Em Portugal, é o cancro mais frequente, tendo sido diagnosticados em 2020 mais de 10 mil  novos casos e registados 2972 óbitos, fazendo deste tumor o segundo com mortalidade mais elevada no nosso país.

Os principais sintomas são o aparecimento de sangue nas fezes, alterações dos hábitos intestinais, seja com aparecimento de diarreia ou obstipação, dor abdominal recorrente ou persistente, perda de peso inexplicável, anemia e fraqueza.

Existem alguns fatores de risco associados a esta doença, tais como história familiar de cancro colorretal,  pólipos intestinais ou doença inflamatória intestinal (Doença de Crohn ou Colite Ulcerosa). Outros fatores são a idade superior a 50 anos, a obesidade e o sedentarismo, o tabagismo, o consumo de bebidas alcoólicas em excesso e uma alimentação desequilibrada (rica em gorduras e alimentos processados, pobre na ingestão de fruta, fibra e vegetais).

Em Portugal, está implementado um programa de rastreio do cancro colorretal através da pesquisa de sangue oculto nas fezes, no qual são incluídos todos os indivíduos assintomáticos com idades compreendidas entre os 50 e os 74 anos.

A colonoscopia é o exame que permite efetuar o diagnóstico desta doença. Consiste numa avaliação endoscópica do intestino através de um tubo longo e flexível (colonoscópio) que contém uma câmara na extremidade. Permite a deteção de pólipos ou de outras lesões no interior do intestino, bem como a recolha de amostras para estudo, através da realização de biópsias ou da excisão desses pólipos ou lesões. Para que o exame seja conclusivo é necessária uma preparação prévia e adequada do intestino.

É um método de rastreio do cancro colorretal, sendo recomendado à população com mais de 50 anos, sem risco acrescido desta doença. Se existirem familiares diretos com pólipos intestinais ou cancro colorretal, a colonoscopia deverá ser antecipada de acordo com indicação médica.  Outras indicações para a sua realização, além da história familiar, são a doença inflamatória intestinal, a manifestação de sintomas como dor abdominal persistente, perda de sangue nas fezes ou alteração dos hábitos intestinais. A colonoscopia deve também ser realizada para esclarecimento de dúvidas surgidas noutros exames, para estudo de uma anemia ou em caso de pesquisa positiva de sangue oculto nas fezes. Nos doentes em seguimento após ressecção de uma neoplasia colorretal, é preconizada a realização periódica deste exame. A periodicidade do exame é determinada pelo médico de acordo com a situação clínica e os achados do exame.

Como em todas as doenças oncológicas, o diagnóstico precoce é fulcral e contribui para um tratamento com maior probabilidade de sucesso. Devemos também apostar na prevenção, adotando estilos de vida saudáveis como a prática de exercício físico regular e uma alimentação equilibrada. É necessário manter a vigilância habitual nas consultas de rotina com o seu médico assistente e realizar os programas de rastreio adequados à sua faixa etária e situação clínica.

Apesar da pandemia que atualmente vivemos, não tenha medo de recorrer aos serviços de saúde. Não adie consultas ou exames, nem desvalorize sintomas. É importante minimizar o impacto da pandemia na doença oncológica. O cancro não espera e o diagnóstico realizado atempadamente é fundamental.

Um artigo da médica Ana Pissarra, Assistente Hospitalar de Oncologia Médica no Hospital de Santa Maria.

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