Pedro Lima morreu a 20 de junho de 2020, aos 49 anos, num ato de suicídio. Um ano depois da trágica perda, a viúva, Anna Westerlund, deu a primeira entrevista em televisão.

A ceramista abriu o coração a Manuel Luís Goucha para falar sobre o estado de alma do companheiro, começando por referir que a pandemia culminou na "tempestade perfeita".

"Entrou numa depressão galopante, violenta e rápida. Ele não teve noção da gravidade da depressão que ele tinha no sentido de ter sido rápida", afirmou.

"Ele era um homem feliz, com sombras, certamente, com inseguranças. Acho que os atores são pessoas frágeis por natureza. Acho que é importante dizer que a pessoa não escolhe ficar deprimida", continuou.

"As palavras têm muita força, eu digo que o Pedro morreu de suicídio. Suicídio é a consequência de uma doença mental. [...] Quando falamos de cancro, sabemos do que falamos. Quando falamos de depressão é mais complexo, não há prevenção"

Questionada se o "legado do marido" foi abrir debate sobre a saúde mental, Anna acredita que sim. "Quebrou um bocadinho o olhar [sobre a doença]. Ele morreu de suicídio. Estava doente".

O luto

Anna garante que nunca se "zangou" com o marido. Com ajuda psiquiátrica, tentou entender a doença mental de forma racional.

"Amo-o de tal forma que não há espaço para zanga. Há uma compreensão racional sobre o que aconteceu. Não querendo entrar em polémicas, a depressão trata-se de várias formas, nomeadamente com medicação, e no caso do Pedro a medicação piorou o cenário".

"Agarrei-me a este lado racional para olhar para [a depressão] como uma doença. Talvez isso me tenha ajudado", frisou.

A união com os filhos

"Temos uns filhos heróis", frisou ao falar da união da família. "São corajosos, são fruto de um pai espetacular. Quando dei a notícia a cada um deles individualmente, a preocupação imediata deles foi comigo. A preocupação deles foi: 'Mãe, como vais viver sem o pai?' Aquele momento deu-me uma força que não sei explicar, só pode vir deste amor que construímos com solidez", contou.

"A morte do Pedro foi trágica, foi uma surpresa e a forma como foi ainda está associada a tabu e vergonha. Em casa nunca houve espaço para vergonha, houve espaço para perceber. O pai está de tal forma estruturado neles que ninguém lhes tira isto. Não há nada, nem a forma como o Pedro partiu, que ponha em causa o quanto gostava deles", realçou.

Anna Westerlund frisou, por fim, que esforça-se para que a morte de Pedro Lima "não seja traumatizante" para os filhos e que, em casa, todos os dias falam nele.

Da união de Pedro Lima e Anna Westerlund nasceram Ema, Mia, Max e Clara. O ator era ainda pai de João Francisco, que nasceu do relacionamento com Patrícia Piloto.

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Se estiver a sofrer com alguma doença mental, tiver pensamentos auto-destrutivos ou simplesmente necessitar de falar com alguém, deverá consultar um psiquiatra, psicólogo ou clínico geral. Poderá ainda contactar uma destas entidades:

SOS Voz Amiga (entre as 16h e as 24h) - 213 544 545

Conversa Amiga (entre as 15h e as 22h) - 808 237 327 (Número gratuito) e 210 027 159

SOS Estudante (entre as 20h e a 1h) - 239 484 020

Telefone da Esperança (entre as 20h e as 23h) - 222 080 707

Telefone da Amizade (entre as 16h e as 23h) – 228 323 535

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