Em 2020, se cada pessoa no Planeta vivesse como uma pessoa média portuguesa, a humanidade exigiria mais de 2 planetas para sustentar as suas necessidades de recursos. Tal implicaria que a área produtiva disponível para regenerar recursos e absorver resíduos a nível mundial esgotar-se-ia no dia 25 de maio, um dia mais cedo que em 2019, cuja data foi a 26 de maio. A partir daí seria necessário começar a usar recursos naturais que só deveriam ser utilizados a partir de 1 de janeiro de 2020. Em suma, seria necessário usar o cartão de crédito ambiental.

Portugal é, há já muitos anos, deficitário na sua capacidade para fornecer os recursos naturais necessários às atividades desenvolvidas (produção e consumo). O mais preocupante é que a “dívida ambiental” portuguesa tem vindo a aumentar.

Esta é uma tendência que é urgente inverter, e tal é possível com a adoção de novas políticas públicas, e novas práticas por parte de cada um de nós, em particular na área da alimentação e da mobilidade, no sentido de reduzir o impacto da forma como produzimos e consumimos.

Onde podemos agir para reduzir o nosso impacto de forma mais eficaz?

O consumo de alimentos (32% da pegada global do país) e a mobilidade (18%) encontram-se entre as atividades humanas diárias que mais contribuem para a Pegada Ecológica de Portugal e constituem assim pontos críticos para intervenções de mitigação da Pegada.

Neste contexto, há muito que podemos fazer para reduzir o impacto negativo que temos no mundo através do nosso consumo, nomeadamente:

  • Reduzindo a presença de proteína animal na alimentação: os dados para Portugal indicam que cada português consome cerca de três vezes a proteína animal que é recomendada na roda dos alimentos, metade dos vegetais, um quarto das leguminosas e dois terços das frutas. Aproximar a nossa dieta à roda dos alimentos reduz, de forma significativa, o impacto ambiental associado à alimentação e é mais saudável.
  • Movimentarmo-nos de forma sustentável: não deixar de usar os transportes coletivos na atual situação de desconfinamento, andar de bicicleta, a pé, e claro, reduzir ou eliminar mesmo as viagens de avião, substituindo nomeadamente as reuniões presenciais por videoconferência e promover o teletrabalho.
  • Consumirmos de forma mais circular: é fundamental abandonar o paradigma de “usar e deitar fora”, muito assente na reciclagem, incineração e deposição em aterro, e passar para o paradigma de “ter menos, mas de melhor qualidade”, com um forte enfoque na redução, reutilização, troca, compra em segunda mão e reparação. Reduzir o nosso consumo de “coisas”, muitas delas desnecessárias para o nosso bem-estar, reutilizar mais, pedir emprestado e emprestar mais e, principalmente recusar consumir tantas “coisas” é uma forma eficaz de reduzir a nossa pegada.

O que é a pegada ecológica?

Tal como um extrato bancário dá indicação das despesas e dos rendimentos, a Pegada Ecológica avalia as necessidades humanas de recursos renováveis e serviços essenciais e compara-as com a capacidade da Terra para fornecer tais recursos e serviços (biocapacidade).

A Pegada Ecológica mede o uso de terra cultivada, florestas, pastagens e áreas de pesca para o fornecimento de recursos e absorção de resíduos (dióxido de carbono proveniente da queima de combustíveis fósseis). A biocapacidade mede a quantidade de área biologicamente produtiva disponível para regenerar esses recursos e serviços.

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