Queria ser astrofísica mas actualmente é a primeira mulher portuguesa a fazer acrobacias com aviões na península ibérica e a mais jovem do mundo, apenas com 27 anos.

Uma paixão que começou a ganhar forma quando ainda era muito pequenina e adorava tudo o que envolvesse aventura. O céu é o limite para Diana Gomes da Silva, uma jovem determinada que ainda vai dar muito que falar.

Brincava com aviões quando era pequenina?

Sempre adorei carros, motos, tudo o que fosse motorizado, e muita adrenalina. Os meus pais lembram-se de me dizer desde muito pequenina: ”Diana não saltes daí”, “Diana vais-te magoar”, “Diana não sabes voar”, passei a minha infância toda assim, era hiper traquina.

Nunca lhe aconteceu nada grave?

Estava sempre de braços partidos, passava a vida a magoar-me, mas era muito determinada.

O que dizia que queria ser quando fosse grande?

Queria ser astrofísica. O céu sempre me fascinou imenso, mas como a astrofísica é uma ciência muito difícil e pouco palpável, por volta dos 15, 16 anos, percebi que tinha de seguir outro rumo profissional e, como a paixão pelos aviões estava a crescer, comecei a definir que o meu futuro passaria por aí.

Nunca teve pilotos na sua família?

Curiosamente o meu avô foi PPA (Piloto Particular de Aeronaves) e tinha uma enorme paixão por aviões mas não chegou a passar-me essa paixão, porque, quando morreu, ainda estava convencido que eu ia ser astrofísica.

E o seu pai?

O meu pai foi médico na Força Aérea e quando era criança tive um contacto muito próximo com os aviões, por isso acredito numa predisposição genética para as coisas, embora o meu pai diga que são acasos da vida.

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Os seus irmãos também gostam de aviões?

Tenho seis irmãos, com os emprestados, mas nenhum deles liga muito, só se for o mais pequenino que cresceu a ouvir-me falar de aviões e vai ver os meus espectáculos todos. Um é surfista profissional de ondas grandes (está agora no Hawai) a minha irmã está em Medicina, o Zé Maria é um craque em paintball, armas, jogos de computador e informática, o António Maria tirou Arquitetura e o Pedro tirou Hotelaria. O Dudinha como só tem cinco anos, não faço ideia o que vai seguir, mas adora vestir a minha farda.

Decide então ser piloto com 16 anos?

É verdade. O primeiro passo foi juntar dinheiro para pagar o curso de piloto particular porque queria primeiro que tudo saber se tinha aptidão. Falei com uma “tia”, amiga da minha mãe, que tinha uma companhia aérea, e ela convidou-me a trabalhar na Airluxor durante umas férias de Verão como assistente de bordo, e aí fiquei mesmo com a certeza que queria ser piloto de linha aérea.

E começa então a fazer o curso?

Sim, mas, de facto, no curso de piloto não se aprende absolutamente mais nada senão pilotar um avião, e está sempre associado a uma licença médica, perdendo a licença médica por qualquer problema se saúde que surja ao longo da vida, como, por exemplo, começar a ver mal, fica-se desempregado, nesse sentido é uma profissão muito ingrata.

Por isso fez uma licenciatura em simultâneo?

Tirei comunicação social na Universidade Católica ao mesmo tempo que fazia o curso de piloto de linha aérea. Acabei com 21 anos, altura em que comecei a trabalhar em linha aérea e a dar instrução na Omni, a escola onde eu cresci profissionalmente, mas, mais do que isso, pessoalmente, e com a qual continuo a ter uma excelente relação. Adoro trabalhar lá e adoro as pessoas.

Entrou para a Sata Internacional há quantos anos?

Há três anos, onde sou co-piloto 320, continuo a dar aulas em Tires, e colaboro com a revista Syrius para onde escrevo sobre segurança de voo. Escrever é outra das minhas paixões, adoro escrever sobre aviões e sobre viagens. Tenho o maior prazer em partilhar as aventuras das minhas viagens.

Viaja sozinha?

Viajo com o meu pai, de preferência, para destinos longínquos e exóticos.

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Fez o primeiro voo de acrobacia com que idade?

Com 21 anos. Fui com um amigo que tinha um avião para Évora e desde o momento que fiz a primeira puxada de “G’s”, a sensação foi tão boa, que nunca mais quis outra coisa!

O seu namorado também é piloto de longo curso e de acrobacias?

Sim, partilhamos os dois a mesma paixão pela aviação. A nossa vida é só aviões.

Como é que uma jovem da sua idade consegue ter um avião?

Comprei-o com 24 anos com um empréstimo bancário. E pago mensalmente como as outras pessoas pagam o carro ou a casa. As minhas economias são todas canalizadas para este desporto, ou seja, o dinheiro que eu ganho como piloto de linha aérea, invisto 100 por cento no avião.

Só uma grande paixão suportaria um esforço tão grande?

Acredite que é mesmo um sacrifício enorme. Para além da prestação ao banco, gasto uma fortuna nos treinos, sobretudo no combustível que custa dois euros o litro, e gasto um litro por minuto. Como faço treinos de meia hora e nunca menos de três treinos por dia, veja o que eu gasto só em combustível...

As manutenções também não devem ser nada baratas?

O que é mais caro não é o avião, é a manutenção. Ainda há dois meses tive uma falha de motor sobre a Praia Grande que me obrigou a aterrar em Sintra com o motor parado e em posição invertida.

Não aconteceu nada ao avião?

Absolutamente nada. Mas o motor partiu e tive de comprar outro.

O que se sente num momento destes?

Até parar o avião e desligar a chave estava calmíssima. Aliás, a minha voz nas comunicações estava tranquila. No início ainda pensei em me ejetar, mas como o voo invertido funcionou, consegui salvar o avião.

Tem algum patrocinador?

Não. Infelizmente bati às portas das empresas portuguesas com lucros fantásticos e só ouvi “Não!” E muitas nem sequer me receberam.

E continua a ser a única portuguesa a participar em eventos de acrobacia por esse mundo fora?

Pois sou. Ainda agora, em Vigo, estive mais de duas horas a dar autógrafos… não fazia ideia que tinha tantos fãs em Espanha. E, curiosamente, também foram muitos portugueses ver-me a Espanha. Fiquei muito surpreendida quando cheguei ao aeroporto e tinha uma bandeira portuguesa à minha espera. Agora imagine o impacto que isto terá junto dos nossos emigrantes em Toronto, na Suiça em França e em todos os continentes.

Os emigrantes sentem orgulho na sua piloto?

Não imagina! Tenho recebido as maiores manifestações de carinho por todo o lado.

Texto: Palmira Correia

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