Qual a diferença entre dor aguda e dor crónica?

Enquanto a dor aguda é geralmente um sintoma (após um traumatismo ou cirurgia), a dor crónica pode ser considerada uma doença em si mesma e geralmente está associada a alterações no sistema de deteção e processamento da dor.

A dor é crónica quando persiste para além de 3 meses de duração e está geralmente associada a elevado impacto negativo em termos físico, emocional e social. Assim, o doente com dor crónica, além das limitações físicas como dificuldade em mobilizar-se e trabalhar, sente-se muitas vezes ansioso, deprimido, com perturbações do sono, num estado de sofrimento constante, acabando por se isolar socialmente e deixar de trabalhar. Deste modo, a dor crónica tem um elevado impacto negativo não só na qualidade de vida dos doentes, mas também na capacidade produtiva e economia do país.

Quais as causas desta doença?

As causas mais frequentes de dor crónica são as doenças osteoarticulares, lombalgia, doenças autoimunes, fibromialgia, polineuropatias  (por exemplo associadas à diabetes), dor associada ao cancro e dor pós-cirúrgica. Doentes obesos, idosos, diabéticos e sedentários têm maior probabilidade de desenvolver quadros dolorosos.

É possível prevenir e tratar a dor crónica?

A dor crónica e a sua prevenção é uma das preocupações atuais dos responsáveis pela política de saúde, como o demonstra o Programa Nacional de Prevenção e Controlo da Dor. O ideal é prevenir o aparecimento da dor crónica e quando esta surge deve ser tratada de forma célere e adequada. Enquanto a dor aguda é facilmente tratada com analgésicos, o tratamento da dor crónica é muito complexo exigindo a utilização de diferentes grupos de fármacos, fisioterapia, intervenções psicológicas e sociais. Por vezes é necessário recorrer a técnicas invasivas como infiltrações, radiofrequência e eventualmente cirurgia para o controle da dor nos casos mais refratários.

Segundo a Associação Internacional para o Estudo da Dor, 2020 é o ano global para a prevenção da dor. É muito importante munir os doentes com estratégias para atingir esse objetivo, nomeadamente através da prática de exercício físico, perda de peso e sociabilização. Além disso, tratar a dor precocemente é a melhor forma de prevenir o desenvolvimento de dor persistente ou crónica.

Na atual conjuntura da pandemia por COVID-19 muitos doentes agravaram o seu quadro de dor porque deixarem de frequentar sessões de fisioterapia, ginásios e também de sociabilizar. É importante não adiar a procura de ajuda! Não deve existir receio de se deslocar a uma unidade de saúde pois estão preparadas para o receber com toda a segurança.

Doentes com situações de dor crónica de difícil controlo devem procurar um médico especializado em medicina da dor que os possam tratar de forma adequada. Este tratamento inclui a adequação das expectativas do doente em relação à doença e ao seu tratamento, a gestão da terapêutica e as recomendações no que diz respeito a mudanças de estilo de vida.

Um artigo da médica Teresa Lapa, anestesiologista e Especialista em Medicina da Dor no Hospital CUF Coimbra.

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