Num contexto social de transmissão ativa do vírus, falar de segurança na ida à escola ou à creche é olhar para esta questão de forma bastante redutora. Inseguros do risco de contágio estamos todos, quando vamos ao supermercado, quando vamos à farmácia, quando atestamos os nossos carros na bomba de combustível.

Se a escola é segura? Não mais do que qualquer outro local público. Por isso, nada como abordar a questão por partes:

  1. Quais são os sintomas da doença na idade pediátrica?

Habitualmente os sintomas desenvolvem-se numa janela de 2 a 14 dias após o contágio (em média 6 dias), sendo que habitualmente as crianças apresentarão febre e tosse.

No entanto, há uma enorme constelação de sinais e sintomas possíveis, desde a fadiga, dor de cabeça e mialgias, passando para a congestão nasal, perda olfativa, dor de garganta e dificuldade respiratória, sem esquecer os sintomas gastrointestinais de dor abdominal, diarreia, náuseas e vómitos.

  1. As crianças têm risco de doença grave por infeção a SARS-CoV-2?

Não. As crianças, quando comparadas com os adultos, têm 20 vezes menor risco de serem hospitalizadas. Como tal, globalmente, o risco de doença grave numa criança previamente saudável é praticamente nulo. Não nos podemos esquecer, que ao contrário da gripe, que tem uma maior gravidade nos doentes asmáticos, no caso do SARS-C0V-2, essa associação não está comprovada (neste momento, já sabemos que não parece ser um fator de risco considerável).

  1. As crianças são mais infecciosas do que os adultos?

Os estudos existentes são bastante contraditórios, no entanto o peso da evidencia científica parece apontar para que as crianças sejam menos infecciosas que os adultos. Isto não quer dizer que não possa existir contágio entre crianças no contexto escolar.

  1. É possível distinguir clinicamente a COVID-19 de um síndrome gripal ou de uma bronquiolite numa criança pequena, sem recorrer a um teste específico?

É impossível distinguir clinicamente a COVID-19 de um síndrome gripal. A única pista que poderemos ter é a existência ou não de um contacto próximo comprovadamente infetado. Todos os casos com necessidade absoluta de confirmação diagnóstica exigem um teste confirmatório, que implica a colheita de secreções da naso e orofaringe com recurso a uma zaragatoa (cotonete gigante).

  1. Como saber orientar os casos suspeitos ou confirmados de infeção?

Os pais podem contactar o seu médico assistente, mas, no contexto pandémico, é importante uniformizar as decisões clínicas, daí a importância do SNS24. Através do acesso telefónico, serão tomadas resoluções clínicas baseadas em algoritmos testados. É comprovadamente melhor do que seguir apenas e só o bom senso de cada um.

  1. O que é que as escolas estão a fazer?

Cada escola está a adaptar as diretrizes da Direção-Geral da Saúde e Direção-Geral de Educação à sua realidade, tendo em conta a população escolar, recursos humanos e instalações. Isto leva a que cada escola disponha do seu regulamento.

Quando identificada uma criança sintomática, terão que ser contactados os encarregados de educação e o SNS24. Daí sairão orientações específicas.

O facto da escola requerer uma informação escrita do médico assistente que comprove que a criança não tem infeção a SARS-CoV-2, obviamente que obriga a realização de um teste diagnóstico, já que não existem sinais clínicos específicos da doença. No entanto, reserva-se às famílias o direito de, em alternativa, proporem o cumprimento de um período de isolamento de 14 dias, obviando assim esta necessidade.

  1. Isolamento: para quem e durante quanto tempo?

O isolamento é necessário para os casos realmente suspeitos (validados pelos algoritmos de decisão do SNS24) não testados ou casos confirmados de infeção para o SARS-CoV-2. O período de isolamento estipulado são 14 dias. A decisão de realização de zaragatoas confirmatórias do fim da infeção (resultados negativos) cabe às autoridades de saúde, no entanto, é frequente que os casos positivos mantenham a excreção de partículas virais para além dos 14 dias, tornando frequentemente o isolamento mais prolongado.

Um artigo da médica pediatra Joana Martins.

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