Algumas plantas ornamentais, comuns em muitas casas e espaços ajardinados, podem causar problemas às crianças e aos animais de estimação, quando ingeridas ou até mesmo por simples contacto, pelo que se exigem alguns cuidados preventivos. A sua toxicidade deve-se, por norma, à presença de princípios ativos que podem causar intoxicações por ingestão ou irritações cutâneas pelo manuseamento. Daí a importância de as conhecer e identificar para prevenir eventuais problemas de toxicidade futura.

Não é, contudo, imperativo que tenhamos que desistir de ter as nossas plantas preferidas perto de nós. Se queremos ter estas plantas em nossa casa, existem indicações que devemos seguir para evitar os perigos para crianças e animais. Identifique se tem plantas tóxicas nos arredores de sua casa, recorrendo a informações sobre o nome e características. Se tiver dificuldades peça uma ajuda a especialistas na área. Se possível, reposicione essas plantas fora do alcance das crianças e dos animais domésticos.

Se tiver crianças muito jovens, é conveniente retirar as plantas ou vedar o acesso a elas. É importante transmitir aos mais novos a importância de não utilizarem as plantas como alimento ou até mesmo como brinquedo. Não coma frutos, raízes ou folhas de plantas que não conhece e ensine-os a fazer o mesmo. Utilize luvas quando manusear plantas tóxicas. Ao podar plantas que libertam látex, este líquido de aspeto leitoso, ao entrar em contacto com a pele, pode provocar irritações cutâneas e oculares.

No caso de possuir animais de estimação e não poder alterar o posicionamento das plantas, como muitas vezes sucede, aplique um repelente de animais, que encontra facilmente nas lojas da especialidade. Deve aplicar este produto junto às plantas tóxicas, na parte exterior, seguindo as instruções. Este gesto preventivo irá manter os seus amigos de quatro patas longe, sem qualquer perigo para a sua saúde. No interior da sua casa, evite o acesso direto às plantas por parte do seu animal de estimação.

Os animais que estão muito tempo sozinhos num espaço tendem a distrair-se com plantas e podem mesmo ingeri-las, pelo que este gesto preventivo se reveste de grande importância. Por outro lado, os animais que tenham carência de água procuram, por vezes plantas, que tenham sido regadas e acabam ingerindo as folhas. Em caso de acidente, guarde a planta e procure assistência médica ou veterinária. Estas são algumas das plantas que poderão ser prejudiciais. Conheça as partes tóxicas e os sintomas:

- As folhas e frutos da hera são tóxicos. Tenha atenção a sintomas como irritação estomacal, diarreia e/ou dificuldades respiratórias. Nos casos mais graves, pode levar ao coma.

- As folhas e frutos da lantana, género com cerca de 530 espécies de plantas perenes originárias da Índia, também são tóxicos e podem conduzir a sintomas como fraqueza e diarreia com sangue.

- O caroço das sementes de teixo também pode ser prejudicial e manifestar-se em sintomas como problemas cardíacos, estomacais e respiratórios.

- Os bolbos de narcisos podem provocar náuseas, vómitos e tremores. Também são comuns os casos de dermatite de contacto.

- A azálea, sobretudo as suas folhas, também faz parte da lista de plantas tóxicas. Pode causar vómitos, diarreia, hipersalivação, fraqueza, hipotensão e, nos casos mais graves, colapso cárdio-vascular.

- O loendro também pode ser prejudicial para os animais e para as crianças, podendo provocar vómitos, tonturas, pulso fraco e sonolência.

- As folhas e caules das margaridas são as partes mais tóxicas desta espécie e podem conduzir a sintomas como irritação cutânea e comichão.

- O antúrio, planta muito comum nos jardins, possui troncos e folhas tóxicas. Pode provocar uma sensação de ardor na boca e dificuldades em engolir.

- Apesar da sua beleza, a hortênsia possui folhas e gomos tóxicos que podem gerar náuseas, irritação na pele, dor abdominal e suores.

- A chamada orelha-de-burro pode provocar irritação dolorosa na boca e garganta, náuseas e vómitos, causados pelos oxalatos de cálcio insolúveis.

- A begonia, que tem no tubérculo a sua parte mais tóxica, pode provocar irritação da boca, língua e lábios, dificuldade em engolir e sensação intensa de queimadura.

- A diefenbáquia, também conhecida como comigo-ninguém-pode, pode causar edema da glote e asfixias e também irritação da língua e da garganta bem como dificuldades em engolir. O contato com os olhos pode provocar irritação e, nos casos piores, lesões na córnea.

- A dracaena também integra a lista, sobretudo as suas folhas. Pode causar vómitos, depressão, anorexia, hipersalivação e pupilas dilatadas, no caso dos gatos.

Texto: Bruno Aguiar (engenheiro do ambiente e de recursos naturais)

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