A sua segurança é garantida, 24 horas por dia, por um exército extremamente inteligente. Chama-se sistema imunitário e defende o organismo de ataques de vírus, bactérias e fungos. Constituído pelo sangue e pelo sistema linfático, tem alistados soldados como fagócitos, células T e anticorpos, células e proteínas que circulam nos fluidos corporais. E, mais do que atacar cegamente, sabe distinguir organismos estranhos de células amigas. A sua eficácia depende sobretudo da herança genética, mas pode ser influenciada pelo estilo de vida. Sabe o que fazer para o ajudar?

1. Devemos estimular o sistema imunitário?

Não, é um mito! Estimular em demasia o sistema imunitário é tão mau como não o estimular de todo, ambas as situações podem conduzir a doenças. Por exemplo, submeter uma criança a infeções de repetição pode levar à doença, mas protegê-la demasiado impede o sistema imunitário de aprender a defender-se perante as ameaças. Assim, o objetivo é regular e não estimular o sistema imunitário. Contactar com a natureza e ter uma alimentação variada, não esterilizada, desde cedo, ajudam-no a encontrar esse equilíbrio.

Estimular em demasia o sistema imunitário é tão mau como não o estimular de todo, ambas as situações podem conduzir a doenças. Por exemplo, submeter uma criança a infeções de repetição pode levar à doença, mas protegê-la demasiado impede o sistema imunitário de aprender a defender-se perante as ameaças. Assim, o objetivo é regular e não estimular o sistema imunitário. Contactar com a natureza e ter uma alimentação variada, não esterilizada, desde cedo, ajudam-no a encontrar esse equilíbrio.

2. Uma boa alimentação ajuda a afastar as doenças?

Sim, é verdade! Uma alimentação variada, rica em produtos frescos e não esterilizados supera qualquer suplemento alimentar, já que os alimentos contêm muitos nutrientes diferentes que atuam em conjunto para promover a saúde. Por exemplo, a fruta e os vegetais são ricos em nutrientes antioxidantes, como vitaminas C e E, betacaroteno, zinco e selénio. Evite períodos de jejum, e ingerir bebidas alcoólicas e alimentos ricos em açúcar e gordura.

3. Quanto mais exercício faço, mais protegido fico?

Não, de todo! Além de promover a libertação de endorfinas, hormonas associadas ao bem-estar, a prática regular de exercício físico aumenta o nível de leucócitos, uma célula sanguínea que combate as infeções. No entanto, o exercício físico prolongado e extenuante deprime o sistema imunitário. Caminhar três ou mais vezes por semana pode bastar.

4. Posso apanhar uma gripe ou uma constipação por andar ao frio?

Este é outro mito! É natural que se faça a associação ao frio, já que é durante o Inverno que habitualmente surgem os surtos gripais e que a diminuição da temperatura corporal prejudica a resposta imunitária. Na realidade, as gripes e constipações são causadas por vírus, que sobrevivem mais tempo quando a temperatura e a radiação ultravioleta são baixas, mas o contágio dá-se pelo contacto com ar ou superfícies contaminadas. Por exemplo, ao frequentar locais com pouca circulação de ar e tocar na cara depois de dar um aperto de mão. Para se proteger, tome a vacina da gripe, evite espaços fechados e lave as mãos regularmente.

Veja na página seguinte: A relação entre stresse e cansaço e o sistema imunitário

5. Se andar stressado ou cansado, adoeço mais facilmente?

É verdade! Hormonas como o cortisol e a adrenalina, libertadas quando estamos em stresse, modificam o sistema imunitário. Durante o sono profundo, o organismo liberta substâncias que o fortalecem, pelo que é importante dormir bem. Problemas cardíacos e hipertensão estão associados ao stresse crónico e, a longo prazo, o défice de sono está associado a maior risco de diabetes e obesidade.

6. Andar ao ar livre reforça as minhas defesas?

Sim, reforça. Aproveite, por isso, o ar livre. As pessoas expostas à luz natural (sol) são menos vulneráveis a infeções do que as que vivem e trabalham com luz artificial. Rir e ter uma rede social estimulante é igualmente benéfico.

Texto: Rita Miguel com Manuel Santos Rosa (diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra)

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