"Eu não posso acreditar nisto!", disse Alice. "Não pode?", disse a Rainha com pena. "Tente de novo: respire profundamente, e feche os seus olhos." Alice riu. "Não tem qualquer sentido tentar", disse ela:"não se pode acreditar em coisas impossíveis." "Eu ouso dizer que você não tem muita prática", disse a Rainha. "Quando eu era da sua idade, sempre praticava meia hora por dia. Algumas vezes, cheguei a acreditar em seis coisas impossíveis antes ainda do café da manhã."

LEWIS CARROL, "Alice do outro lado do Espelho"

Imagine que se sente em stress ou deprimido. Imagine que neste caso, por efeito de uma sugestão hipnótica eficaz, ou de uma visualização, em vez de continuar a refugiar-se no comportamento negativo habitual, que tanto o vem fazendo sofrer, espontaneamente, em si surge, num impulso profundo, uma vontade firme de fazer algo diferente, de fazer algo que até lhe dê prazer, como por exemplo ir passear, ver pessoas e lugares ou simplesmente ir à janela, sabendo que vai respirar fundo, sorrir, e que só com isso se vai sentir logo, distante daquele hábito, que tanto o tem feito sofrer, que se vai sentir bem melhor...a caminho da tranquilidade, da paz...

Imagine que tudo isto pode acontecer em pouco tempo. Como se tivesse aberto uma janela, uma porta, deixado a luz entrar numa parte de si há muito escura ou esquecida. Imagine que faz tudo isto como quem cuida de um jardim onde um dos canteiros precisa do seu cuidado. Imagine que faz tudo isto encontrando-se consigo próprio, com uma parte de si que necessita da sua atenção e de um diálogo consigo.

Imagine-se um observador calmo, tranquilo mas activo dos seus pensamentos. Como que dando um passo atrás na sua mente e perspectivando-os na sua verdadeira dimensão.

É isso que a hipnose e a auto-hipnose podem fazer pela sua vida.

Em si, e não sendo uma terapia, a hipnose usada em contexto clínico ou motivacional é uma forma eficaz de o indivíduo aceder a capacidades e recursos que possui.

Não estamos ainda num grau de evolução da espécie humana em que possamos pressionar um botão e sentirmo-nos calmos, energéticos ou motivados. Necessitamos criar esses "botões", esses mecanismos ou essas dinâmicas mentais, trabalhá-los e reforçá-los na nossa mente. Conseguimo-lo “limpando” a mente, relaxando profundamente e criando imagens que nos fazem accionar essas emoções ou esses estados.

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É isso que a hipnose clínica faz. Trabalha com o indivíduo (hetero-hipnose), ou em auto-processo (auto-hipnose), através de estados leves a profundos de relaxamento e com a utilização de sugestões, visualizações ou metáforas, ajudando-o a encontrar essas emoções. A reprogramar comportamentos com os quais (o indivíduo) não se sente confortável, a gerir emoções, a trabalhar objectivos, etc.

Mas sempre, sempre, com o trabalho e o empenho do indivíduo nesse sentido. Sendo o terapeuta, ou o facilitador, um co-piloto nessa viagem até ao objectivo, ao equilíbrio ou ao controlo.

Este processo não envolve o sono, apesar da sua origem no nome do deus grego do sono - Hipnos. Quando uma pessoa se encontra em transe hipnótico, o corpo pode estar num estado totalmente relaxado, mas a mente está alerta e Extremamente focada.

É, ainda, um estado perfeitamente natural. A situação de transe hipnótico pode ser comparada a algumas situações do quotidiano, como quando alguém se sente completamente absorvido pela leitura de um livro ou pelo visionamento de um filme - estas poderão ser consideradas situações de transe leve.

A hipnose e a hipnoterapia estão a ser utilizadas de modo crescente para tratar a dor e perturbações físicas que têm uma componente psicológica. Promovendo o relaxamento e, consequentemente, a redução da ansiedade e da tensão.

Instituições como a Organização Mundial de Saúde reconhecem: "Ensaios de controlo aleatórios apresentaram provas convincentes de que terapias como a hipnose e outras técnicas de relaxamento podem aliviar a ansiedade, perturbações de pânico e insónias.", ou mesmo a própria Mayo Clinic – uma das mais reputadas clínicas a nível mundial – igualmente reconhece a eficácia do uso da hipnose em situações dermatológicas, asma, hiper-tensão e controlo da dor, entre outros.

Em Portugal a formação de hipnoterapeutas tem vindo a aumentar, nomeadamente com a procura de formação por parte de técnicos já ligados à área da saúde (médicos, psicólogos, enfermeiros), mas também de profissionais ligados a outras áreas complementares. E apesar de não existir uma associação profissional em Portugal, o London College of Clinical Hypnosis – uma das entidades formadoras no nosso país – tem vindo a formar e a certificar hipnoterapeutas em cursos regulares em Lisboa, Porto e na região do Algarve. Estes terapeutas certificados pelo London College of Clinical Hypnosis seguem as normas e o código de conduta da British Society of Clinical Hypnosis, a que deverão igualmente estar vinculados.

Outras estruturas ligadas à formação em hipnoterapia, como a Hypnos.Portugal, existem no mercado com a sua própria oferta formativa. Também esta estrutura de formação forma e certifica hipnoterapeutas em cursos regulares em Lisboa, Porto e na região do Algarve. Os terapeutas certificados pela Hypnos seguem as normas e o código de conduta do Grupo Português de Hipnose e Motivação.

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COMO ESCOLHER UM HIPNOTERAPEUTA

Escolher um hipnoterapeuta deve ser uma decisão cuidada.

Se não possui referências de outras pessoas que trabalharam com esse ou essa hipnoterapeuta, procure alguma informação na internet, na clínica ou local onde esse técnico colabora.

  •  Comprove o tipo de formação obtida por esse terapeuta, mesmo que seja psicoterapeuta poderá não ter preparação ou formação adequada para tal. Que tipo de formação teve?
  • Confirme se a formação é presencial e avaliada ?
  • A entidade formadora é contactável ? Tem morada física pela qual se pode contactar ?
  • Se tem acesso fácil à internet procure obter referências ao terapeuta
  • Tem alguma página ?
  • Se tem, que tipo de informação disponibiliza?
  • Apresenta informação clara e séria?
  •  Pertence a alguma associação? É uma associação credível? Tem morada física? Pode ser contactada de outra forma para além da internet?
  • Tem algum código de conduta?
  • Desenvolve outras actividades ligadas à hipnose (colaboração com instituições/clínicas, formação, outros serviços?

Se, por fim, considera que determinado terapeuta reúne as condições para poder trabalhar com ele, mas ainda tem algumas questões, entre directamente em contacto com ele e coloque as suas questões. Observe a forma como as suas questões são respondidas.

Para mais informações sobre hipnose e hipnoterapia consulte:

www.gphm.com.sapo.pt - Grupo Português de Hipnose e Motivação
www.hypnosportugal.com.sapo.pt - Hypnos Portugal – Formação e Eventos
www.hipnose.net - London College of Clinical Hypnosis (Portugal)
www.bsch.org.uk - British Society of Clinical Hypnosis
www.who.org - World Health Organization (Organização Mundial de Saúde)
www.manualmerck.net - Manual Merck de Saúde para a Família
www.mayoclinic.com - Mayo Clinic

Mário Rui Santos

Mario Rui Santos é Practitioner Diplomado pelo London College of Clinical Hypnosis membro da British Society of Clinical Hypnosis, coordenador do Grupo Português de Hipnose e Motivação e membro fundador da Associação de Hipnose Clínica de Portugal. Com formação específica em campos como o dos Cuidados Paliativos, Interpretação de Sonhos, Ataques de Pânico, Controlo de Peso, Controlo de Tabagismo, TLT (Time Line Therapy), EMDR (Eye Movement Dessensitization Reprocessing) , ETA (Empowerment through Archetypes), este profissional é também consultor e formador em hipnose clínica.

Para mais informações consulte : www.MarioRuiSantos.net

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