A Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) é um distúrbio respiratório comum e frequentemente não reconhecido. A sua prevalência varia entre 2% (mulheres) e 4% (homens), mas pode ser superior em indivíduos com obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares.
A SAOS é uma doença respiratória provocada por colapsos intermitentes e repetidos das vias aéreas superiores, durante o sono, que resulta numa respiração irregular e micro-despertares frequentes durante a noite, que na maior parte das vezes os doentes não estão conscientes destes eventos.  
Estas situações provocam pausas respiratórias durante o sono, com duração superior a 10 segundos e que se podem repetir mais de 5 vezes por hora. Essas pausas originam diminuição do oxigénio e também o aumento do dióxido de carbono no sangue. É um distúrbio respiratório grave, dado que a sonolência diurna excessiva resultante, influência a capacidade de raciocínio e de avaliação, aumentando o risco de acidentes de viação e de trabalho. 
Alguns dos sintomas mais frequentes durante o sono são: as pausas respiratórias que podem estar ou não associadas a um ressonar de intensidade variável, um sono agitado e o acordar com a boca seca. Durante o dia alguns dos sintomas que se podem observar são: a sonolência, dores de cabeça matinais e dificuldades de concentração.
A diabetes e a SAOS são doenças comuns na comunidade que muitas vezes coexistem. Esta relação pode ser explicada pela presença de fatores de risco comuns a ambas as patologias, como por exemplo a obesidade. 
Esta constitui o fator de risco mais importante para a SAOS, sendo que aumenta para os índices de massa corporal mais elevados, sendo este fator mais evidente no sexo masculino. Nos indivíduos do sexo feminino a SAOS desenvolve-se em níveis de obesidade mais graves. 
A redução de peso é também muito importante no tratamento desta patologia.Também pode haver uma relação mais complexa entre a SAOS e a diabetes, quando existe uma perturbação metabólica que leva a uma predisposição para ambas as patologias, ou quando os distúrbios metabólicos e autonómicos associados à SAOS influenciam o desenvolvimento da diabetes. 

Ambas as patologias estão associadas a um aumento da morbilidade e mortalidade cardiovascular, sendo possível que a sua presença possa resultar em riscos para a saúde. Por estas razões, é importante alertar os profissionais de saúde para os sintomas e sinais da SAOS na população diabética. 
Em 2012 a USF São João, no Pragal em parceria com a Linde Healthcare, realizou um estudo com o objectivo de avaliar a prevalência da SAOS nos diabéticos do tipo 2, que foi apresentado no Congresso Sleep & Breathing, em abril, em Berlim. 
Este estudo sugere uma elevada prevalência da SAOS nesta população, estando de acordo com alguns estudos já realizados anteriormente. Cerca de 38% dos diabéticos do tipo 2 apresentava uma gravidade da SAOS entre moderada a grave na população estudada.
Por outro lado, dado o perfil obeso da população, poderá sugerir um Síndrome de Obesidade e Hipoventilação, mais prevalente em doentes com obesidade mórbida. Estes apresentam uma hipoventilação noturna condicionando a concentração de oxigénio no sangue arterial podendo originar uma sintomatologia semelhante à da SAOS com alterações da estrutura do sono e sonolência diurna.
Os doentes em risco foram todos referenciados ao hospital da sua área de residência para a realização de estudos mais aprofundados e para a confirmação do diagnóstico. 
Este estudo enfatiza a importância de utilizar ferramentas de diagnóstico simples para avaliar estes doentes na comunidade, nomeadamente nos Centros de Saúde. A identificação precoce permite melhorias substanciais, não só no controle da diabetes, mas também e nas complicações cardiovasculares que são transversais na SAOS e na diabetes. 
Em termos de qualidade de vida, tendo em conta as co-morbilidades existentes, o elevado consumo de recursos hospitalares por parte dos doentes, o uso de medicação crónica e o elevado absentismo laboral que a SAOS condiciona leva a que estes doentes, quando não tratados, apresentem uma qualidade de vida inferior e maiores níveis de depressão quando comparados com a população em geral.
Por João Tiago Pereira, Cardiopneumologista

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