Nas suas consultas, Morais de Almeida, imuno-alergologista do Hospital CUF Descobertas, em Lisboa, já viu (quase) tudo. «Não me vai dizer que a tosse e a falta de ar, esta pieira que o meu filho tem quase todos os dias, é asma? Nunca me tinham dito. E é verdade que até já esteve internado», lamentou-se uma vez uma mãe. «Com bastante frequência, sinto tosse, falta de ar, pieira, e uma pressão no peito, ficando cansado e desanimado», lamentou-se um dia outro doente.

«A tosse e a falta de ar limitam-me durante o dia e acordam-me durante a noite. É-me muito difícil fazer esforços físicos, pois fico com tosse e pieira no peito», queixou-se ainda outro paciente. «A tosse, a falta de ar e o cansaço obrigam-me a faltar ao trabalho e o meu filho também está sempre a faltar à escola. Venho à consulta porque gostava de ter mais qualidade de vida» foi outro dos desabafos que já ouviu.

«Eu gostava de ser como os outros meninos mas as alergias não me deixam. Gostava tanto de conseguir correr», queixou-se também uma criança. «Estes relatos são muito frequentes, demasiadamente frequentes», critica mesmo o especialista, que alerta para a importância «da educação do doente e da sua família». «Importa praticar exercício e ter cuidado com a dieta», acrescenta ainda.

«A Dieta Mediterrânica, património da humanidade, protege-nos contra as alergias», sublinha ainda o especialista. «A evicção de fatores de agravamento, como são, por exemplo, a redução da exposição aos alergénios ou a limitação da exposição a poluentes com destaque para o fumo de tabaco e também a redução da ocorrência de infeções, possível através de vacinas adequadas», também é apontada por Morais de Almeida.

Este especialista refere ainda que «o tratamento dos episódios agudos ou crises, com utilização de fármacos que aliviam a obstrução dos brônquios ou os sintomas nasais e oculares». O que ingere também pode prevenir este tipo de problemas. Tem asma? Veja o que deve comer!

3 tipos de medicamentos para um problema comum

Nos últimos anos, as respostas da medicina têm evoluído. «O planeamento da terapêutica preventiva ou de controlo, recorrendo a medicamentos anti-inflamatórios por períodos mais ou menos prolongados, permitindo o controlo sintomático e funcional desta doença crónica» é outro dos procedimentos terapêuticos recomendados, tal como a utilização de vacinas anti-alérgicas «em casos bem selecionados», como faz questão de frisar o imuno-alergologista do Hospital CUF Descobertas.

Os medicamentos para o tratamento das alergias podem ser divididos em três tipos:

- Medicamentos sintomáticos, para o alívio das queixas, incluindo anti-histamínicos para o controlo dos sintomas de alergia a nível do nariz, dos olhos ou da pele e broncodilatadores para o tratamento das queixas de asma.

- Medicamentos preventivos, anti-inflamatórios, que permitem combater a inflamação alérgica e evitar o aparecimento dos sintomas. Os mais eficazes são os corticosteróides, seja por via nasal no tratamento da rinite, seja por via inalatória brônquica no tratamento da asma. Outros medicamentos deste grupo são os anti-leucotrienos, administrados por via oral.

- Vacinas anti-alérgicas, que são um tratamento específico, dirigido ao(s) alergénio(s) implicado(s), tendo uma grande eficácia desde que instituídas corretamente e sob vigilância estrita de médico imunoalergologista. A via de administração mais frequente é a injeção por via subcutânea, mas existem outras formas, como aplicação sub-lingual de gotas ou comprimidos que contêm os extratos alergénicos.

É um método de tratamento que visa modificar a evolução da doença alérgica. Por exemplo, em doentes com rinite a pólenes que têm risco aumentado de vir a desenvolver asma, as vacinas poderão prevenir esta evolução.

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10 comportamentos que ajudam a prevenir alergias

1. Para evitar os alergénios, em casa (alergénios de ácaros, fungos e outros associados à presença de animais de companhia) ventile e controle a humidade.

2. Aspire regularmente o colchão e lave as almofadas e a roupa da cama a 60º C.

3. Evite revestimentos em alcatifa ou mobílias acolchoadas e reduza o número de peluches nas divisões.

4. Limpe o pó com pano humedecido e aspire a casa com aparelho equipado com filtro de alta eficiência.

5. Se tem animais domésticos, evite que os mesmos frequentem os quartos de dormir.

6. Não tenha plantas no quarto.

7. Se é alérgico aos pólenes, além de consultar o Boletim Polínico da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, disponível em www.spaic.pt, reduza a atividade no ambiente exterior, particularmente em áreas de elevada polinização e no início da manhã.

8. Mantenha as janelas fechadas quando as contagens de pólenes forem elevadas, particularmente em dias de vento forte, em dias quentes e em dias secos.

9. De carro, viaje com as janelas fechadas e, fora de casa, use óculos escuros.

10. Não fume. «Não menos importante mas ainda pouco divulgado é o efeito nocivo do tabaco para os alérgicos, talvez o mais importante fator irritativo para as vias aéreas, pois aumenta o risco para o aparecimento de asma e infeções respiratórias», adverte Morais de Almeida. «Nos asmáticos, é um fator desencadeante de crises graves, idas à urgência e internamentos, associando-se a maior mortalidade e diminuindo a resposta à medicação», alerta o especialista.

«Pelo menos os pais, devem tomar consciência deste problema, deixando de fumar ou que outros fumem perto dos seus filhos (em casa, no carro e por aí fora…). Não esqueça que a criança pode não conseguir manifestar o seu mal-estar. Não prejudiquem a vossa saúde e, principalmente, não prejudiquem a saúde dos vossos filhos. Não fumem, pelo menos, junto das crianças», pede encarecidamente o especialista.

Texto: Luis Batista Gonçalves com Morais de Almeida (imuno-alergologista)

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