Na prática, resulta numa profunda mudança da personalidade, do pensamento, dos afetos e do sentido da própria individualidade.

É uma perturbação grave que leva o doente a confundir a fantasia com a realidade e que geralmente conduz a modos de vida inadaptada e ao isolamento social.

Em Portugal, existem cerca de 100 mil doentes esquizofrénicos, ou seja, cerca de um por cento da população nacional, números que acompanham a prevalência a nível mundial.

Trata-se de uma doença mental grave e incapacitante, que se encontra identificada praticamente em todo o mundo atingindo indiferenciadamente classes sociais e raças.

Quando poderá surgir?

O aparecimento da doença nos indivíduos ocorre normalmente entre os 16 e os 25 anos de idade em ambos os sexos.

O perfil do aparecimento da doença não é uniforme tanto no que se refere à altura do seu aparecimento como à forma como ela se revela, ou seja, varia de indivíduo para indivíduo e do próprio desenvolvimento da doença, sendo que a evolução da esquizofrenia pode ser caracterizada por dois estadios, súbito ou lento.

No estadio súbito, a doença manifesta-se rapidamente e tem uma evolução em escassos dias ou semanas, enquanto no estadio lento o diagnóstico precoce é muito mais difícil e pode mesmo levar vários meses ou anos até que se detecte.

No caso da evolução lenta, a esquizofrenia no grupo dos jovens adultos pode mesmo ser confundida com as chamadas crises de adolescência e por este motivo frequentemente desvalorizada.

Desta forma, o isolamento, a quebra de rendimento escolar ou as alterações de comportamento são vistas pelos pais e professores como normais e passageiras.

Sintomas

A esquizofrenia, devido às suas características, foi durante muito tempo um sinónimo de exclusão social. Os sintomas esquizofrénicos podem ser classificados em duas categorias:

Sintomas positivos

- Delírios, ideias delirantes (pensamentos irreais, como, por exemplo, as ideias de ser perseguido ou vigiado)

- Alucinações (perceções irreais , ouvir, ver saborear, cheirar ou sentir algo irreal, como, por exemplo, vozes que mandam fazer alguma coisa, ou comentam atos)

- Pensamento e discurso desorganizado (elaborar frases sem qualquer sentido ou inventar palavras)

- Agitação, ansiedade, impulsos.

Sintomas negativos

- Falta de vontade ou de iniciativa

- Isolamento social

- Apatia

- Indiferença emocional

- Pobreza do pensamento

A esquizofrenia, devido às suas características, foi durante muito tempo um sinónimo de exclusão social.

No entanto, a partir da segunda metade do séc. XX, os avanços terapêuticos permitiram um maior conhecimento da doença apontando para novas soluções de tratamento impactando de forma positiva a qualidade de vida do doente. 

O tratamento

O tratamento deverá atuar a vários níveis para conseguir manter ou reconduzir, completa ou parcialmente, o indivíduo a uma qualidade de vida aceitável.

O controlo da doença está sempre ligado à precocidade do diagnóstico. Por outro lado, quanto mais precoce for o aparecimento da doença mais difícil será de tratar.

Já se verificou que quanto mais tarde for feito o diagnóstico, pior é a evolução da doença, porque determinados mecanismos se estruturam, se consolidam, tornando-se mais complicado modificá-los.

O tratamento farmacológico é, portanto, fundamental, na medida em que permite obter melhores resultados, sobretudo quando combinado com a intervenção psicossocial que tende a minimizar o impacto de acontecimentos derivados do contexto em que o doente vive.

Por esse motivo, devem ter lugar intervenções individuais e de grupo, tais como psicoterapia, reabilitação e aprendizagem social, sempre a desenvolver em estruturas adequadas.

Além disso, estudos realizados até à data demonstraram que a combinação das diversas estratégias de tratamento também permite diminuir a ocorrência de recaídas.

Terapêutica

Na prática, a nova orientação na terapêutica fundamenta-se em três critérios:

- Intervenção precoce

- Tratamento farmacológico orientado e individualizado, tirando partido da eficácia dos fármacos de nova geração que permitem diminuir a sintomatologia com menos efeitos secundários, melhorando a adesão do doente ao tratamento

- Intervenção de reabilitação que poderá atuar cada vez melhor, graças à capacidade de resposta do indivíduo às solicitações da reinserção.

Assim, novos medicamentos para a esquizofrenia são sempre desejados pelo aumento das probabilidades de tratamento com sucesso e serão sempre escassos face ao peso da doença. Nesta matéria, um dos avanços na luta contra a esquizofrenia, lançado em Portugal é a substância activa ziprasidona.

Este antipsicótico é eficaz no tratamento de doentes esquizofrénicos e tem um perfil de tolerabilidade superior aos outros medicamentos da sua classe. A ziprasidona melhora a qualidade de vida do doente, verificando-se uma melhor adesão à terapêutica.

Os doentes esquizofrénicos apresentam frequentemente alterações em vários parâmetros de saúde como sejam os níveis de triglicéridos, colesterol e prolactina, peso corporal, diabetes e perturbações do movimento, que podem ser decorrentes da própria doença, mas que na sua maioria são decorrentes do tratamento com antipsicóticos.

A este nível, a ziprasidona apresenta um melhor perfil de tolerabilidade, destacando-se as suas vantagens de não interferência nesses parâmetros. Além disso, verificou-se que também os doentes que abandonaram tratamentos anteriores e iniciaram ziprasidona podem beneficiar desses efeitos.

Afastamento social: pode ser relativo a sintomas positivos (alucinações, delírios) ou insucessos repetidos, ou apatia face a um ambiente não estimulante.

Alucinações: perceção aparente e subjectiva de um objeto ou acontecimento, que não se encontra presente. As mais comuns são as alucinações auditivas (poderão ocorrer visuais, olfactivas, gustativas, tácteis, físicas ou combinações).

Delírio: crença falsa ou perceção errada, temas somáticos, grandiosos, religiosos, niilistas ou persecutórios.

Diminuição afectiva: redução de expressão e resposta emocional, indiferença/apatia, expressão facial pobre, pobreza de gestos expressivos, pouco contacto ocular, abrandamento no discurso.

Diminuição da atenção: dificuldade em manter a atenção, atenção selctiva e tendência para se distrair facilmente, pequena margem de atenção, mudança do centro da atenção.

Diminuição da memória: diminuição da memória explícita (recordação consciente do material).

EPS: síndroma ou sintomas extrapiramidais. Perturbações do movimento (ex. parkinsonismo), normalmente decorrentes do tratamento com neurolépticos.

Função executiva: A aprendizagem processual de uma tarefa motora pela execução está bem preservada.

IM: Intramuscular.

Neuroléptico: medicamento que exerce um efeito depressor global sobre a maior parte das funções cerebrais, que acalma a agitação e a hiperaatividade neuromuscular proporcionando um estado de tranquilidade e descontração.

Os neurolépticos são prescritos em diversas psicoses em que predominam a excitação e os estados delirantes com agitação e agressividade.

Perturbação do pensamento ou discurso desorganizado: perda de associação (perda da ligação lógica entre ideias associadas) podendo incluir: descarrilamento/fluxo pouco lógico, respostas tangenciais, pobreza de discurso ou de conteúdo, salada de palavras.

Para mais informações sobre a doença:

Associação de Educação e Apoio na Esquizofrenia - AEAPE

Hospital Júlio de Matos
Parque de Saúde de Lisboa, Avenida do Brasil, 53
Pavilhão 21 R/C
1749-002 Lisboa
Internet: http://aeape-esquizofrenia.blogspot.com/

Informação cedida pela organização do 2º Colóquio Internacional de Esquizofrenia do Porto