Todos ouvimos, desde pequenos, a recomendação frequente para nos agasalharmos bem, quando está frio e vento, para não correr o risco de apanhar uma pneumonia. As correntes de ar, então, continuam a ter uma péssima fama entre as mães e avós de todo o mundo, desde as aldeias mais rurais às cidades mais cosmopolitas. Até no filme mais recente de Woody Allen "Um Dia de Chuva em Nova Iorque" há um diálogo sobre este assunto, como o próprio título deixa adivinhar.

A relação entre o clima e as infeções respiratórias é um mito arraigado na maioria das sociedades, mas existirá alguma relação real ou associação causal entre a pneumonia e o frio, as correntes de ar ou a falta de agasalho?

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A pneumonia é causada por micróbios, como vírus e bactérias e está demonstrado que  o impacto das baixas temperaturas na capacidade de estes causarem doença ou serem transmitidos, é muito baixo.

Na verdade, a maioria dos casos de pneumonia ocorre, pelo contrário, nos países com clima tropical, quente e húmido.

De onde vem o mito?

O mito que relaciona o frio e as correntes de ar com a maior incidência de pneumonia no outono e inverno tem origem, provavelmente, no facto de as pessoas tenderem, nesse período do ano, a permanecer mais tempo reunidas em espaços fechados, o que facilita a transmissão de germes infectantes de uma pessoa para outra.

Os aglomerados de seres humanos, a pouca circulação de ar, juntamente com a poluição doméstica (fumo de tabaco, fogões a carvão, lareiras), as más condições de saneamento, higiene e nutrição, são a causa de maior incidẽncia de pneumonias nos países tropicais, com níveis sócio-económicos habitualmente mais desfavoráveis.

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Nalguns indivíduos mais sensíveis, como asmáticos e portadores de outras doenças respiratórias crónicas, as condições climáticas, poderão ter, por si só, um papel muito ligeiro, na medida em que podem levar a irritação dos brônquios, com maior produção e menos eliminação de secreções respiratórias, ficando mais essas pessoas mais sujeitas a infeção.

Grupos de risco

No entanto, e em resumo, o risco de contrair uma pneumonia é maior em pessoas mais sensíveis, como crianças pequenas, idosos, pessoas desnutridas, e doentes crónicos, principalmente se estiverem expostos a bactérias ou vírus agressivos em ambientes fechados, com ar poluído e pouco renovado.

Em geral, as condições climáticas características do Inverno, como frio, vento, chuva, humidade e correntes de ar, bem como a falta de agasalhos, não são factores de risco relevantes para apanhar uma pneumonia.

Um artigo do médico Pedro Flores, pediatra no Centro da Criança e do Adolescente do Hospital CUF Descobertas.

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