O que passa é que, muitas vezes, a decisão de parar de fumar não é levada adiante pela falta de uma adequada preparação psicológica. A força de vontade até pode ser forte no início, mas as estratégias são débeis e a pessoa acaba por voltar ao comportamento prejudicial. Inclusivamente pode acontecer que os motivos para deixar de fumar não sejam tão claros assim e que a falta de convicção esteja a fragilizar essa aparente tomada de decisão.

Apesar de ser um comportamento repetido, sabemos que as pessoas não fumam apenas por hábito. Existem motivações que justificam esse comportamento e que faz com que a dependência do cigarro seja física e também psicológica. Não obstante o facto de o cigarro ser nocivo para a saúde e de haver uma série de campanhas de prevenção, é uma forma de compensação e gratificação que proporciona alívio, ainda que seja momentâneo. É esta a dificuldade de que quem quer deixar de fumar: parar de ter estes benefícios, mesmo que sejam temporários.

Quando alguém começa a fumar, apreende uma série de comportamentos que giram à volta do cigarro: beber um café enquanto se fuma um cigarro, fumar um cigarro depois da refeição, prender o cigarro com os dedos e gesticular de uma determinada forma, fazer a sucção do fumo de forma mais ou menos intensa, mediante o estado de espírito, dar três ou quatro passas antes de entrar num determinado local como se de um ritual se tratasse, fumar em contexto social, fumar para controlar a ansiedade, entre outras. Assim, parar de fumar significa parar todos estes comportamentos e essa é a parte mais difícil e que vai exigir da pessoa um enorme esforço cognitivo.

Primeiro passo

O primeiro passo para quem quer deixar de fumar é reduzir, sobretudo os fumadores que consomem grandes quantidades de tabaco por dia. Deixar de fumar radicalmente pode surtir efeito, mas grande parte das pessoas volta a reincidir mais tarde. Os que não reincidiram tiveram uma enorme força de vontade, motivada por fatores que, a determinada altura, se tornaram prioridades: saúde, bem-estar, longevidade.

Diminuir o consumo de cigarros e a exposição aos contextos onde fuma habitualmente é o principal passo a ser dado nos primeiros dias, ou nas primeiras semanas.

No entanto, fazer essa alteração pode ser extremamente desafiante sob o ponto de vista emocional, levando o fumador a pensar que, se calhar, não vale a pena o esforço. Na maioria dos casos, isso ocorre porque inconscientemente o fumador acaba por sobrepor a necessidade de fumar aos motivos conscientes para abandonar o vício. Daí, ressaltar-se uma preparação psicológica que pode ser auxiliada por psicólogos e que vai além das técnicas pontuais para parar de fumar.

Num primeiro passo é importante compreender o que o cigarro significa na vida de cada um, uma vez que ajuda a pessoa a recordar o momento em que adquiriu o hábito.

  • Quais foram as circunstâncias?
  • Foi um hábito adquirido sozinho ou em grupo?
  • Quais sensações ligadas ao ato de fumar?
  • Em quais momentos a vontade de fumar é maior?
  • Em que momentos consegue fumar menos?

Explorar o que o cigarro significa, ajuda a entender os componentes autodestrutivos deste comportamento, e com o auxílio de técnicas cognitivo-comportamentais, o fumador pode desenvolver um desejo mais forte de não prejudicar a sua saúde e a de quem está ao seu redor.

Cuidar de si é um ato de amor, próprio e em relação ao outro, porque o protege a si e a quem está à sua volta. Procure ajuda especializada.

Um artigo da psicóloga clínica Laura Alho, da MIND | Psicologia Clínica e Forense.

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