Pais em variadíssimas culturas envolvem os seus filhotes em swaddles há milhares de anos. E com bom motivo. A prática de swadlling faz milagres para tranquilizar os bebés, ajudando os pequenos a dormir melhor e durante mais tempo.

O Swaddling funciona. Ponto Final.

Se o seu objetivo é ajudar o seu bebé a dormir mais tranquilamente, a eficácia desta técnica é indiscutível. Inúmeros estudos científicos demonstram que bebés que dormem nestas envoltas acordam menos vezes, dormem mais e choram menos.

Um outro efeito indireto da prática que merece nota é que a prática de swaddling está correlacionada com menor ansiedade maternal e maior satisfação parental. Está até recomendada pela Associação Americana de Pediatria (AAP) para reduzir os casos de síndroma de bebé sacudido.

Atrevo-me a dizer que pais felizes e bem descansados tendem a estar mais satisfeitos no seu papel de cuidadores (e francamente menos propensos a abanar os seus bebés).

Pode argumentar-se que envolver os bebés funciona porque imita o sentimento de conforto e contenção que o bebé sentia na barriga da mãe, o que transmite uma sensação tranquilizadora de segurança. Uma explicação mais científica é que envolver firmemente os bebés inibe o Reflexo de Moro, um instinto inato em recém-nascidos desencadeado por um susto, barulho ou movimento brusco. Este reflexo manifesta-se nos bebés levantarem os braços em resposta a estímulos ambientais, o que frequentemente os leva a acordarem sobressaltados.

Riscos do Swaddling

Caso não tenha ficado claro até agora, quero avisar que sou uma entusiasta da prática de swaddling, o que me pode eventualmente enviesar no sentido de enaltecer os benefícios da técnica. Contudo, farei os possíveis para apresentar uma visão equilibrada do tópico.

Os críticos do swaddling afirmam que pode interferir com o despertar de tal forma que pode não ser natural e, por isso, desejável.

Outros levantam preocupações de que esta prática pode aumentar o risco de displasia da anca, sobreaquecimento e no limite morte súbita. Assustador, eu sei. Parece que em tudo o que diz respeito a bebés, navegamos entre o falecimento iminente e a felicidade total.

Por último, algumas pessoas simplesmente não se sentem confortáveis com a ideia de restringirem os movimentos dos bebés com envoltas, o que é uma posição completamente legítima. Não há soluções perfeitas para todos os pais.

Qual era o risco de morte súbita?

No início dos anos 2000, alguns estudos assustadores e indevidamente citados sugeriam que a prática de swaddling podia aumentar o risco de síndrome de morte súbita do lactente (SMSL). No entanto, esse risco apresentava-se APENAS em bebés envolvidos que eram deitados de barriga para baixo.

Sabemos há muitos anos que deitar os bebés de barriga para cima é de longe a melhor forma de prevenir a morte súbita.

Em 1994, foi lançada nos Estados Unidos uma famosa campanha chamada “back to sleep” (de costas para dormir), baseada na inequívoca recomendação da AAP que os bebés pequeninos devem dormir exclusivamente de barriga para cima. Esta iniciativa de consciencialização dos pais foi muito bem-sucedida e resultou na diminuição drástica (em mais de 50%) da incidência de SMSL.

Alguns defensores do swaddling insistem que a prática pode até reduzir o risco de morte súbita pois encoraja os bebés a manterem-se deitados de costas durante toda a noite. No entanto, não existem dados claros que suportem este argumento.

Quais são então os factos?

  • Bebés com menos de 12 meses devem ser sempre deitados de costas, estejam ou não enrolados em envoltas.
  • A prática de swaddling deve ser terminada até aos 6 meses de idade ou assim que os bebés se começarem a virar de costas para a barriga.
  • As envoltas (swaddles) devem ficar bem justas à volta dos braços e peito mas soltas na bacia e pernas para prevenir a displasia da anca. Os bebés devem ter liberdade de movimento nas pernas para as dobrarem para cima e para os lados na sua posição natural.
  • Os bebés devem estar vestidos adequadamente debaixo da envolta, consoante a temperatura do quarto. Veja este guia sobre como vestir o seu bebé para dormir.
  • A técnica de swaddling é utilizada em cuidados neonatais para controlar dor e ritmo cardíaco durante pequenos procedimentos.

Os meus 2 centavos

Quando o meu filho mais velho nasceu, utilizei panos tradicionais de swaddling e tive imensa dificuldade em acertar na técnica. O meu bebé Houdini parecia sempre conseguir encontrar uma forma de se soltar. Não só o efeito de promoção de sono ficava diminuindo, como também eu passava a noite aterrorizada que ele se soltasse e acabasse com panos a cobrir-lhe a cara.

Com tempo e prática suficiente, acabei por me tornar uma profissional do swaddling, e posso assegurar que qualquer pessoa é capaz de o fazer. Afinal, não é preciso um doutoramento para fazer um bebé burrito e há dezenas de tutoriais que ensinam como fazer.

Se não quiser aprender e antiga arte de envolver um bebé, ou dispensa as noites em claro a vigiar o seu bebé adormecido para que não se solte, hoje pode escolher entre várias opções de swaddles prontas-a-vestir. Como por exemplo estas que são confortáveis, práticas e feitas com algodão 100% orgânico.

Conclusão

A prática de swaddling é óptima para promover o sono e perfeitamente segura, quando devidamente aplicada.

Pessoalmente, posso dizer-vos que swaddling e babywearing (muito para dizer sobre isto noutro dia) me salvaram a vida e ajudaram a ter uma experiência maravilhosa nos primeiros meses em que me estava a adaptar à nova realidade da maternidade.

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