA 2018, tornada pública na semana passada, avaliou pela terceira vez a literacia de leitura como domínio principal.

Segundo o relatório, os alunos portugueses estão ligeiramente acima da média da OCDE nas competências de leitura, matemática e ciências, ainda que neste último domínio tenham piorado resultados face à avaliação de 2015.

O relatório aponta Portugal como uma das únicas sete economias - entre 79 analisadas - onde, ao longo da sua participação no PISA, os resultados foram consistentemente de progresso nos três domínios.

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