O papel atual  da Imagiologia Oncológica

Nos últimos 20 anos, registaram-se enormes progressos científicos no âmbito da Imagiologia Oncológica.

O melhor detalhe anatómico das imagens, a disponibilidade de ferramentas que analisam a biologia tumoral, a maior velocidade de aquisição dos diferentes equipamentos (como a tomografia computorizada e a ressonância magnética) e o contributo mais recente da inteligência artificial, têm permitido:

  • deteções mais precoces em contexto de rastreio,
  • diagnósticos mais precisos e informativos quanto à extensão da doença e ao prognóstico no momento do estadiamento inicial, bem como no seguimento dos doentes oncológicos.

Desta forma, a Imagiologia Oncológica tem um papel cada vez mais preponderante na deteção precoce do cancro e na decisão multidisciplinar sobre qual o tratamento mais eficaz.

Inovações permitem novas abordagens

Novos avanços em procedimentos de intervenção guiados pela imagem, têm permitido a realização de biópsias e marcações necessárias ao diagnóstico oncológico e ao planeamento terapêutico. Têm permitido, ainda,  consolidar o papel das técnicas terapêuticas ablativas guiadas pela imagem (como a crioablação no cancro renal, ou a termoablação no cancro   do pulmão) e de técnicas de embolização (como a quimioembolização de tumores primários do fígado) que atualmente integram diversas guidelines internacionais do tratamento oncológico. São alternativas terapêuticas emergentes que devem ser conhecidas e, sobretudo, estar amplamente disponíveis como opções minimamente invasivas na abordagem do doente oncológico, por vezes em fase avançada da sua doença ou com comorbilidades que contraindicam outros tratamentos.

Desafios e conquistas da imagiologia para o futuro

A medicina personalizada, que também se aplica no âmbito do rastreio e do diagnóstico oncológico, é um dos próximos desafios, com significativo impacto no percurso do doente oncológico. Todos os doentes são diferentes e o cancro é uma entidade heterogénea. Para uma maior eficácia no rastreio e no diagnóstico do cancro, é necessária uma abordagem personalizada, adaptada às características do doente e do cancro

Um exemplo onde se torna premente aplicar essa personalização, é no rastreio de carcinoma da mama. De acordo com alguns estudos, duas em cada dez mulheres virão a ter carcinoma da mama. No entanto, a suscetibilidade individual para desenvolver cancro relaciona-se não apenas com a idade (o principal critério de inclusão nos programas de rastreio populacional), mas também com o padrão de densidade mamária, com a sua história pessoal e familiar. Deste modo, a transição do modelo atual de rastreio de carcinoma da mama (assente na convocatória para realização de mamografia a cada dois anos, no grupo etário entre os 50 e os 69 anos) para um mais personalizado, onde cada mulher realiza rastreio de acordo com o grupo de risco a que pertence, resultará na aplicação de técnicas e frequências de rastreio personalizadas, não uniforme em toda a população.

No que diz respeito ao diagnóstico, com a evolução de técnicas de imagiologia avançada e inclusão de algoritmos de inteligência artificial, é expectável diagnosticar-se cada vez mais precocemente, de forma mais rápida e fiável, bem como aumentar a capacidade de extrair informação prognóstica através de métodos imagiológicos não invasivos.

O que esperar do Plano Europeu da Luta Contra o Cancro

Uniformizar o acesso e a qualidade do rastreio e do diagnóstico oncológico, bem como garantir o acesso generalizado a técnicas diagnósticas avançadas, são os grandes desafios que se colocam na prática clínica, previstos na Iniciativa Europeia de Imagiologia Oncológica, onde também é incentivada a adesão voluntária dos Centros de Oncologia a programas de certificação e acreditação de forma a promover a qualidade do serviço prestado nesta área do cancro.

De acordo com o Plano Europeu da Luta Contra o Cancro, anualmente 3,5 milhões de pessoas na União Europeia são diagnosticadas com cancro e 1,3 milhões morrem da doença, 40% da qual evitável. Todos os doentes, refere o documento europeu,  “deverão ter o mesmo direito a cuidados, diagnóstico e tratamentos de elevada qualidade, igualdade no acesso a medicamentos e a mesma esperança de sobrevivência, independentemente do local onde vivam” e o compromisso que o Plano Europeu de Luta Contra o Cancro constitui, deverá representar uma mais-valia nesta uniformização. O envolvimento de todos é, naturalmente, essencial na mudança de paradigma, pelo que é necessário que todos possam contribuir. Para além disso, nunca é demais repetir que perante qualquer sinal de alerta é decisivo procurar ajuda médica especializada.

Um artigo de José Carlos Marques, Coordenador de Imagiologia Mamária da CUF, e Elisa Melo Abreu, Radiologista no Hospital CUF Porto.

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