O atual contexto económico que vivemos, marcado pela inflação, pela subida da Euribor e pelo conflito entre a Rússia e Ucrânia, traduz-se em pressão nas mais diversas áreas da nossa vida. Na habitação, deparamo-nos com um aumento de rendas e das prestações mensais do crédito habitação.

Contudo, relativamente às rendas, o Governo tomou recentemente medidas que limitam as atualizações. Mas vejamos o impacto deste contexto no montante que paga mensalmente por habitação, nos dois casos.

Se arrendar uma casa

Face ao atual contexto económico, o Governo adotou novas medidas para combater a escalada da inflação. Nomeadamente, relativas à habitação.

Em conferência de imprensa, o ministro das Finanças, Fernando Medina, anunciou que uma das medidas fixa um teto máximo de 2% na atualização dos valores das rendas, em habitação e espaços comerciais, durante o ano de 2023.

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Se não houvesse esta limitação, as rendas podiam subir até 5,43%, tendo em consideração os valores atuais da inflação (que servem de base para estipular o valor do coeficiente de atualização das rendas).

Assim, se arrendar casa, saiba que a medida entra em vigor em janeiro de 2023 e termina em dezembro do mesmo ano. Ou seja, independentemente do mês de atualização da renda, desde que ocorra em 2023, o aumento está limitado a 2%.

Assim, vejamos qual será o impacto nas rendas. Usando o preço médio das rendas em Portugal, referente ao primeiro trimestre do ano (dados do INE), uma casa de 100 metros quadrados terá uma renda de 626 euros. Tendo em consideração este valor um aumento de 2% implica mais 12,52 euros por mês. Numa renda de 1.000 euros, são mais 20 euros por mês.

Se tiver um crédito habitação

Ao contrário das rendas, que são atualizadas uma vez por ano com base na taxa de inflação, a prestação do crédito habitação vai oscilando ao longo do ano, se o crédito estiver indexado a uma taxa Euribor (o que acontece na maioria dos casos).

Devido ao atual contexto de inflação na Zona Euro, o Banco Central Europeu tem subido os juros de referência de forma a tentar controlar este panorama, o que se reflete nas taxas Euribor, que são os indexantes mais usados no crédito habitação em Portugal.

Assim, nos últimos meses as prestações dos empréstimos têm vindo a aumentar e a perspetiva é que continuem a aumentar, sendo determinante saber até onde pode aumentar a prestação do crédito

Assim, em fevereiro, a taxa Euribor a seis meses estava ainda em valores negativos (-0,476%), em agosto, esta taxa estava nos 0,837%.

Considerando o preço médio das casas em Portugal (1.346 euros por metro quadrado – dados do primeiro trimestre, segundo o INE), se tiver um empréstimo no valor de 134.600 euros, a 30 anos, com um spread de 1,2%, associado a uma Euribor a seis, em fevereiro, a prestação correspondia a 411,93 euros. Já em agosto este custo subiu para os 500 euros, mais 88,07 euros.

Tendo em consideração que os juros podem ainda aumentar mais, é importante tentar perceber qual o impacto no nosso crédito se a Euribor continuar a subir. Algo que é possível perceber através do simulador da variação da Euribor no Crédito Habitação.

Ou seja, mesmo com o aumento recente dos juros, o valor da prestação de crédito continua a ser mais baixa do que as rendas praticadas em Portugal. Uma realidade que em parte se justifica pelo facto de haver pouca oferta no mercado de arrendamento.

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