Provocado por razões laborais, o burnout é identificado por sintomas como absentismo, menor satisfação com o trabalho, alterações familiares, maior consumo e abuso de substâncias não prescritas medicamente. Quando é tardiamente diagnosticado pode provocar sintomas psicopatológicos e levar a casos de suicídio.

O diagnóstico precoce é fundamental. Se se encontra numa situação laboral desconfortável, pare para avaliar e analisar com cuidado aquilo que sente. Numa primeira etapa, é normal que passe por uma fase de irritabilidade e de falta de resposta aos pedidos que chegam, sentido menor capacidade de gerir as emoções e de se adaptar aos contextos.

Na fase seguinte, é comum que pense que o defeito é da própria pessoa e, para se defender, tende a tratar os outros de forma cínica, criando uma barreira. Associa-se a falta de realização pessoal e a perda de gosto e eficácia no trabalho. A partir daqui, entra-se num estado de burnout.

Depois destas pistas de diagnóstico, importa salientar oito formas de prevenir este estado:

1. Antes de mais, é importante tomar consciência do problema para dividir suas dificuldades com a chefia, colegas de trabalho, amigos e familiares.

2. Tenha uma vida equilibrada, com atividades de lazer e hábitos de vida saudável e pratique desporto.

3. Tenha atitudes positivas em relação ao trabalho: elogie as pessoas que evoluem, desenvolva relações positivas, procure confiar nos seus colegas e ajudá-los, ajuste as suas atitudes e expectativas a cada caso e situação.

4. Faça uma gestão eficaz do tempo, através do estabelecimento de prioridades e objetivos reais e flexíveis. Usufruir do tempo livre também é fundamental, use-o não só para descansar como para realizar atividades que gosta.

5. Defina responsabilidades e uso todos os recursos disponíveis. É importante ter um controlo adequado sobre a sua área de trabalho e não se esqueça que, mesmo num cargo de liderança, é importante solicitar apoio do ponto de vista técnico e emocional.

6. Esteja disponível para fazer mudanças no ambiente de trabalho, desde os métodos, ao próprio espaço. Não tenha medo de pedir uma opinião sobre o seu trabalho e aceite as críticas e sugestões.

7. O conhecimento evolui, seja qual for a sua área de trabalho. Procure manter-se atualizado, através de cursos, seminários, workshops.

8. Muito importante: cuide de si. Para poder gerir as suas equipas e gerir o seu trabalho, tem de estar bem. A sua saúde física e mental é da sua responsabilidade e tem um peso fundamental no seu trabalho.

Estas e outras práticas são essenciais para uma gestão eficaz dos conflitos. No entanto, é ainda importante que, sob o ponto de vista das empresas, a gestão eficaz do stress transmita segurança, acompanhamento e preocupação com cada colaborador.

Por Jacinto Azevedo, Médico Especialista em Psiquiatria no Hospital Privado de Alfena