Será a contraceção de longa duração uma opção para si? Muito provavelmente, já se colocou esta questão até mais do que uma vez, mas a verdade é que continua a ter dúvidas... De uma parceria entre a Sociedade Portuguesa de Contracepção, a Associação para  o Planeamento da Família e a farmacêutica Bayer, nasceu em meados de 2016 uma campanha e um site, com o objetivo  de sensibilizar as mulheres portuguesas para esta questão.

Pô-las a par dos métodos contracetivos de longa duração, que podem ser hormonais (sistema intrauterino e implante) ou não hormonais (dispositivo intrauterino), continua a ser hoje o objetivo. Até porque muitas das dúvidas da altura continuam a ser muito atuais. Mas será mesmo esta uma das formas que deve equacionar para não engravidar? Marcela Forjaz, médica ginecologista, explica como funcionam estes métodos contracetivos.

"Este tipo de contraceção engloba métodos destinados a uma utilização mais prolongada, embora reversível, garantindo a sua eficácia por períodos que se podem estender a alguns anos", refere a especialista. "Trata-se de métodos cuja eficácia não depende de nenhum gesto voluntário diário da mulher. São colocados ou implantados e atuam independentemente de a sua utilizadora se lembrar deles ou não", acrescenta ainda a médica.

Com a ajuda desta especialista, fique a conhecer cada um deles:

- Dispositivo intrauterino (DIU)

Tem um tempo de ação de 5 anos. "Tem, quase sempre, uma forma em T, com uma estrutura em material inerte, tipo plástico, com um metal na sua haste. Este é, na maior parte das vezes, feito de cobre, havendo modelos também em prata", refere Marcela Forjaz. "Ao ser introduzido na cavidade uterina, causa, aí, uma reação de corpo estranho, que se traduz numa inflamação e que impede a nidação [implantação do ovo fecundado na mucosa uterina]", explica.

"Tem alguns efeitos semelhantes ao SIU, nomeadamente o espessamento do muco do colo uterino, constituindo uma barreira à entrada de espermatozóides, além de uma reação inflamatória intrauterina, que torna o ambiente adverso aos espermatozoides, reduzindo o número dos que conseguem entrar na cavidade uterina. Interfere, ainda, com a motilidade [mobilidade] das trompas", adverte Marcela Forjaz.

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Como principal vantagem, a especialista aponta "a segurança contracetiva, independência de um gesto voluntário (como o ter de tomar um comprimido) para a manutenção do efeito desejado, a duração e comodidade".

"Geralmente, aumenta o período menstrual em duração e quantidade, o que, em alguns casos, pode causar anemia", adverte, todavia. No que se refere a riscos, "o mais comum é a anemia", assegura Marcela Forjaz, que aponta também cuidados a ter. "Vigilância regular, de forma a controlar o bom posicionamento do DIU", sublinha.

"No caso da toma de um anti-inflamatório durante alguns dias, deve usar-se outro método contracetivo adicional", refere a especialista. "Neste método, só existe risco da fertilidade ser afetada na presença de infeções intrauterinas, o que não é frequente. Quando a utilizadora desejar engravidar, deverá retirar o DIU e, idealmente, esperar que se complete um ciclo menstrual, utilizando outras medidas contracetivas, como o preservativo", recomenda.

Este método é indicado para mulheres que pretendem "uma contraceção segura  e prolongada e não querem tomar métodos hormonais", sublinha a médica. É contraindicada a mulheres que sofrem de "hemorragias uterinas não esclarecidas, está grávida ou tem patologia do colo", esclarece a médica ginecologista portuguesa. "Para descartar essa possibilidade, deverá ter o teste Papanicolau em dia", salienta ainda Marcela Forjaz.

- Sistema Intrauterino (SIU)

Com um tempo de acção de cinco anos, "é um dispositivo composto por um material inerte (polidimetilsiloxano) com um reservatório para uma hormona progesterona (a levonorgestrel), que é libertada em baixas doses diárias, atuando em várias áreas do aparelho reprodutor", descreve Marcela Forjaz. "Impede o espessamento da camada interior do útero, não permitindo que um ovo aí se aloje", realça a especialista.

"Provoca o aumento da consistência do muco cervical (tornando difícil aos espermatozoides ultrapassarem-no para atingirem a cavidade uterina) e interfere na motilidade dos cílios que revestem as trompas, dificultando a progressão dos espermatozoides que tenham conseguido ali chegar para fecundar o ovócito", explica ainda a médica, que aponta como algumas das principais vantagens "a eficácia e a comodidade". Mas há outras!

Uma delas é "o facto de o fluxo menstrual diminuir sem que o organismo esteja, todo ele, sob efeito de hormonas sintéticas", sublinha. "Raramente provoca alterações no peso e, quando acontece, são muito ligeiras", adverte ainda. Este método também tem desvantagens. "Em algumas mulheres, provoca perdas de sangue, geralmente escassas, de forma irregular e, por vezes, um pouco prolongadas, embora tal aconteça, sobretudo, nos primeiros meses de utilização", afirma.

"Dependendo da sensibilidade à progesterona, pode ter efeitos secundários, equivalentes aos sintomas sentidos por algumas mulheres na fase pré-menstrual, nomeadamente distensão abdominal, alterações  do humor, diminuição da libido, dor de cabeça ou acne", descreve ainda a médica ginecologista portuguesa. "Só envolve riscos em situações em que está contraindicado o seu uso", clarifica Marcela Forjaz.

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"É ideal para quem quer garantir que não engravida, pelo menos, nos dois a três anos seguintes à sua colocação ou para quem não quer mais engravidar, mantendo, no entanto, a salvaguarda de que essa decisão possa ser reversível. É uma boa escolha para quem quer evitar hormonas externas (como as da pílula ou do implante) e para quem dispensa ter período menstrual", diz. "É também ideal para as mulheres esquecidas, que, tomando a pílula, passam por sobressaltos pelos esquecimentos frequentes", afirma ainda a médica. Este método é contraindicado a "mulheres com tumores hormonodependentes e hemorragias vaginais não esclarecidas", refere.

Também está vedado a mulheres "com doença hepática, cancro do colo ou mesmo do útero, ou infeções do trato genital", diz. "Manter uma vigilância ginecológica regular, de forma a que seja detetado se o SIU se desloca no útero, antes de colocar em risco a sua eficácia contracetiva", é outro dos cuidados que defende. No caso de entretanto querer engravidar, "a fertilidade não é afetada, retomando a mulher a sua capacidade de engravidar logo no ciclo após a retirada do SIU", acrescenta.

- Implante

Tem um tempo de ação de três anos e "consiste num depósito de plástico em forma de bastonete, com cerca de quatro centímetros, que contém uma progesterona e que é introduzido no braço, por baixo da pele", esclarece Marcela Forjaz. "Liberta, diariamente, uma dose de progesterona diretamente para a corrente sanguínea, inibindo o funcionamento do eixo hormonal e impedindo a ovulação", esclarece a médica ginecologista.

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"Assim, cria um ambiente de privação de estrogénios, com eliminação da menstruação ou com perdas irregulares", diz. Em termos de eficácia, "é eficaz e seguro", garante. "Não depende de um lembrete diário", refere a médica, que não deixa contudo de fazer uma ressalva. "Pode ter efeitos secundários, como o aumento de peso, diminuição da libido, secura de mucosas, irregularidades menstruais ou ausência da menstruação, distensão abdominal ou retenção de líquidos. Nalguns casos, pode haver dificuldade na sua remoção. Só envolve riscos em situações em que o seu uso está contraindicado", alerta.

"Nestes casos, o impacto é maior do que o do SIU, por se tratar de doses terapêuticas de progestativo a circular e não uma dose residual como a do SIU", salienta ainda. Este método é contraindicado para "mulheres que não queiram preocupar-se com o período menstrual, que aderem mal a outros métodos e que não desejem optar pelo um SIU", defende. "Mulheres com tumores hormonodependentes não o devem usar", esclarece a médica.

As que sofrem de "hemorragias vaginais não esclarecidas, doença hepática, cancro do colo ou do útero, ou infeções do trato genital" também não e todas as outras que o façam têm de ter cuidados. "Para controlar o aumento de peso, deve ter-se uma alimentação mais saudável e praticar exercício", aconselha. Ao optar por este método, "a fertilidade não é afetada, recuperando o ciclo menstrual o seu ritmo normal no primeiro ciclo após a sua remoção. Assim, basta retirar-se o implante na altura em que se pretende engravidar", garante.

SIU, implante ou pílula?

Apesar de todos serem métodos hormonais, não atuam da mesma forma, elucida Marcela Forjaz, médica ginecologista:

- SIU versus pílula

"Enquanto o SIU tem uma hormona que quase só tem efeito no útero, no caso das pílulas estroprogestativas, existem duas que têm efeito em todo o organismo. Comparando o SIU à toma da pílula, sem esquecimentos ou circunstâncias que interfiram com a sua absorção, a eficácia de ambos na prevenção da gravidez é igual", refere.

- Implante versus pílula

"Enquanto o implante é subcutâneo, entrando a hormona progestativa diretamente na circulação, a pílula é de administração oral, o que implica uma absorção intestinal e uma passagem pelo fígado antes de atingir os órgãos-alvos. Quando comparado o implante com pílulas progestativas [minipílula], os efeitos preventivos da gravidez são os mesmos", opina.

- SIU versus implante

"O implante, embora também libertador de uma hormona progesterona como o SIU, fá-lo para o organismo, entrando em circulação e inibindo a produção de hormonas da mulher, à semelhança da pílula, impedindo a ovulação. Já o SIU tem um efeito apenas local.  O implante pode ter uma eficácia ligeiramente superior, por não depender de fatores como o poder deslocar-se ou ser expulso, como acontece, ainda que raramente, com o SIU", esclarece.

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