Na maioria dos casos, os segredos são pensamentos íntimos, do foro privado, que gostamos de manter só para nós mesmos e podem estar ligados a vários tipos de experiências do devir.

Existem segredos que fazem parte do nosso imaginário e das nossas fantasias que gostamos de alimentar e conectar às experiências do dia-a-dia a fim de reencarnar ou assumir nos mais diversos tipos de representações, papéis e contextos individuais e/ou sociais.

Por exemplo, segredos relacionados com negócios, segredo sobre alguém que conhecemos, segredo sobre experiências significativas, segredos que visam reforçar pactos ou tradições sociais, segredos sobre determinados sentimentos e/ou regras que quebramos ou valorizamos, etc. Este tipo de segredos não implicam sofrimento ou prejudicar seriamente outras pessoas, pelo contrário, alimentam um mundo mágico e de conhecimento, característico dos humanos imperfeitos que almejam ser perfeitos.

Por outro lado, alguns segredos acrescentam uma sensação de desconexão com o sentido da vida e com as pessoas à nossa volta, do tipo espectador/a demarcado – vemos as coisas a aconteceram, mas permanecemos impotentes, insatisfeitos e atormentados.

Isto é existem segredos que são inofensivos visto não representaram problema ou ofensa enquanto outros podem representar uma perda da qualidade de vida.

Li uma reportagem sobre um famoso CEO, mundialmente conhecido no mundo dos negócios, que durante 50 anos ocultou a sua orientação sexual. Recentemente, veio a publico revelar o seu segredo, onde refere que o motivo principal pela qual manteve este segredo durante cinco décadas foi devido a questões profissionais. Afirma: “Era como se tivesse duas vidas e isso era excitante. Tipo James Bond, dizia a mim mesmo que assim adquiria capacidades que me eram úteis noutras situações na vida. Agora que ultrapassei essa fase, admito que estava só a tentar justificar-me.”

Ao ler esta reportagem, imediatamente fui transportado para as consultas e as pessoas que acompanho afetadas por comportamentos aditivos. Na sua maioria, estas pessoas vivem vidas duplas, por um lado tipo James Bond, mas por um lado, como “pecadores” ou “traidores”.

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Não é unicamente uma característica dos comportamentos aditivos, a maioria dos seres humanos, a dada altura, debate-se com este dilema existencial, ser James Bond, mas ao mesmo tempo ser um/a “pecador/a” ou “traidor/a”.

Independentemente dos motivos ou experiências, da cultura e/ou da religião, família e/ou valores morais associados ao segredo e à vergonha, cabe a cada um de nós dispor de ferramentas a fim de conseguirmos avaliar e compreender o mais honestamente possível, os efeitos e as consequências dos nossos comportamentos.

- Quais são os tipos de segredos que não representam perda da qualidade de vida?

- Quais são os segredos que representam perda significativa da qualidade de vida e que reforçam o repúdio, a amargura, a humilhação e o sentimento de culpa?

Raramente falamos da vergonha e dos sentimentos a ela associados, raiva, medo, ressentimento, e sentimento de culpa. Diante da vergonha, a reação imediata é ocultar, enfurecer, culpar e/ou negar. Importa saber distinguir os critérios que regem o segredo -  vergonha/sentimento de culpa e a aceitação/resiliência.

Sun Tzu disse - «Os guerreiros hábeis dos tempos antigos tornavam-se primeiro invencíveis e esperavam depois por um momento de vulnerabilidade do inimigo. A invencibilidade depende da própria iniciativa, mas a vulnerabilidade do inimigo só dele mesmo depende (...) por isso se diz: É possível saber como vencer, mas impossível garantir a vitória». A Arte da Guerra.

Tenha uma semana de reflexão construtiva e de opções corajosas.

João Alexandre Rodrigues

Addiction Counselor

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