Quintino Aires encontrou finalmente "um tempinho para comentar as notícias" que informam que foi afastado da TVI depois dos seus polémicos comentários no Extra do 'Big Brother' da última terça-feira.

O psicólogo quebrou o silêncio e reacendeu a polémica afirmando que voltaria a repetir todas as suas declarações.

"1.º gostaria de recordar que os comentários de terça-feira à noite fora sobre imagens de domingo. Quer isto dizer que tive dois dias para refletir cada palavra. E hoje, passados mais dois dias, diria exatamente o mesmo", defende.

"As questões sobre a saúde de todos nós são demasiado sérias. E o esforço dos profissionais de saúde não pode ser menosprezado, nem eles difamados nem mal interpretados por alguém que não entende o que está a dizer, sem que depois haja um esclarecimento. Os concorrentes não têm obrigação de saber, mas se dizem coisas erradas e graves, depois é importante esclarecer", continua, referindo-se aos seus comentários sobre o facto de Bruno d'Almeida, concorrente do 'BB', se ter mostrado indignado por ter sido impedido de dar sangue por razões relacionadas com a sua orientação sexual.

"Ser homossexual não significa que me identifique com as atitudes de outros homossexuais. Somos todos muito diferentes uns dos outros. Aos 18 anos, nos complexos anos 80, os meus pais disseram-me que só ficariam tristes se eu tivesse vergonha de mim. E com isso, tornaram-me num homem livre", afirma.

"Nunca senti necessidade de me incluir em ghettos, como o que chamam 'comunidade gay'. Não me autoexcluo, porque me considero equivalente a qualquer pessoa. [...] Assim como não tenho vergonha, também não tenho orgulho. Ser homossexual não me torna nem menos, mas também nem mais, do que qualquer outra pessoa".

Quintino acredita ter sim "o direito de sentir vergonha" das imagens que vê. "Tenho direito! E também o direito de o dizer. Não o faço por rotina. Mas quando me contratam para comentar fenómenos sociais e comportamento, é próprio que o diga", atira.

Ainda sobre a noite de terça-feira e o uso da palavra bicha para se referir ao concorrente Bruno d'Almeida, o psicólogo esclarece: "Usar a palavra 'bicha' em 2021 em Portugal, só é entendido como ofensivo por alguém com limitação cognitiva ou séria perturbação da personalidade. Eventualmente, apenas para fazer birra".

Por fim, a aguardada reação ao facto de ter sido afastado do painel de comentadores do reality show.

"Relativamente ao meu afastamento da TVI, estação que contribui à sua construção durante 24 anos, ainda no tempo em que era apenas um barracão, antigo armazém industrial, é evidente que nada teve a ver com esta terça-feira. Quando na primavera do ano passado eu saí, tomei a decisão porque não me deixavam ir a antena. Tenho para mim, mas apenas uma suposição, que as minhas duras críticas ao senhor ministro Eduardo Cabrita, num momento em que o Governo dá três milhões à TVI, possa estar relacionado. Mas isso sou apenas eu a pensar", começa por dizer.

Quintino culpa a direção do canal pela decisão e 'livra' Cristina Ferreira, diretora de ficção e entretenimento da TVI, de qualquer responsabilidade.

"Com o regresso da Cristina quis dar o benefício da dúvida. Mas resolvi dizer-lhe em fevereiro que me vinha embora. Estava tudo igual. Em agosto chamaram-me para ajudar nas audiências do 'Amor Acontece'. Voltei e fui ficando. E ontem os twitteiros foram usados para a administração mostrar à Cristina quem manda na TVI. Triste administração, que se esconde como ratos".

A TVI lançou um comunicado na manhã de quarta-feira, ainda antes de revelar que Quintino Aires seria afastado do canal, onde explicou não se rever nos comentários feitos pelo psicólogo.

Eis abaixo a publicação completa:

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