Nasceu em Galveias, uma aldeia perdida no Alto Alentejo. Foi lá que viveu até aos 18 anos, altura em que rumou à capital para ingressar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Depois de concluir a licenciatura em línguas e literaturas modernas, na variante de estudos ingleses e alemães, abraçou o ensino. Foi professor em várias escolas portuguesas e também lecionou na Cidade da Praia, no arquipélago de Cabo Verde, um dos muitos países que já visitou.

Há quase duas décadas, em 2001, dedicou-se profissionalmente à escrita e, a partir daí, nunca mais parou. Hoje, é um dos maiores e mais bem-sucedidos escritores portugueses da atualidade, continua a ser um apaixonado por viagens e também não resiste a uma experiência radical. "Já saltei de paraquedas, já fiz bungee jumping... Tenho já uma carteira de experiências grande", revelou ao Modern Life/SAPO Lifestyle, após um passeio de balão de ar quente que sobrevoou a lezíria ribatejana.

Foi o segundo que fez. "Sim, já tinha andado, mas fora de Portugal. Na Turquia, na região da Capadócia, que tem uma paisagem muito particular, mas acho que aqui acabou por ser mais intenso por ser uma paisagem familiar mas vista de outra forma. Na verdade, acho que já tinha esquecido um pouco. Corremos o risco de, com o tempo, nos esquecermos um pouco esta sensação. Agora está tudo muito vivo. Mas, realmente, há coisas que fazer uma vez não é suficiente", garante o escritor.

"A segunda vez já é uma nova experiência", considera o autor de livros como "Morreste-me" e "Dentro do segredo - Uma viagem na Coreia do Norte". "Ainda estou meio sem palavras. É uma experiência de grandiosidade, uma coisa que nos tira do quotidiano, muda-nos a perspetiva de como o vemos. Parece que o próprio quotidiano muda. Foi um dia fantástico, tivemos muita sorte [com o tempo]. A perspetiva de passarmos sobre estas quintas é muito marcante", desabafa José Luís Peixoto.

"Estou com muita vontade de trazer os meus filhos e de partilhar isto com outras pessoas", admitiu o escritor minutos após ter descido do balão de ar quente numa viagem histórica que fez a convite da Rádio Renascença e que pode vir a servir de inspiração para um livro futuro. "Não sei. Há um romance de que gosto bastante que começa com uma cena num balão", confessa o escritor, referindo-se a "O fardo do amor", do Ian Mcewan, publicado em Portugal pela editora Gradiva, em 1997.

"É muito específico, hoje em dia, acontecer alguma coisa num balão, mas pode acontecer, como vimos agora mesmo. É uma forma de transporte, se é que se pode dizer assim, muito particular. É uma espécie de flutuar no ar. É como um barco no céu. É realmente especial", elogia. Impedido de viajar durante o surto que impôs recolhimento social ao mundo, José Luís Peixoto, autor de um site que apresenta viagens para ler, aproveitou as últimas semanas para fazer oficinas de poesia online.

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