Geralmente descrita ou associada a uma lesão, a dor pode ser definida como uma experiência sensorial e emocional desagradável mas, essencial à sobrevivência, pois atua como um alerta que o corpo fornece ao cérebro, impedindo o seu agravamento. 

Pode apresentar vários graus de intensidade sendo, por vezes, aguda e de rápido desaparecimento, como quando encostamos a mão a um tacho quente; ou inflamatória e com maior durabilidade, de forma a proteger melhor a parte do corpo lesada e permitindo uma melhor recuperação e cicatrização.

Tal como a definição sugere, existem outros tipos de dores que se apresentam como sintomas de doenças ou que são provocadas por alterações psicológicas, como a depressão, surgindo na ausência de qualquer responsável direto.

Nestes casos em que a dor não é palpável, o indivíduo afetado utiliza exemplos ilustrativos e alusivos ao que sente. Como, por exemplo, uma dor de cabeça muito forte na qual sentimos que “nos estão a espetar alfinetes na cabeça”.

A dor crónica, com duração superior a meio ano e vários episódios mensais, surge frequentemente após um incidente traumático. Pode prolongar-se após a cura das lesões e assumir uma proporção psicológica considerável, afetando substancialmente a vida dos indivíduos.

Nestes casos, a dor é promovida por alterações provocadas pelo Sistema Nervoso, passando a constituir, efetivamente, uma doença que já nada tem a ver com a lesão inicial que a pode ter provocado. Os doentes conseguem, até, descrever as dores que sentem com o máximo de detalhe, apesar de não serem palpáveis.

Contrariamente à dor aguda ou inflamatória, passíveis de tratar com medicamentos analgésicos clássicos, a dor crónica é de difícil controlo, necessitando da ajuda de outras terapêuticas para que fique completamente tratada. O que comprova que este tipo de dor é, mesmo, uma doença.

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Epidemiologia

A dor crónica afeta 3 em cada 10 portugueses. Esta é a principal conclusão de um estudo nacional, realizado por um grupo de investigadores da Faculdade de Medicina do Porto, que identificou uma incidência de 30% do problema na população adulta nacional, com intensidade moderada ou grave em aproximadamente metade dos casos, e em que apenas 35% dos casos acreditam que a sua dor está controlada.

Em média, a percentagem de mulheres afetadas é superior, talvez devido a fatores hormonais ou à elevada incidência de algumas patologias no sexo feminino.

Doenças relacionadas com as articulações e dores de costas foram as causas mais identificadas, bem como algumas patologias mais leves (dor de cabeça) e outras mais sérias, como os traumatismos, osteoporose, doenças pós-cirurgia e do Sistema Nervoso e, até mesmo, o cancro nas fases mais avançadas. Independentemente do sexo, a dor crónica aumenta à medida que a idade avança.

Logo, devido ao envelhecimento da população e, consequentemente, ao aumento da esperança média de vida, os especialistas preveem, nos próximos anos, um aumento acentuado dos casos de dor crónica.

Os estilos de vida sedentários, obesidade e prática inexistente de exercício físico foram identificados como os fatores mais preponderantes para o seu aparecimento. A dor crónica apresenta, também, um impacto económico muito elevado.

A totalidade dos doentes, em Portugal, representa, por ano, cerca de 610 milhões de euros em consultas médicas, 730 milhões em medicamentos e 275 milhões em exames complementares de diagnóstico.

Sem contabilizar as faltas ao trabalho, as reformas antecipadas e tantos outros fatores que elevam este valor para um gasto de 3.000 milhões de euros por ano.

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Qualidade de Vida

A dor pode ser mensurada através da sua intensidade, qualidade, impacto ou interferência na vida do doente, com base em escalas internacionais e questionários de qualidade de vida.

Esta avaliação e atenção permanente são bastante importantes no processo de recuperação do doente pois, além de interferir com as atividades físicas do doente, a dor afeta também o seu equilíbrio psicológico e emocional, qualidade de sono, interações familiares e sociais, entre outras.

A dor crónica interfere, assim, com as atividades diárias do doente e altera as suas emoções, relações familiares, profissionais e sociais. O impacto identificado pelos especialistas é bastante negativo e significativo na qualidade de vida das pessoas.

A constatação da existência de uma diminuição da qualidade de vida nestes doentes é apoiada pelos resultados do estudo anteriormente mencionado, no qual quase 50% das pessoas com dor crónica afirmaram que esta interferia de forma moderada ou grave nas atividades domésticas e laborais.

Além disso, 4% dos indivíduos afirmaram que perderam o emprego e 13% pediram a reforma antecipada devido à intensidade e prevalência da dor.

Em 17% dos indivíduos com dor crónica foi ainda diagnosticada depressão e mais de 20% garantiram que não conseguiam desfrutar do prazer da vida, na maior parte do tempo ou sempre.

Sabia que…

- A dor não é apenas uma sensação, mas sim um fenómeno complexo que envolve emoções e outros componentes que lhe estão associados;
- Os gastos anuais da dor crónica equivalem ao custo de 7 submarinos iguais aos dois que o Estado Português adquiriu recentemente à empresa alemã Man Ferrostaal;
- A dor é a queixa mais prevalente na consulta médica;
- A dor crónica afeta cerca de 30% da população portuguesa;
- O tratamento da dor deve ser feito nos cuidados de saúde primários, ou seja, através dos médicos de família, mas não somente. A sua diversidade e complexidade têm vindo a exigir, cada vez mais, resposta especializada, com diferentes especialistas envolvidos no diagnóstico e tratamento e, frequentemente, intervenção multidisciplinar.

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Diagnóstico

A dor crónica diferencia-se facilmente de outros tipos de dor por ser “personalizada”, ou seja, cada caso é um caso e cada pessoa a descreve à sua maneira.

Apesar de surgir, frequentemente, no seguimento de uma doença anterior, quando é sentida pelo indivíduo, a sua suposta causa já foi tratada, fator que dificulta a associação a uma origem e a identificação nos exames físicos. Como tal, o diagnóstico deste tipo de dor é feito através de um historial clínico do doente e de exames clínicos complementares, acompanhados por uma avaliação psicológica.

História Clínica
Através do historial clínico, o médico avalia outras doenças ou problemas de saúde ocorridos anteriormente e que possam estar relacionados com a dor ou interferir nas opções de tratamento (diabetes, asma, insuficiência renal, cirurgias prévias, entre outros). Nesta primeira fase, são considerados aspetos como início e duração da dor, localização, padrão temporal, características, sintomas, intensidade, fatores de alívio/agravamento e tratamentos realizados.

Exame Físico
No exame físico, o médico começa por realizar uma observação física geral ao doente e, de seguida, concentra-se na zona de dor referida na história clínica. No local dorido, o especialista avalia aspetos como a coloração da pele, sensibilidade, capacidade motora, amplitude de movimentos e postura, entre outros.

Avaliação Psicológica
Pretende avaliar os fatores que influenciam a experiência dolorosa do doente, bem como o impacto da dor na sua saúde mental. Deve ser realizada de forma multidisciplinar, na qual o doente é observado por vários profissionais e, através de uma entrevista, que pode ser complementada com alguns questionários específicos.

Exames Complementares
Para completar a avaliação do doente, o médico pode necessitar de realizar uma investigação mais detalhada com o auxílio de exames complementares (análises ao sangue, urina ou fezes, radiografias, ecografias, TAC, RMN, EMG, EEG, entre outros).

Farmacologia
Quando a dor é aguda, pode ser recomendada a utilização isolada de analgésicos. Mas, no caso da dor crónica, a abordagem tem de ser multimodal, ou seja, utilizam-se vários medicamentos em doses mais baixas, associados a tratamentos não medicamentosos. O mais utilizado é o paracetamol, tanto a nível de analgésico como complemento anterior/posterior a uma intervenção cirúrgica.

A dor crónica é frequentemente acompanhada por períodos de ansiedade, depressão e perturbações do sono, sendo muitas vezes necessário complementar o tratamento com medicamentos para esse fim. Para alguns tipos de dor que envolvem a contração excessiva e desadequada dos músculos, pode ser necessário acrescentar medicamentos relaxantes musculares ou a aplicação de pomadas constituídas por pentosano polissufato de sódio nas dores localizadas.

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Tratamento

Tratamento Físico e de Reabilitação
O exercício terapêutico utiliza movimentos, posturas ou atividades com o objetivo de melhorar ou prevenir deficiências, aumentar a funcionalidade e a resistência, proporcionando uma maior sensação de bem-estar.

Pode ser complementado com tratamentos com agentes físicos e técnicas manuais de forma a melhorar o controlo da dor, otimizar a flexibilidade, força e resistência do doente. A hidroterapia, crioterapia, estimulação elétrica, massagem terapêutica e o tratamento a laser são algumas das terapêuticas complementares.

Tratamento Cognitivo-Comportamental
Baseia-se na ideia de que as crenças e expectativas do indivíduo, assim como os seus pensamentos, têm um impacto adverso no humor, no comportamento e, consequentemente, na dor.

No tratamento cognitivo, o doente é encorajado a identificar os pensamentos disfuncionais e o papel que estes desempenham no seu comportamento e estado emocional.

O objetivo é identificar a alteração de comportamentos não produtivos, reduzir a angústia emocional e desenvolver estratégias para enfrentar a situação.

A terapia comportamental pretende recuperar o doente para a vida ativa, através da adoção de estratégias comportamentais que permitam uma adaptação às eventuais limitações que o doente apresente. Visa, ainda, diminuir os comportamentos de dor que o doente adota como forma de comunicar a sua dor e angústia.

Técnicas Invasivas
Em alguns doentes é necessário realizar técnicas invasivas para um melhor controlo da dor. Este tipo de tratamento envolve riscos e deve ser sempre ponderado, em conjunto, pelo médico e doente.

Ozonoterapia, bloqueio de nervos periféricos, bloqueio neurolítico, toxina botulínica, cifoplastia e a neuromodulação são algumas das técnicas utilizadas.

Medicinas Alternativas
A hipnose, a acupuntura e a fitoterapia são algumas medicinas alternativas mais usadas, como complemento farmacológico no tratamento da dor crónica. A acupuntura é o mais recorrente.

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Tipos de Dor

Dor de Cabeça
A dor de cabeça (cefaleia) é uma das formas de dor mais frequentes e com maior incidência, afetando mais mulheres do que homens. Pode ser classificada como primária, a mais frequente, ou secundária. Quando não é identificada uma doença que a justifique, a cefaleia é considerada primária, podendo subdividir-se em três grandes grupos: enxaqueca, cefaleia de tensão e cefaleia em salva.

De todas, a cefaleia de tensão é a mais frequente. A cefaleia secundária caracteriza-se como uma manifestação de outras doenças, sendo a sua classificação baseada na patologia que a origina. Pode surgir, também, devido à utilização/privação de uma substância como analgésicos, álcool, cafeína e algumas drogas ilegais, entre outros.

Enxaqueca
A enxaqueca é o tipo de dor de cabeça mais frequente a nível mundial e com grande impacto no doente e na sociedade, afetando os doentes na idade profissionalmente mais produtiva.

A maioria (60-70%) dos afetados são mulheres com idade inferior a 30 anos, embora também possa ocorrer durante a infância. As causas que levam ao aparecimento das enxaquecas ainda não estão totalmente delineadas, mas, parece existir uma componente genética associada.

As crises podem ser despoletadas pela utilização de contracetivos hormonais, alterações nos hábitos de sono ou ingestão de alguns alimentos como o chocolate. Quem sofre de enxaqueca tem, ainda, uma maior probabilidade de contrair trombose, epilepsia, ansiedade, depressão e perturbação de pânico.

O tratamento da enxaqueca apenas controla os sintomas e alivia a dor nos doentes, de forma a otimizar a sua vida diária. Deve ser iniciado com a alteração dos hábitos alimentares e através da adoção de um estilo de vida mais saudável que permita a prática regular de exercício físico associado a uma ingestão moderada de certos alimentos, álcool e cafeína.

O tratamento preventivo individualizados e dependem das particularidades da enxaqueca, assim como, de outras doenças que cada doente possa ter.

Dor Orofacial
A dor orofacial tem origem nas estruturas orais e é, muitas vezes, acompanhada por períodos de dor facial. Afeta entre 17 a 26% da população mas, somente, 7 a 11% é crónica, sendo que a maioria dos doentes apresenta doenças com origem nos dentes ou gengivas.

Dor de Dentes
A dor de dentes (odontalgia) tem múltiplas formas de apresentação: espontânea ou provocada, aguda ou latejante, intermitente ou contínua, de intensidade ligeira a intensa. As causas mais comuns são as alterações de temperatura, o toque ou fratura de um dente danificado, a pulpite (inflamação na polpa do dente) ou cárie, sendo esta última a mais recorrente. A fratura de dentes é mais frequente com o avançar da idade, especialmente quando se realizam restaurações muito extensas no dente ou quando o doente tem por hábito “ranger” os dentes. Porque ocorre muito frequentemente e tem sintomas muito variáveis, qualquer dor que surja na boca e face deve ser considerada, em primeiro lugar, como sendo de origem dentária.

Dor de Garganta
A dor de garganta (odinofagia) é uma dor presente na cavidade oral ou faringe, que pode surgir em repouso, na mastigação e na deglutição, com algumas características diferentes consoante o fenómeno que lhe dá origem. Pode ser causada por doenças infeciosas, inflamatórias, tumores, glândulas salivares, entre outros fatores. De salientar que a patologia interfere com funções vitais para o doente - alimentação, fala, respiração - pelo que o controlo das queixas dolorosas é importante para a qualidade de vida.

Dor de Ouvidos
A dor de ouvidos (otalgia) é um problema comum que pode surgir em todas as idades, sendo muito frequente nas crianças. Costuma ser descrita como uma dor de facada ou como uma sensação de pressão/peso e pode ser aguda ou crónica, consoante a sua duração, e ter intensidades diferentes (ligeira, moderada ou intensa). Normalmente, é causada por uma lesão, uma doença localizada diretamente no ouvido ou uma dor no ouvido, mas com origem noutros locais do organismo.

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Dor Torácica
A Dor Torácica tem uma causa Intratorácica quando a sua origem reside nos órgãos que se encontram no interior do tórax - coração, pulmões, esófago. É o caso da Angina do Peito, Pneumonia, Esofagite e Hérnia do Hiate. A causa é extratorácica quando surge nos ossos, músculos, nervos, pele ou órgãos que se localizam fora da caixa torácica (os órgãos abdominais, por exemplo).

Dor Abdominal
A dor abdominal é tão comum em crianças como em adultos e pode ter uma origem abdominal ou extra-abdominal, bem como uma recorrência aguda (não recorrente) ou crónica (constante ou recorrente durante mais de 3 meses). As causas inflamatórias, neoplasias, funcionais e infeciosas são as mais frequentes na dor abdominal crónica. No entanto, a sua distinção através dos sintomas é bastante difícil de realizar, motivo pelo qual é sempre necessário realizar alguns exames.

Dor na Osteoartrose
Caracterizada por rigidez, limitação de movimentos e deformações, a dor na osteoartrose surge com o movimento e vai-se agravando continuada e repetidamente, com uma maior intensidade no final do dia. Regra geral, estes doentes não têm dor durante a noite, embora, em casos mais avançados, possa surgir algum incómodo noturno. Pode ser primária ou secundária e a causa permanece desconhecida, apesar de especialistas considerarem que existem várias (fatores mecânicos, hereditários, hormonais, metabólicos, entre outros).

A Osteoartrose é extremamente prevalente na população em geral e, de forma igual, nos dois sexos, embora após os 50 anos exista um ligeiro predomínio no sexo feminino. A frequência aumenta com o avançar da idade. 90% dos indivíduos possuem a patologia após os 60 anos de idade.

Dor Lombar e Ciática
A Dor Lombar, a mais frequente após uma constipação, constitui uma importante causa de incapacidade e absentismo laboral. Tem uma maior incidência em indivíduos entre os 30 e os 50 anos de idade e está associada a diversos fatores individuais e profissionais, podendo instalar-se subitamente ou progressivamente e de forma limitada ou difusa, irradiando à distância. Podem surgir episódios de curta duração, agudos e muito dolorosos.

Na Ciatalgia, a dor estende-se para além da coluna lombar, irradia ao longo da face posterior ou póstero-externa do membro inferior, no trajeto do nervo ciático, acompanhando-se frequentemente de uma sensação de “formigueiro”, “adormecimento” ou “queimadura”. Agrava-se com o esforço realizado para tossir, espirrar, rir ou evacuar.

Dor Muscular
A dor muscular é uma síndrome caracterizada por dor articular e muscular generalizada e difusa, com tendência migratória e aparente ritmo inflamatório. A dor agrava-se com os esforços e vem acompanhada por fadiga e outros sintomas. Atinge cerca de 2% da população, predominantemente no sexo feminino e é de causa desconhecida, apesar dos vários fatores possíveis de a desencadear. Estes doentes podem, ainda, apresentar outros sintomas como encefalias, ansiedade, depressão, entre outros.

Dor associada à Artrite Reumatoide
A Artrite Reumatoide é uma doença inflamatória crónica de causa desconhecida que, apesar de poder atingir qualquer órgão, envolve predominantemente as articulações. É 3 a 4 vezes mais comum no sexo feminino e surge, mais frequentemente, entre os 30 e 50 anos de idade.

Na maioria dos doentes, inicia-se de modo lento e progressivo, envolvendo as pequenas articulações das mãos e pés. No entanto, o processo inflamatório pode resultar na destruição completa da articulação. A própria dor é articular e tem um ritmo inflamatório: surge com o repouso, piora logo pela manhã e vai melhorando ao longo do dia através da utilização das articulações.

Dor Nevrálgica
A dor nevrálgica é um tipo de dor neuropática que ocorre por lesão ou disfunção do nervo. Pode surgir em variadas localizações e recebe, frequentemente, o nome do nervo responsável pela dor.

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Dor Menstrual
A dor menstrual (dismenorreia) é uma dor muito frequente que acompanha a menstruação. Embora vista por muitos como uma situação normal, o grau de interferência com as atividades diárias é variável, sendo uma doença que gera um grande absentismo escolar e profissional, especialmente em mulheres jovens. Estima-se que afete cerca 20 a 90% das mulheres, com um grande impacto social e económico.

Pode ser primária (funcional) ou secundária. A dor menstrual primária não está associada a qualquer outra doença e parece derivar do excesso de produção de substâncias que provocam contrações fortes e dolorosas do útero. Quando muito intensa, pode acompanhar-se de náusea, vómitos e/ou diarreia. É frequente em adolescentes e pode desaparecer ou melhorar com a idade e/ou gravidez.

Quando a dor menstrual é secundária faz-se acompanhar por outros sintomas, como a perda de sangue fora da menstruação e dor durante o ato sexual, entre outras. O hímen imperfurado, o aperto do colo do útero, a endometriose, os problemas inflamatórios pélvicos e a presença de dispositivos intra uterinos são alguns exemplos de doenças que se associam a dismenorreia secundária.

Dor oncológica
A dor oncológica ou neoplasia pode apresentar-se, clinicamente, de inúmeras formas, nomeadamente dispepsia, náusea, sintomas urinários, intestinais, fraqueza, perda de peso e dor, entre outros sintomas. Surge em qualquer idade, sendo que cerca de 30% dos doentes com tumores apresenta dor desde a fase inicial da doença até ao final.

Percentagem que vai aumentando com a progressão da doença, alcançando 75% a 90% em estádios avançados. As principais causas de dor em doentes oncológicos estão relacionadas com tumores e outros sintomas associados, intervenções diagnósticas e terapêuticas, imunodepressão ou com uma patologia pré-existente ou coexistente.

A dor associada aos tumores pode ser circunscrita a várias localizações ou disseminada, com maior intensidade, nos tumores não tratados ou que não respondem ao tratamento. A dor oncológica afeta negativamente a atividade física do doente, a interação social e familiar, vontade de viver e qualidade de vida. Causa, também, um profundo sofrimento no doente e seus cuidadores, pelo que o alívio da dor é um dever ético e humanitário.

Cerca de 86% dos doentes oncológicos apresentam mais do que uma dor enquanto 36% têm quatro ou mais. A dor está diretamente relacionada com o tipo de neoplasia e estadio do mesmo, havendo tumores que metastizam em fases precoces (exemplo do pâncreas e do colo do útero) enquanto outros apresentam uma evolução mais lenta, insidiosa.

Como tal, o doente deve ser avaliado de forma holística - física, psicológica, social e espiritual -, tendo em conta a sua doença e progressão, de forma a construir um plano terapêutico adaptado a cada indivíduo.

Dor na criança
Muitas vezes pouco reconhecida e valorizada, levando a que o seu tratamento não seja tão adequado quanto desejável, a incidência estimada da dor crónica na criança é de 10 a 15%. No entanto, este valor pode não refletir a realidade devido aos fatores que contribuem para esta subvalorização e subtratamento: a dificuldade de comunicação inerente a este grupo etário, que dificulta a avaliação da dor e a crença por parte dos profissionais de saúde que as crianças sentem menos dor, e pela imaturidade do seu sistema nervoso.

Atualmente, é reconhecido que os recém-nascidos e as crianças têm dor e que guardam memória da mesma, influenciando a forma como vão lidar com futuras experiências de dor e stress ao longo da vida. A dor crónica não tratada provoca alterações no estilo de vida da criança refletindo-se, por vezes, num fraco aproveitamento escolar ou numa incapacidade de socialização.

Além disso, ao contrário do que se supunha, os recém-nascidos, devido a uma resposta inflamatória mais intensa associada a mecanismos neurológicos de inibição menos desenvolvidos, têm níveis de dor que são superiores aos dos adultos.

A avaliação da dor em recém-nascidos e crianças baseia-se em escalas observacionais (baseadas no comportamento: choro, expressão facial, movimento), uma vez que, até determinada faixa etária, não existe capacidade de verbalização que permita caracterizar a dor.

A dor musculoesquelética (dor nos músculos e ossos), as cefaleias (dor de cabeça), a dor abdominal crónica, a drepanocitose (anemia das células falciformes), e as neoplasias (tumores) são as principais causas de dor neste grupo etário.

Fotografia: ©luxora1 - Fotolia.com
Agradecimentos: Bene farmacêutica; Website científico “Conhecer a Dor”

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