Os resíduos orgânicos são também a componente dos resíduos que produzimos em casa que, habitualmente, causam maior incomodidade, por exemplo, em termos de cheiros. Esta incomodidade vai para além da nossa casa, e afeta também as pessoas responsáveis pela sua recolha e tratamento posterior. A sua deposição em aterro implica ainda a produção de metano, um gás com um elevado poder de efeito de estufa, e de águas lixiviantes que, se não forem devidamente tratadas, podem ser uma fonte importante de contaminação do ambiente.

Sempre que colocamos os nossos resíduos orgânicos no caixote dos resíduos indiferenciados (ou lixo comum) estamos a desperdiçar matéria orgânica e a contribuir para uma economia linear.

Mas há uma alternativa que nos permite transformar o nosso quintal ou jardim numa pequena fábrica em prol da economia circular. Só temos que pôr mãos à obra e avançar para a compostagem doméstica. 

A compostagem é um processo natural de reciclagem de matéria orgânica durante o qual os microrganismos (bactérias, fungos, etc.) transformam os restos resultantes da preparação de alimentos e da manutenção do jardim num material com aspeto de terra chamado composto.

Este composto pode depois ser aplicado no solo como fertilizante natural, uma vez que, é rico em nutrientes e não envolve qualquer risco para o ambiente e para a saúde pública.

Porquê fazer compostagem?

- É um processo simples e barato, visto que não necessita de grandes investimentos. Por exemplo, a construção do compostor pode ser uma atividade em família, visto que é fácil de fazer e existem vários tutoriais na internet para ajudar. Após a construção do compostor apenas terão que lá colocar os resíduos orgânicos regularmente.

- Origina um material rico em nutrientes: o composto produzido é rico em nutrientes e pode ser aplicado no solo contribuindo para melhorar a sua qualidade e para criar um ciclo virtuoso onde a parte dos alimentos que não foi consumida retorna à terra para a alimentar e tornar mais saudável. 

- Evita o uso de fertilizantes químicos, normalmente importados, possibilitando a produção de alimentos mais saudáveis e amigos do ambiente.

- Retém a humidade e os nutrientes no solo, visto que o composto aplicado no solo funciona como uma esponja que retém a humidade e os nutrientes.

- Reduz a quantidade de resíduos que vão para aterro ou são queimados.

- Com um compostor doméstico, uma família de 4 pessoas pode reciclar cerca de 430kg de resíduos orgânicos por ano, reduzindo a quantidade de resíduos enviados para aterro em 30%.

O que são resíduos orgânicos?

- Restos resultantes da preparação de refeições (ex. cascas de legumes ou folhas de verduras)

- Algumas sobras de refeições (ex: cascas de fruta)

- Resíduos resultantes da manutenção de hortas e jardins.

- Não inclui restos de comida confecionada (em particular carne e peixe), pois podem atrair animais.

Onde colocar o compostor

O compostor deve ser colocado diretamente em contacto com a terra, num local com boa drenagem para que a água da chuva possa escorrer, protegido do vento e com uma boa mistura de sol e sombra para que não fique exposto a temperaturas muito elevadas no verão.

O que colocar

Os resíduos que podem e devem ser compostados são, normalmente, classificados em “Verdes” e “Castanhos”. Os verdes são normalmente húmidos e os castanhos são secos.

Convém ter a maior diversidade de resíduos possível numa proporção de 2 de Castanhos para 1 de Verdes.

Compostagem doméstica

A gestão

- A primeira camada de resíduos que fica no fundo do compostor deve ser composta por ramos mais grossos.

- A segunda camada deve ser de castanhos.

- A terceira camada deve ser de verdes.

- Depois deve-se ir alternando entre verdes e castanhos.

- É importante humedecer os resíduos regularmente.

- A mistura de resíduos deve ser remexida pelo menos uma vez por semana.

- Ao fim de alguns meses os resíduos colocados no compostor transformam-se em composto, um material orgânico escuro, com aspeto de terra, sem cheiro e com excelentes qualidades fertilizantes.

- Depois de pronto o composto pode ser utilizado em: hortas e jardins (5 a 6 kg de composto por cada metro2) ou vasos e sementeiras (metade composto e metade terra).

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