“O projeto REDwine pretende demonstrar a viabilidade técnica, económica e ambiental, reutilizando as emissões de CO2 produzidas na indústria vinícola ao transformar carbono da produção de vinho em biomassa com diferentes aplicações”, sublinha a Adega de Palmela.

Desta forma, a marca cedeu o seu espaço para que os equipamentos se encontrem instalados para recolher e armazenar os efluentes gasosos e líquidos de um fermentador de vinho com 20 mil litros de capacidade. Neste momento, detém instalado uma versão “experimental” do que será a versão final.

Os equipamentos introduzidos produzem microalgas, reutilizando 90% do dióxido de carbono que resulta da fermentação do vinho (processo em que o açúcar das uvas é transformado em álcool), tendo como intuito produzir ingredientes sustentáveis a um custo competitivo para formulações de alimentos (proteínas e ácidos gordos), cosméticos (peptídeos, óleos ricos em carotenóides e polissacarídeos activos), agricultura (hidratos de carbono como bio-estimulantes para a videira) e produção de vinho (proteínas para clarificação do vinho).

O combate às alterações climáticas também passa pela produção de microalgas na Adega de Palmela
créditos: Adega de Palmela

“Posteriormente, será instalado um equipamento de conversão do CO2 em gelo seco, para que possa ser usado nas uvas dos associados e desta forma preservar melhor a sua qualidade, havendo ainda espaço para o engarrafamento de CO2, usado para vinhos frisantes ou vendido para outras indústrias alimentares”, informa a Adega de Palmela.

A marca de vinhos da região de Setúbal junta-se, assim, ao projeto candidatado a nível europeu pela AVIPE, que conta com seis pilares: desenvolvimento do modelo de negócio inovador; captura, armazenamento e fornecimento de gases de escape de fermentação; cultivo de clorela usando CO2 e efluentes líquidos da indústria do vinho; bio-refinaria de clorela e produtos de consumo; segurança, sustentabilidade e avaliação social; e captação de mercado e comercialização.

Adega de Palmela
créditos: Adega de Palmela

Red Wine (cujo nome significa, à letra, “vinho tinto”, mas foi inspirado na palavra “reduzir”) foi aprovado em janeiro deste ano com um orçamento global de aproximadamente 7,5 milhões de euros, sendo cerca de 5,6 milhões financiados pelo programa quadro Europeu Horizonte 2020 e BioBased Industries – Joint Undertaking.

Nele participam a AVIPE – Associação de Viticultores de Palmela, a A4F, o Instituto Politécnico de Setúbal, o Laboratório Nacional de Energia e Geologia e a Adega Cooperativa de Palmela, no total de dez entidades nacionais e estrangeiras (seis pequenas e médias empresas, uma grande empresa, dois centros de investigação e uma universidade), de países como a Alemanha, Holanda, Bélgica e Espanha.

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