Com o passar do tempo, a mudança surge como uma necessidade e com esta o desejo de renovação, de atualização. Foi o que sentiram os proprietários de um andar em Lisboa, com uma varanda virada a sul com cerca de 55 m2 de área. De estilo rústico, desde o pavimento em tijoleira, aos vasos em terracota e à vegetação os proprietários, juntamente com a arquiteta Rita Vaz Freire, responsável pela remodelação dos interiores do apartamento, pretendiam agora um espaço mais moderno.

E também mais claro e minimalista, diminuindo os encargos com a manutenção a nível da vegetação e dos materiais utilizados. Este projeto de remodelação surge, assim, como uma resposta às referidas necessidades e resultou de um diálogo constante entre os projetistas e os clientes. Trata-se de uma varanda muito comprida e relativamente estreita que percorre várias divisões da casa, com abrangência nas extremidades dos quartos, na zona central as salas de estar e de jantar.

Aproveitou-se, então, a disposição da casa para destacar a parte central e mais larga da varanda que se manteve como zona de refeições da família. Saiba o que foi feito:

- Ambiente mais organizado

As primeiras intervenções passaram pela pintura das paredes e do próprio teto em tons claros, a eliminação dos vasos em barro, e a colocação de deck em madeira compósito sobre o pavimento existente. Com estas intervenções a varanda ficou desde logo mais confortável e com um design mais moderno. Em relação à disposição da vegetação, a principal intenção foi a de criar em cada recorte da varanda e, em frente a cada janela, zonas verdes que cobrissem os muros e servissem de paisagem para o interior do apartamento.

A concentração da vegetação nesses locais, teve como objetivo proporcionar um ambiente mais organizado, que permitisse uma leitura mais simples/clean do que a previamente existente. Para decorar a área central, que é mais larga e com os muros mais altos optou-se por floreiras em chapa galvanizada. No limite das salas de estar e de jantar colocaram-se também duas floreiras de modo a enquadrar a zona de refeições, e uma outra cuja vegetação encobriria a antena parabólica.

A cor escolhida para as floreiras foi um tom de castanho que conjugasse bem com a cor do deck e das madeiras já existentes na varanda, na pérgola e nas treliças. Com isso, pretendeu-se esbater a diferença entre o deck e as floreiras de modo a criar a sensação de que a vegetação emerge do próprio pavimento. Essa foi uma das preocupações estéticas que norteou a elaboração do projecto de reconversão daquele espaço.

Veja na página seguinte: A vegetação usada para um resultado mais simétrico

- Vegetação simétrica

Com a localização das floreiras definida, a escolha e disposição da vegetação teve como base as condições edafo-climáticas de cada canteiro/floreira, o estilo moderno e sofisticado pretendido para a varanda e o desejo dos proprietários em diminuir para o mínimo a manutenção, mantendo boa apresentação durante todas as estações do ano e ter em certas zonas plantas aromáticas e flores. A vegetação encontra-se disposta simetricamente em relação ao centro do espaço.

As plantas aromáticas, como é o caso da trepadeira Trachelospermum jasminoides (jasmim-estrelado), da Lavandula dentata «Americana» (alfazema) e do Rosmarinus officinalis «Prostratus» (alecrim-rasteiro). No que se refere às plantas de flor, a escolha recaiu sobre as Petunia (petúnia) e as Impatiens «New Guinea» (Impatiens-nova-guiné), que se encontram mais expostas ao sol e definem as áreas de estadia e contemplação em frente aos quartos.

Para a zona de refeições optou-se por vegetação que se mantém sempre verde todo o ano, que remete para o minimalismo e cujo porte permite cobrir os muros altos envolventes, como é o caso de Phyllostachys bissetii (bambu) e Raphis excelsa (palmeira-ráfis). Nas floreiras situadas ao lado das janelas da casa optou-se por Phoenix roebelenii, palmeiras de crescimento muito lento que transmitem uma certa frescura e enquadram o local de refeição.

E, na floreira, cujo objetivo é esconder a antena parabólica, optou-se por uma sebe de Eugenia myrtifolia (eugénia), arbusto de folha persistente e rápido crescimento, suscetível de ser podado. Uma rega eficiente é determinante para uma manutenção eficaz e permite o crescimento equilibrado da vegetação. Para tal foi instalado um sistema automático gota a gota a partir de uma torneira existente na varanda.

O mobiliário escolhido pela arquiteta Rita Vaz Freire enquadra-se no ambiente e reforça as várias utilizações do espaço, resultando assim uma varanda muito sofisticada e requintada onde apetece estar. Veja também um projeto de decoração da autoria do designer de exteriores João Marim e uma solução original para varandas com pouco espaço.

Textos: Maria Sacramento Monteiro (arquiteta paisagista) e Tiago Veloso (engenheiro florestal)

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