Este não é um artigo sobre sucesso. Este não é um artigo sobre como ganhar mais dinheiro. Este não é um artigo sobre como conquistar status.

Este é um artigo sobre o instrumento-chave para conseguir tudo isso, sem que o isso (o dinheiro, o prestígio ou o sucesso) seja um fim em si mesmo, mas uma recompensa saborosa, merecida.

Descubra as melhores estratégias para fortalecer a sua auto-estima, melhorar as relações com o seu chefe, colegas, família e clientes. Ou, se já nada resultar, poder dar o salto para um emprego finalmente... feliz!

Queremos que, tal como a robusta e longeva tartaruga, que ninguém acreditava ser possível ganhar a corrida à lebre, você chegue à meta sem se sentir esgotada e sem que isso seja o resultado do sacrifício das suas relações, da sua auto-estima ou até da sua saúde.

Para tal, recolhemos, junto de autores de best-sellers mundiais, especialistas em comportamento e coaching, coordenadas que ajudam a tartaruga (você), ao longo do caminho (o trabalho), a não embater no elefante (o seu chefe), a não tropeçar na lebre, no cisne ou na águia (os seus colegas), a gerir melhor a relação com os clientes (o galo), a equilibrar a sua vida familiar (as outras tartarugas) e, se nada já houver a fazer, a dar um salto perfeito (para outro emprego) como um sapo.

Este é, sim, um artigo sobre felicidade. Sobre auto-realização. Sobre bem-estar. Porque ninguém quer ser muito bem pago e sentir-se doente.

Porque ninguém quer ter sucesso sem ter com quem o partilhar. Porque ninguém quer ter prestígio ou uma carreira de topo e, depois de tudo, sentir-se... infeliz.

Construir uma carapaça

Construir uma carapaça

A maior parte das pessoas trabalha para viver, mas a profissão não tem de ser uma punição cuja única recompensa é o salário, até porque «ser feliz no trabalho é meio caminho andado para atingirmos a felicidade plena. Afinal passamos muito do nosso tempo a trabalhar», lembra Richard Templar, autor de best-sellers de auto-ajuda e desenvolvimento pessoal.

Um trabalho tem de ser «desafiante, útil, permitir que cresçamos e, na medida do possível, ser algo apaixonante para nos fazer felizes», acrescenta Adelino Cunha, orador motivacional.

O primeiro passo para se sentir bem no emprego é gostar de si, conhecer-se e acreditar nas suas capacidades. «Comece por reconhecer os seus pontos fortes, vencer as suas fraquezas e aprender a lidar com as críticas», evidencia Richard Templar.

Depois, ajuste o diálogo interno, ou seja, a forma como fala consigo mesma. Seja positiva. «Entre numa ocupação para ser a melhor. Esforce-se, dê o máximo, independentemente do que ganha.

Se for a melhor, mais tarde ou mais cedo, será recompensada», afirma Adelino Cunha, que dá tanta importância à competência técnica como à capacidade de relacionamento e motivação dos colegas. E não faça nada que vá contra os seus valores: «Nenhum cheque vale mais do que a sua alma.»

Veja na página seguinte: Por que deve investir na imagem e na formação

Formação e imagem

Formação e imagem

É também importante que aposte na formação na sua área e em desenvolvimento pessoal e relações humanas.

«Leia, 15 minutos por dia, livros de auto-ajuda, desenvolvimento pessoal e biografias, identifique cursos nestas áreas, aproveite programas de reciclagem mensal para aprender continuamente, tirar dúvidas e contribuir até para o crescimento dos outros, com o seu exemplo e descobertas», recomenda Adelino Cunha.

Para além de ser um exemplo, deve também seguir os «exemplos», como sugere Richard Templar: «Não hesite em questionar pessoas competentes pois vai aprender imenso com elas.»

Por último, tenha presente o quanto a sua imagem é importante. Para os outros, mas sobretudo para si. Cuide do seu visual, vista-se de forma elegante, deixe as extravagâncias para o fim-de-semana.

«Encha o peito, ajeite o cabelo, vista-se como um campeão, aja, respire e caminhe com confiança», aconselha o orador motivacional. Ajuda e muito, vai ver.

A lebre, a águia e o cisne

A lebre, a águia e o cisne

Todas estas estratégias permitem reforçar a auto-estima, mas não são o único caminho para alcançarmos a felicidade no trabalho. A relação que estabelecemos com os outros é fulcral.

E os estudos comprovam-no: o relatório britânico Happiness at Work Index constatou que 73 por cento dos trabalhadores apontam a relação com os colegas como o factor-chave para o bem-estar laboral.

Keith Ferrazzi, autor do livro «Nunca Almoce Sozinho», que advoga as redes de contactos como um factor crítico de sucesso, revelou-nos que «os estudos demonstram que ter um amigo no trabalho, alguém com quem se possa partilhar ideias, está fortemente ligado ao grau de envolvimento com a profissão».

O dinheiro? Pois saiba que é encarado como motor da felicidade apenas pelos que se dizem muito infelizes em termos laborais. Mais, o estudo conduzido por Amy Wrzesniewski comprova que a satisfação que sentimos à «secretária» depende mais da forma como encaramos o trabalho do que com o salário.

As minhas competências

Auto-avalie-se. Estas são as características que ditam o seu posicionamento na empresa:

Ambição
É importante, mas isso não significa que terá de vencer a todo o custo.

Motivação e tenacidade
Procure respostas, insista e finalize as tarefas. Contudo, é necessário saber dizer não a um plano que não funciona e que esteja desactualizado.

Auto-confiança
Ultrapasse o medo de falhar e a necessidade que tem de todos gostarem de si, sem se tornar arrogante e narcisista.

Abertura de espírito
Esteja receptiva a ideias novas e diferentes.

Realismo
Esteja aberta a todas as oportunidades, em vez de evitar os problemas ou antever o pior.

Vontade de aprender
Continue a crescer, melhore as competências e aceite os desafios.

Veja na página seguinte: Como encara o trabalho

Como encara o trabalho?

Este é outro tipo de análise que deve fazer. Amy Wrzesniewski, psicóloga, estudou o tipo de relação que temos com o trabalho. Identifique-se e siga os conselhos de Tal Ben-Shahar, professor de Psicologia Positiva:

Emprego
«Encaram o trabalho como um meio para atingir um fim, para ter um salário para financiar outras áreas. Tendem a sentir menos satisfação ao nível do trabalho e da sua vida em comparação com os que o vêem como uma vocação».

    Conselho: «Identifique factores no trabalho que sejam significativos para si. Se isso não é possível procure outro trabalho ou encontre pontos de interesse em outras áreas da sua vida».

    Profissão
    São motivadas pela progressão na carreira, o poder, o prestígio. O seu grau de satisfação é semelhante ao primeiro.

      Conselho: «Pergunte-se a si mesmo: O que é realmente importante para mim?; O que me faz feliz?; O que dá sentido à minha vida e prazer?»

      Vocação
      O trabalho é um fim em si mesmo. «É o grupo que se destaca, que sente maior satisfação, trabalha mais horas, falta menos e molda o trabalho de forma a incluir tarefas de que gosta e que lhe dão significado.»

        Conselho: «Inspire os outros a descobrirem a sua vocação». Não deixe que a realização que o trabalho lhe oferece a disperse de outras áreas da sua vida.

        Texto: Nazaré Tocha e Rita Caetano com Adelino Cunha (consultor), Amy Wrzesniewski (professora de Comportamento Organizacional), Gil Schwartz (vice-presidente executivo de comunicações da CBS), Keith Ferrazzi (CEO da Ferrazzi Greenlight), Pierre Farbus (key account manager da Transitar), Lee Hecht Harrison Richard Templar (consultor), Sandra Costa (coach) e Tal Ben-Shahar (professor de Psicologia Positiva)

        Foto: Artur (com produção de Mónica Maia)

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