
O verdadeiro empoderamento não é sobre elevar mulheres ou homens: é sobre elevar mentalidades. Se queremos um futuro mais equilibrado, não basta abrir portas. É preciso ensinar as próximas gerações a nem sequer verem portas onde estas nunca deveriam ter existido.
Se nascêssemos num mundo onde nunca tivéssemos visto uma chave, alguma vez nos sentiríamos presos atrás de uma porta? O problema não está apenas nas barreiras que nos impõem, mas naquelas que aprendemos a aceitar sem questionar.
Os rótulos invisíveis que moldam o futuro
Continuamos a olhar para certas profissões como “de homens” e para outras como “de mulheres”. Mas a tecnologia não tem género. A economia não tem género. A liderança não tem género. Então, por que motivo continuamos a educar como se tivesse?
Imagina um grupo de crianças com uma caixa de Legos. Se dissermos que certas peças são “para meninos” e outras “para meninas”, estamos a limitar a criatividade antes mesmo de começarem. E se, sem nos darmos conta, estivermos a fazer o mesmo com os seus sonhos? Quando rotulamos profissões como “de homens” ou “de mulheres”, não estaremos a traçar linhas invisíveis que condicionam o que acreditam ser possível para si?
Os dados mostram progresso na Educação e na Saúde, mas ainda não chegámos lá em STEM, Economia ou Política. E não é porque as meninas não sonham grande, é porque muitas vezes crescem a ouvir que esses sonhos pertencem a outros. Quando ensinamos uma criança que todas as opções estão em aberto, não estamos apenas a mudar a sua vida. Estamos a mudar o mundo.
A próxima revolução não acontecerá apenas quando houver mais mulheres na liderança. Acontecerá quando deixarmos de precisar de contar quantas são, quando o género deixar de ser um fator e apenas o talento e o esforço definirem o futuro de cada um.
Como Elevar Mentalidades?
1. Desafiar estereótipos diariamente.
Sempre que ouvires frases como “isso é coisa de mulher” ou “isso é trabalho de homem”, pergunta: “Porquê?” E depois: “Mas porquê mesmo?” Vais perceber que, na maioria das vezes, não há uma razão válida - apenas crenças ultrapassadas.
Leva este desafio para casa e para o trabalho. Pergunta. Questiona. Provoca reflexão. A mudança começa com um simples “porquê?”.
2. Educar para a igualdade.
As crianças não se tornam astronautas, CEO, engenheiras, bailarinos, educadores de infância só porque lhes dizem que podem. Elas precisam de ver quem já o fez.
Quem rompeu barreiras?
Maria de Lurdes Pintassilgo (Primeira-Ministra), Ana Pires (Cientista-Astronauta), Daniela Braga (TOP 10 mundial em AI), Cristina Fonseca (Fundadora da Talkdesk - Unicórnio portuguesa), Tony Miranda (Criador Alta Costura português), Marcelino Sambé (primeiro solista na companhia de ballet), Marco Duarte (Educador de Infância), Luís Ribeiro (Presidente da Associação de Profissionais da Educação de Infância).
Escolhe uma destas figuras ou outra que admires e partilha a sua história com alguém – filhos, amigos, colegas ou até nas redes sociais. Faz a diferença onde estás.
3. Liderar pelo exemplo
Palavras inspiram, mas ações transformam. Se lideras, cria oportunidades para talentos diversos, sem preconceitos. Como? Questionando: Quem na minha equipa tem potencial, mas pode estar a ser subestimado? Estou a dar espaço às vozes certas ou apenas às mais altas?
A verdadeira liderança não está em ser o centro, mas em iluminar o caminho para os outros.
A mudança começa nas pequenas ações do dia-a-dia. Não esperes por grandes revoluções. Pergunta, questiona, muda a tua forma de pensar e desafia os outros a fazerem o mesmo.
A mudança não acontece sozinha: é preciso uma ação conjunta que seja intencional, consciente e contínua. Se queremos um futuro onde não seja preciso contar “quantas” são e de libertar todas as pessoas das amarras invisíveis que limitam o seu verdadeiro potencial temos de começar por mudar a forma como pensamos e educamos hoje e rejeitar quaisquer normas que limitem o potencial de cada um. É tudo uma questão de mentalidade.
Pequenas ações diárias mudam mentalidades. E tu, que passo vais dar hoje?
Um artigo de opinião de Patrícia Santos, Chairwoman Zome.
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