Pediatras, neurologistas, psicólogos e investigadores diversos defendem que a música contribui para o desenvolvimento da criança a diferentes níveis. É no ventre materno que a criança começa a captar e a assimilar as vozes e as conversas no exterior. Nos primeiros tempos de vida, já retém e imita sons, aprendendo a coordenar os movimentos com a respiração.

São vários os estudos que comprovam que o recém-nascido tem um grande número de competências sensoriais e de processamento de informação, a partir das quais se estabelece a sua interação e comunicação com o mundo.

Quem o garante é Helena Rodrigues, especialista em psicologia da música. No Laboratório de Música e Comunicação na Infância, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa, são realizadas sessões musicais dirigidas a crianças e adultos, com o objetivo de proporcionar, através da música, a descoberta das emoções e das relações entre pais e filhos.

“Este tipo de atividades podem ser muito enriquecedoras em termos de aquisições musicais propriamente ditas, mas também em termos de estabelecimento das relações entre os adultos ou os pais e os bebés ou as crianças pequenas, porque há toda uma interação e uma ênfase no aspeto do brincar, que é muito importante”, esclarece a também professora do Departamento de Ciências Musicais da mesma instituição.

Crescer com música

As sessões de orientação musical incluem “linguagens musicais diversas e atividades a partir das quais se explora o som, o corpo, o espaço e o tempo, e se desenvolve o vocabulário e o pensamento musical da criança.”

O objetivo é proporcionar um ambiente adequado para o desenvolvimento da criança, atrativo e potenciador para o universo infantil. “Aqui, todos querem fazer parte de uma espécie de tribo”, explica a psicóloga clínica, acrescentando que a música, quando feita em conjunto, tem um efeito nos mais novos, de chamar a participar nas interações uns com os outros, juntamente com os adultos. “Os próprios pais desfrutam de uma atmosfera relaxada, no contexto de uma dinâmica de grupo. A partir da altura em que o pai ou a mãe se sentem bem, isso repercute-se no bebé”, explica Helena Rodrigues.

Com a música, as crianças são estimuladas a escutar e a vocalizar sons, mas também se desenvolvem em termos motores, no sentido de uma melhor consciência corporal e rítmica. Há diferentes formas de integrar os bebés nas atividades relacionadas com a música, independentemente da sua etapa de crescimento. Nos primeiros tempos de vida começam a vocalizar sons no colo dos pais. Dos nove aos doze meses, o corpo já se movimenta e dança, reagindo à voz cantada e aos instrumentos. Entre os dois e os três anos, despoleta a espontaneidade e a capacidade de a criança reproduzir tudo o que ouve. Como é costume ouvir, as crianças são umas “pequenas esponjas”.

Texto: Ana Margarida Marques

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