A Hepatite A do ponto vista clínico tem 3 fases: a primeira fase designada como prodrómica ou pré-ictérica dura habitualmente 3 a 10 dias.

Os sintomas são muito inespecíficos. Parece uma "pseudogripe" com manifestações de cansaço, dores musculares, febre e algumas manifestações digestivas como e falta de apetite importante, náuseas, vómitos , dor abdominal e diarreia. Podem surgir alterações na cor da urina "colúria - cor vinho do porto" que precedem em 2 a 3 dias o aparecimento da icterícia (coloração amarelada da pele), que caracteriza a 2º fase.

A segunda fase, a fase ictérica, na maioria dos doentes não complicados, dura 1 ou 2 semanas, mas pode ser mais breve.

A icterícia tem uma intensidade muito variável, na maioria das vezes é apenas perceptível.  Identifica-se geralmente nos locais da pele menos pigmentada - parte anterior do tronco, superfície de flexão das extremidades e nas escleróticas (zona branca do olho).

Nesta fase a intensidade da colúria aumenta e surgem fezes de coloração esbranquiçada (acolia), mas que retomam a cor habitual rapidamente.

Nesta fase o aparecimento da icterícia coincide com a diminuição progressiva dos sintomas da fase anterior (fase prodrómica). A persistência ou agravamento das manifestações prodrómicas alertam para a possibilidade de uma insuficiência hepática/ hepatite fulminante, situação muito grave que pode requerer um transplante hepático.

A prevalência de falência hepática aguda é inferior a 1/1000 casos.

A doença também pode complicar-se com alterações noutros órgãos, nomeadamente funcionamento deficiente da medula óssea que pára e deixa de produzir as células do sangue (aplasia medular) quadros neurológicos e pulmonares, mas que são extremamente raros.

A terceira fase, ou a fase de convalescência, caracteriza-se pelo desaparecimento dos sintomas prévios. A duração deste período depende da gravidade da hepatite e da idade da criança, sendo mais prolongada nas crianças mais velhas.

Pode durar de 1 a 3 meses e com uma taxa de recaídas próximas de 2 a 20%. Sabe-se no entanto que não evolui para a cronicidade nem para o estado de portador crónico.

A fase de contágio corresponde à fase de eliminação do vírus pelas fezes, que surge uma semana depois do contágio e que dura duas semanas desde o início da icterícia.

O diagnóstico de hepatite aguda deve diferenciar-se de outras doenças que possam causar sintomas semelhantes na fase prodrómica, uma vez que se assemelha a uma infecção vírica inespecífica e aí o pedido de analises sanguíneas, nomeadamente as enzimas hepáticas "transaminases" – são imprescindíveis para o diagnóstico.

Nas hepatites agudas os valores são superiores a 10 vezes o valor normal. Por isso, quando a história clínica orienta para um possível contágio e os valores das transaminases estão muito elevados o diagnóstico está efetuado. Para a confirmação do tipo de vírus, no caso da Hepatite A a determinação da IgM anti VHA é a forma de eleição para o diagnóstico.

Do ponto vista clínico nas crianças, na sua maioria o diagnóstico não é efetuado porque apresentam uma forma sem o aparecimento de icterícia ou seja silenciosa, o que faz com que possa passar totalmente despercebida.

Por isso é extremamente importante a identificação e notificação de novos casos de hepatite A para identificar os contactos que serão potenciais doentes e proceder às medidas de prevenção para evitar desenvolvimento de surtos.

As explicações são da médica Filipa Santos, pediatra no Centro da Criança e do Adolescente do Hospital CUF Descobertas.

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