Tinha o melhor restaurante do mundo e encerrou-o. Agora, Ferran Adrià abre o elBulli1846, mas não serve lá comida, como anunciou ontem num congresso de gastronomia em Madrid, em Espanha. O reaparecimento público do conceituado chef catalão ficou também marcado por várias entrevistas. Em declarações ao jornal espanhol Cinco Días, o cozinheiro criticou as políticas salariais e discriminatórias dos dias que correm.

"Passaram pelo elBulli muitas mulheres, apesar da maioria serem homens [mas] eu nunca recrutei em função do género", admite Ferran Adrià. "É preciso lutar pela igualdade [no trabalho] com salários decentes. Não se podem pagar salários de 800 €. Preocupam-me mais os salários indignos que se pagam do que a progressão [na carreira] das mulheres. Elas vão conseguir chegar lá acima. É uma questão de tempo", acredita.

Numa outra entrevista, ao jornal Sur, o chef mostra-se, no entanto, descrente em relação a uma futura revolução gastronómica. "Nos próximos 20 ou 30 anos, não assistiremos a outro período de vanguarda", antevê Ferran Adrià. "Temos de deixar de ter essa obsessão", apela o cozinheiro, que aproveitou ainda para desfazer um velho mito. "Dizer que não se ganha dinheiro com a alta gastronomia é conversa fiada", assegura o espanhol.

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