A hortelã é uma planta muito refrescante, ideal para tomar em refrescos ou chá frio ou morno, sobretudo no Verão.

Nas suas diferentes variedades, é muito utilizada na confecção de numerosos pratos, desde molhos para acompanhar carne, peixe ou guisados de legumes, mas também sobremesas, sopas e geleias.

Um molho de ananás com hortelã é uma excelente combinação. Mas o seu uso vai mais além! Na cosmética, esta planta é muito usada no fabrico de cremes para a pele e na produção de dentífricos, perfumes, sabonetes e sais de banho. No jardim, estas plantas exigem, no entanto, alguns cuidados.

Como as hortelãs são extremamente invasoras, pode optar por plantar em vasos e logo enterrá-los, como forma de as controlar. A hortelã repele a borboleta branca da couve. A hortelã pimenta afasta os afídeos das plantas, pois é um repelente de formigas que são as responsáveis pelo transporte dos mesmos.

Para a usar como repelente natural, ferva três canecas de água e uma de hortelã (mentha spicata) durante dois minutos. Deixe arrefecer e pulverize depois as suas plantas com esse caldo, como prevenção contra as várias pestes. Se o fizer uma vez por semana, obterá óptimos resultados. A hortelã desenvolve-se bem debaixo das nogueiras. Tanto a hortelã como o tomateiro dão-se bem perto das urtigas. Esta planta melhora ainda o sabor das couves e do tomate.

Os varios tipos de mentas que existem

Analgésicas, anti-sépticas e tranquilizantes, sobretudo a nível local e das mucosas do aparelho digestivo, as mentas ou hortelãs são das plantas condimentares e medicinais mais utilizadas em todo o mundo. Como se híbridam facilmente, existe alguma confusão em relação à nomenclatura de algumas das suas variedades.

Vivazes, herbáceas e rústicas, da família da lamiáceas (labiadas), crescem em lugares sombrios, terrenos húmidos e frescos, na beira dos rios e em hortas e pomares. Podemos dividi-las essencialmente em dois grandes grupos, a hortelã-verde, hortelã cumum ou mentha spicata (spearmint em inglês), onde se incluí a nossa hortelã da canja, também conhecida por hortelã-das-cozinhas, hortelã-das-hortas ou hortelã-dos-temperos.


Veja na página seguinte: Mentas que sabem a limão e a... maçã!

Este grupo inclui as espécies mais utilizadas na culinária, que têm um sabor refrescante, algo doce, agradavelmente pungente, fazendo algumas lembrar o sabor do limão ou da maçã.

O outro grupo é o da hortelã-pimenta, de sabor muito mais mentolado, mas também doce, forte e picante, deixando a boca um pouco dormente e com hálito agradável e fresco.

Esta é a mais utilizada para fins medicinais e também no fabrico de pastilhas elásticas, pastas de dentes, cosmética e de onde se extrai o óleo essencial.

Alguns exemplares deste grupo são a hortelã pimenta preta (mentha x piperita piperita), hortelã da montanha (pycnanthenum pilosa) e o poejo (mentha pulegium). De sabor muito forte, deve ser usado com alguma cautela, um conselho que muitos alentejanos certamente discordarão.

A hortelã brava (mentha arvensis), muito utilizada na cozinha asiática, também faz parte deste grupo. A mentha x piperita é um híbrido da hortelã verde e da hortelã d´água. Temos ainda a hortelã pimenta chocolate (mentha x piperita citrata chocolate), também conhecida por bergamota e muito utilizada na perfumaria e ainda na confecção de sobremesas.

Se for às compras, encontra ainda hortelã maçã (mentha suaveolens) e a hortelã da ribeira (mentha cervina) ou erva peixeira, muito utilizada na culinária do Alentejo porque tem um aroma semelhante ao poejo, apesar de ter folhas muito diferentes.

Existe ainda a mentha aquática L. ou hortelã da água, muito comum no Centro e no Sul do nosso país, também conhecida por hortelã mourisca, pois julga-se ter sido aqui introduzida pelos mouros.

O castigo da ninfa

A hortelã é oriunda da região mediterrânica, onde cresce espontâneamente, apesar das plantações que aí existem. Mas não existe só nessa região. Dá-se um pouco por todo o mundo. É muito usada em Marrocos, na Turquia e na Tunísia, mas também no Irão e Índia. A hortelã era muito utilizada pelos romanos em banhos e perfumes, provavelmente na sua variante mentha spicata. Acredita-se que tenham sido eles a introduzir a hortelã na Europa.

A variedade hortelã pimenta só foi introduzida na farmacopeia inglesa (London Pharmacopeia) em 1721. Nessa altura, era recomendada no tratamento de problemas digestivos como a flatulência, mas também para cólicas e dores de cabeça de origem nervosa. O nome menta vem da mitologia grega. A ninfa Menta surpreendeu Perséfone com Plutão, por quem estava apaixonada, e foi transformada na planta que tem o seu nome.


Veja na página seguinte: As propriedades curativas (e repelentes!) da hortelã

Composição

É rara a menta que possua menos de 50% de mentol, chegando mesmo algumas variedades a atingir os 90%.

Essas são exclusivamente utilizadas para extracção do óleo essencial. Têm ainda flavonóides, carvona, aneol, pulegona, resinas, ácidos fenólicos e constituintes amargos.

As propriedades curativas (e repelentes!) da hortelã

A hortelã é um analgésico, anti-séptico e tranquilizante sobretudo a nível local e das mucosas do aparelho digestivo.

Inibe espasmos gastrointestinais e estimula a produção da bílis. Relaxa os músculos do estômago (facilitando a digestão) e os do esfíncter do esófago (ajudando a libertar refluxos digestivos o que pode também causar sensação de azia). Existem estudos científicos que comprovam que as cápsulas de óleo de hortelã aliviam problemas de cólon irritável.

Além disto, a hortelã é também um conhecido vermífugo, que se pode utilizar para desparasitar tanto pessoas como animais, sobretudo se lhe juntarmos artemísia. Esta planta é ainda útil no combate a vários tipos de vírus e bactérias incluindo herpes. Meia gota de óleo essencial de hortelã aplicado sobre as têmporas alivia dores de cabeça.

É ainda muito eficaz como descongestionante nasal e expectorante, em compressas ou quando friccionado alivia dores musculares e reumáticas. Combate bronquites, náuseas, cólicas, diarreia e aftas. É também diurética, estimula a sudação, sendo útil para fazer baixar a febre, alivia picadas de insectos.

É um excelente repelente de formigas aplicando um ramo ou umas gotas do óleo essencial nos locais por onde elas andam. Umas gotas de óleo essencial esfregado na coleira dos cães e gatos mantém afastadas as pulgas. Esta técnica também funciona com os poejos, esfregados directamente nas coleiras, no pêlo do animal ou na água do banho.

É ainda um bom repelente de traças, as folhas colocadas em camadas debaixo das coelheiras afastam não só as moscas mas também os ratos e ratazanas.

Texto: Fernanda Botelho

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