As pernas cansadas são o sintoma mais comum de doença venosa, vulgarmente conhecida como má circulação sanguínea das pernas, um problema que afeta um terço da população portuguesa, maioritariamente mulheres.

«Quando as pessoas se queixam da sensação de peso e cansaço nas pernas estão, frequentemente, a referir-se a alterações do retorno venoso», indica Serra Brandão, cirurgião vascular, diretor do Instituto de Recuperação Vascular, em Lisboa.

Segundo o especialista, esta patologia «deve-se à dificuldade de o sangue já usado, proveniente dos membros inferiores, retornar ao coração, o que origina situações de sofrimento das veias».

Fatores de risco

Existem vários fatores de risco para o surgimento da doença venosa. O estilo de vida, a história de doença na família e a idade avançada são os principais. Segundo Serra Brandão, o tipo de profissão pode ajudar ou prevenir a emergência da má circulação sanguínea das pernas.

Explica que «estar parado de pé e ficar muito tempo sentado ou ter as pernas cruzadas são fatores de risco decisivos, por dificultarem a circulação de retorno do sangue ao coração». Importa ainda «estar atento à temperatura da água do banho e evitar a exposição ao calor, seja qual for a sua origem», acrescenta.

Depois existem outras causas, nomeadamente «a obesidade, a utilização de contracetivos hormonais, a gravidez e a terapêutica hormonal de substituição são outros fatores de risco», sublinha ainda.

Sintomas a ter em conta

A sensação de pernas cansadas e pesadas é o sintoma mais prevalente na doença venosa, mas, segundo Serra Brandão, existem outros, tais como dor, inchaço dos pés e das pernas, comichão e cãibras nocturnas. Mais tarde, surgem os sinais que são os derrames, as denominadas aranhas vasculares, ou telangiectasias.

«Se não houver qualquer tratamento, vão surgindo aquelas veias ligeiramente azuladas e a doença vai evoluindo. Desencadeia-se uma dilatação das veias que origina as varizes e, na última fase, a úlcera de perna», sublinha o especialista.

Como prevenir a evolução da doença?

Para o cirurgião vascular Serra Brandão, a prevenção é a palavra de ordem fundamental para que o sangue retorne de uma forma saudável ao coração.

«Deve seguir-se uma alimentação saudável, evitar fumar e beber bebidas alcoólicas em excesso, não ingerir alimentos que causem obstipação (prisão de ventre), fazer um programa de exercício físico adequado (marcha, ciclismo e natação, entre outros) e usar meias ou collants elásticos eficazes e adequados a cada situação», aconselha o médico.

«O seguimento de uma terapêutica medicamentosa, a secagem das varizes e a cirurgia são outras formas de travar a progressão da doença venosa», acrescenta. Por outro lado, «o uso de roupa apertada está contra-indicado, por prejudicar a circulação sanguínea de retorno», adverte o especialista.

Podemos confiar nas plantas medicinais?

Será que a ingestão de plantas medicinais pode travar o processo de envelhecimento e retardar a emergência de doença venosa quando existem casos na família? A resposta é afirmativa.

Segundo João Beles, «as plantas medicinais são o tratamento anti-aging mais usado em todo o mundo. Isto porque os vários estudos clínicos e epidemiológicos realizados nos últimos anos têm provado que o seu uso pode retardar em cerca de 10 a 20 anos o aparecimento de uma doença que a nível familiar costuma aparecer mais cedo».

O especialista afirma, ainda, que muitas pessoas com tendência genética para terem uma certa doença, ingerindo plantas medicinais, não chegam a desenvolver o problema.

Plantas aliadas da circulação venosa

Há vários tipos de plantas com propriedades benéficas para a circulação sanguínea das pernas que podem prevenir e tratar a doença venosa, explica João Beles, professor de Naturopatia no Instituto de Medicina Tradicional. O especialista enumera as principais:

- Castanheiro-da-índia

Tonifica os vasos sanguíneos contribuindo para uma melhoria da circulação sanguínea arterial e venosa.

A sua ingestão poderá sempre ser complementada com a toma de graínhas da uva, combinação que reduz o colesterol nas artérias e a tensão arterial. Encontra-se disponível em comprimidos ou em extrato líquido e devem ser tomados diariamente 200 miligramas de manhã e a mesma dose à noite.

- Graínhas da uva

Fortalecem as paredes das veias, dificultando a sua dilatação e o extravasamento do plasma sanguíneo para fora delas, que pode provocar o edema das pernas.

As graínhas têm, igualmente, um efeito antioxidante, ao retardar o envelhecimento das veias. Podem ser comidas ou tomadas em comprimidos sempre que a doença já apresenta sintomas (200 mg/dia). As graínhas da uva devem ser mastigadas, para assimilar os seus princípios ativos, sendo a sua ingestão uma forma de prevenção da doença venosa.

- Gingko biloba

A sua ação é benéfica em termos circulatórios e a nível cerebral, estimulando a microcirculação cerebral. Podem ser tomadas ampolas (1.500 mg diários) ou comprimidos (extracto seco, entre 120 e 240 mg).

- Alecrim

Conjuga os efeitos do gingko biloba e do castanheiro da Índia e tem benefícios a nível da circulação cerebral e venosa (pernas). Pode ser ingerido em ampolas, como as outras plantas ou em chá (15 folhas duas vezes/dia). O alecrim é, também, um bom ingrediente para saladas e sopas.

- Outras plantas

Existem ainda outras plantas com ação benéfica na doença venosa. São elas a folha da videira, a hamamélis e a gilbardeira. João Beles reforça que a ingestão de plantas medicinais deve ser complementada com o uso de um creme à base de castanha da Índia, hamamélis, videira e gilbardeira.

Texto: Daniela Gonçalves
Revisão científica: João Beles (professor de Naturopatia do Instituto de Medicina Tradicional) e Dr. Serra Brandão (cirurgião vascular e diretor do Instituto de Recuperação Vascular em Lisboa)